Sabe-se que a campanha eleitoral terá o divisor de águas na questão do fluxo de investimentos e seu impacto econômico e social, isto é, será o redutor de todo o processo olhado em seus efeitos bons e os perversos. Tanto Requião como Álvaro Dias já deram a entender que se posicionarão contra, tendo este último argumentado que nos primeiros anos do Terceiro Milênio haverá uma sobra de 26 milhões de automóveis sem mercado na hipótese de as montadoras cumprirem suas projeções de médio prazo. Embora conflitando com a filosofia de FHC (Álvaro tem uma dificuldade notória na percepção dessas coisas, quando a vaidade está em jogo), o presidente da Telepar remove aos poucos as pressões do Planalto para que feche uma aliança com Lerner.
Mas se no lado mais inteligente das disputas tudo tenderá para o divisor aludido - benefícios e perversidades do modelo de desenvolvimento - já se percebe que os profissionais da calúnia não descansam. Tanto que um jornal apócrifo com o título ‘‘Jogo Limpo’’ que tenta intrigar Requião, uma vez que tal designação foi por ele adotada, lançou um alude de lama nos quadros do situacionismo. E nada como meia-verdade para operar como denúncia, pois parte das acusações tem procedência, como os casos da Leasing e o jogo sinuoso das varejeiras do poder em torno de promoções e verbas oficiais.
A polícia diz ter pistas e estaria no encalço dos autores. Mas se suas pistas forem como as que coligiu para investigar o atentado ao secretário Cândido Martins de Oliveira, da Segurança, tudo ficará na mesma e corre-se o risco de aparecer um segundo e um terceiro números do panfleto. Se agora está assim, imagine-se o que está por vir para meados de 1998.
BRUCELOSEAdemar e Celso Bonifácio, de Toledo, contraíram brucelose e entraram com ação indenizatória contra o governo porque a doença teria origem nas famosas vacas importadas do Uruguai e Argentina colocadas no mercado sem a avaliação sanitária de praxe. É questão a ser vertida em lixo eleitoral.
PESQUISASA Brasmarket, que faz pesquisas para a revista ‘‘Istoɒ’, responsável por algumas profecias falhas como a de que haveria segundo turno em Curitiba, fez o ‘‘ranking’’ dos governadores, encabeçado pelo Maguito Vilela, populista de Goiás, com 62,3 de ótimo e bom, seguido de Jereissati com 55,1, e no qual Lerner aparece em 10º lugar com 30,3. A notícia provocou desmaios no Palácio Iguaçu com dispêndio forte de sais aromáticos. Essa pecualiaridade do áulico em sofrer pelo patrão é dolorosa, mas engraçadíssima.
Obviamente não é o que o Datafolha e o Ibope dizem, mas serve para fermentar o clima pré-eleitoral. Requianistas e alvaristas fizeram festa, sabendo, no entanto, que isso apenas aflige os puxa-sacos.
Para a presidência, FHC aparece com 40,8% e Lula com 14,3%, seguido de Sarney e Maluf com 6,4%, e Itamar Franco, 6,2%. Lerner aparece com 1,9% e Brizola (essa é de lascar), com 4,1%.
Outra coisa: se a eleição fosse hoje, FHC teria 43,6% e 38,9% votariam na oposição, o que daria segundo turno. Se for mantido, é claro, e não atingido pelo casuísmo da moda.
BIZARRICEEm Cambé, passado distante, o time local enfrentava o Bangu do Rio e a nuvem de terra roxa dificultava ao locutor visualizar o que acontecia na área do clube da cidade num momento de confusão. O locutor, ansioso para descrever o impossível e fazê-lo em linguagem apropriada às rodinhas de café em discussão de futebol, tascou ‘‘é um c. de boi na área’’.
SPRAYAbrandada a crise no Coritiba com a vitória sobre o Bragantino, deu para perceber da reunião de ontem do Conselho que, apesar de tudo, o nome de Salomão Soifer é cotadíssimo para a presidência.- Proposta de privatização do Banestado é a melhor, segundo os próprios funcionários. É que nessa, a de passar o controle do banco a um fundo de previdência, ainda o manteria público ao menos por algum tempo.- BRDE está com os dias contados e não procede a notícia de que o governador Jaime Lerner pleitearia a sua manutenção.- Saída de Ratinho da CNT abre um rombo na organização em termos de audiência e tira expressão de uma rede nacional com sede em Curitiba. O projeto perde o seu carro-chefe.- Universidade das Américas, Universidade do Meio Ambiente e agora Universidade do Esporte. O virtual não é virtuoso.- Anteontem, na Mesa Redonda da CNT, o apresentador Fernando Gomes dizia que naquele instante o Arinelson, jogador do Santos, assistia àquele programa. Ele estava no ‘‘Cartão Verde’’-
ESTRANGEIRISMOSA vereadora Nely Almeida acabou provocando polêmica diante da sua proposta de combater estrangeirismos. Inútil: burguês adora dizer que mora numa ‘‘tower’’, ainda mais quando pagou pedágio na pobreza. Tanto que vimos na terra dos curitibocas mudarem o nome de Bigorrilho para Champagnat e da Vila Capanema para Jardim Botânico. Num debate na CNT um ouvinte foi radical: ‘‘Os riquinhos moram num bairro quase ruralizado como o Mossunguê e daí passam a chamá-lo de Ecoville, como se isso mudasse a realidade dos varzeanos.’’ Aliás, Ecoville é uma grossura monumental. Lembra Greenville como burla.
FOLCLORELançada em São Paulo a Tafaluf: Tafarel cria o frango, Maluf vende.
CROMOA Débora real, sem-terra e sem roupa na ‘‘Playboy’’, é quase a Luana virtual da novela. Ambas humanizam a luta pela terra, dão glamour à reforma agrária.
AFORÍSTICO Se Hamlet demorasse como Lerner, o ‘‘ser ou não ser’’ não acabaria.

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