Haver política no carnaval é da tradição brasileira, seja em alusão direta à ‘‘nobre’’ classe, abominada em todas as pesquisas de opinião, seja a críticas comportamentais. Quando um núcleo da oposição, desesperado porque as denúncias contra o prefeito de Curitiba não ‘‘pegaram’’, conforme o demonstrou o Datafolha, inventou o bloco de sujos ‘‘Unidos do Caixa 2’’ não imaginou que haveria repique e ele apareceu na falange ‘‘Cachorro Louco Atropela e Foge’’, alusão oblíqua ao acidente com o sobrinho do maior líder do PMDB.
As escolas de samba fizeram manifesto à Fundação Cultural pedindo que nenhum desses blocos tivesse autorização para desfilar, já que, no entender delas, a mistura com política poria abaixo todo o esforço de preparação. O fato é que o nosso Carnaval é uma gloriosa bosta e isso o tornaria pior ainda porque esse tipo de folião nada acrescenta, além de criar condições para um entrevero.
Em princípio o Carnaval deveria ser permeável a tudo, especialmente aos fatos políticos, mas a disputa abriria caminho para retaliação e parece que é mais fácil mobilizar do lado do poder do que na oposição, o que esta aprendeu no passado quando era governo e fez a invasão da Ferrovila, apoiada com a omissão da PM, na semana da Pátria, num carnaval mais cínico do que cívico.
BIZARRICE O que é mais irritante: a passividade bovina do governo, na questão da greve das universidades, ou a intolerância dos grevistas?
AXIOMA Dois Fóruns: o dos ricos imaginando que basta o empenho pessoal para a pessoa ficar bem, o dos pobres e remediados esquecendo que o imaginário dos excluídos é que alimenta o capitalismo. Basta ver pobres diabos, mal vestidos e mal alimentados, se acreditando numa boa por possuirem um celular.
GLOSA Há quem ache que essa proposta de Lerner para as universidades estaduais com o repasse mensal de um percentual do ICMS parecida com aquela do Delfim Netto que recomendava esperar o bolo crescer para então distribuir renda.
Já roubaram o bolo e nem o glacê sobrou para a pobreza.
EPIGRAMA Nessas listas de sequestráveis há alguns que certamente levariam, em curto espaço de tempo, os sequestradores a se disporem a pagar pela devolução.
FOLCLORE O Brasil tem tradição de meter política no Carnaval. Nos anos 30 houve aquela ‘‘Ai seu Mé// no Palácio das Águias// nunca hás de por o pé!//’’ ‘‘M钒 é referência a Washington Luis e ao cavanhaque de bode. O Palácio das Águias é o Catete, sede do governo. ‘‘M钒 é onomatopéia do bode. Ele se elegeu presidente e foi derrubado pela revolução de Getúlio Vargas.
CROMO Minha mão, sob leitura, é decadente; a cigana, muito pior.
AFORÍSTICO Salvaram a vaca, a Copel: urge agora impedir que os terneiros dos contratos irregulares, parasitas, venham a exaurir-lhe as tetas.

mockup