Luiz Geraldo Mazza
Inativo na segunda classe
Desde que o governo paranaense decidiu transformar o fundo de pensão estadual numa organização social autônoma estabeleceu-se a insegurança entre os inativos que temiam o retorno da situação precedente a José Richa, o primeiro dos governadores a estabelecer a paridade de vencimentos entre o pessoal da ativa e os aposentados. Há questões até agora não resolvidas sobre o assunto, quer sobre a constitucionalidade do ParanaPrevidência que deveria ter sido alvo de lei complementar e não ordinária, quer sobre a legalidade da cobrança das contribuições dos aposentados, o que não ocorre com o pessoal da União, embora se reconheça que há muitos anos a prática é aqui adotada.
O episódio recente de a ParanaPrevidência ter sido atingida, equivocadamente, pela ''malha fina'' da Receita, decorrente de um enquadramento indevido como associação, levou o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, a dirigir-se ao ''leão'' para desobstruir o bloqueio às restituições de aposentados, o que já está ocorrendo. Trata-se de uma ''consulta'', praticamente explicitada, pois na verdade aquela instituição deve recolher os descontos ao tesouro estadual. Não houve, portanto, descumprimento de qualquer obrigação, conforme Salomão, versão contestada pelo sindicato dos fiscais e é assunto nebuloso e submetido a sigilos próprios do sistema tributário.
O fato provocou o curto-circuito esperado e enriquecido por um outro evento: uma Resolução de número 0-53, da Secretaria da Fazenda, de 26 de outubro deste ano, fixou para os agentes fiscais, a pretexto de incremento na arrecadação, o aumento das cotas a que têm direito (isso teria gerado mais cerca de R$ 1 mil por servidor) e que não foram dadas aos inativos, imposição do princípio de isonomia. Assim, pois, esse dois acontecimentos, que até podem ser explicados pela burocracia, ajudaram a restabelecer na cuca desconfiada dos aposentados estaduais o receio de serem passados para trás num momento em que mais o governo se orgulha de atingir o ajuste fiscal.
TERRORISMO Bilhete do anarco-coxa branca Elísio Marques: ''Amanhã, 18h, haverá concentração nos fundos do Cemitério Protestante que descerá pela Ubaldino do Amaral até a confluência com a Engenheiros Rebouças, tomando essa até o Estádio Durival de Brito, onde após roda de samba e três de cachaça, coxas-brancas e boca-negras irmanados na escola de samba ''Unidos de São Caetano'' seguirão, ainda pela dita Engenheiros Rebouças, até a Arena da Baixada no ato assim denominado ''Passeata do Acinte e do Deboche'' para saudar os vice-campeões brasileiros com gritos de ''Uh, Caldeirão!!!'' e outros impronunciáveis e impublicáveis. Após muita pajelança, o supra referido Exército Brancaleone seguirá, em comitiva, até o Bobódromo do Batel, para, inebriados e embriagados, os voluntários da Nação anti-rubro-negra permanecerem tomando banho de lua até a alta madrugada. Quem tiver fígado para resistir, participará do banho de repuxo na Praça Osório, às 5 da manhã de segunda-feira, véspera de Natal, quando as bancas estarão abrindo e os jornais circulando com a manchete em letras garrafais ''O sonho acabou''.
Depois disso acrescentou ''Quando essa for publicada, no todo ou em parte, estarei apanhando de rolo de macarrão da esposa Sílvia e da sogra Lenira, atleticanas doentes e que já se arvoram campeãs por antecipação!''
Embora coxa-branca, eu não gostaria de ver dispersada essa alegria que tomou conta do Paraná e se tenho quatro netos coritibanos e um paranista ficaria triste como os dois atleticanos, Leonardo e Fernanda, se o pior acontecesse.
BIZARRICE FHC nem parece ter andado pela diplomacia (chanceler de Itamar) ao falar que o que se dá na Argentina jamais ocorreria no Brasil. Às vésperas da mudança do câmbio no Brasil ele foi à televisão afirmar que a paridade com o dólar não seria alterada e depois teve que engolir o vaticínio. Estivemos à beira de um risco parecido com o da Argentina se Gustavo Franco permanece.
Repitamos a respeito o que Mário Henrique Simonsen dizia: ''inflação aleija, mas o câmbio mata!''
AXIOMA Lerner ainda cultua, lá no fundo da alma, o sonho presidencial. Deu para percebê-lo na entrevista à CBN-Curitiba quando se referiu aos estudos setoriais que fez da situação brasileira na educação, saúde, habitação, transporte e saneamento e admitindo que os recursos disponíveis na União são mais do que suficientes para encará-los.
GLOSA Curitiba, que já é famosa pelo caixa 2, vai ser célebre também com o transporte 2, o tal do metrô de superfície, que de forma alguma desafogará o sistema dos seus conflitos atuais e que só se viabilizará com a construção dos contornos rodoviários da Região Metropolitana.
EPIGRAMA No segundo turno da campanha de Curitiba sacaram um slogan ''Pensando bem, fico é com o Cassio''. Para o Rafael Greca poderia ser parodiado: ''Pesando bem, ninguém supera o Greca''. Nem o Lerner, nem o Pessutti.
FOLCLORE O governador Canet Júnior vai assistir a inauguração de um hospital de um sindicato no oeste. Mostra-se impaciente com o que vê, seu pescoço inflado indica que algo o está irritando. Recusa-se a falar e quando entra no prédio bate no peito e diz ''vocês sabem que eu sou rico, mas em minha casa não há corredor desse tamanho e muito menos cerâmica desse valor na parede!''
CROMO Papai Noel é bufo, quem o torna poético é o olhar da criança.
AFORÍSTICO Se essa compulsão pelas compras no Natal se transformasse em erotismo Sodoma e Gomorra seriam brincadeira para nós.
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