Luiz Geraldo Mazza
O susto dos aposentados
Desde que o governo paranaense aderiu à modernidade e às facilidades das chamadas organizações sociais autônomas houve resistência. De um lado o Tribunal de Contas não admitindo que elas (ParanaCidade, Eco Paraná, etc.) ficassem fora do controle como alguns gestores pretendiam. De outro, uma certa nostalgia do Estado clássico, provedor, pesava e especialmente em cima de um organismo que se criara, como capaz de resolver o nó financeiro - a tal de ParanaPrevidência, cujo teórico formulador foi o esforçado secretário Renato Follador. Várias ações estão até hoje na Justiça questionando a mais delicada das privatizações, a da previdência.
Pois agora o sistema, em que tanto confiava o secretário de Planejamento, Miguel Salomão, e que acumula funções nessa organização semiprivada e a um só tempo semipública, falhou. Ao apurarem porque não recebiam as suas devoluções do Imposto de Renda inativos do Paraná descobriram que a organização não havia repassado à Delegacia da Receita Federal os tributos descontados o que impedia de terem o seu direito reconhecido. Enquanto os servidores da ativa, graças às providências de praxe, recebiam normalmente suas devoluções em função dos repasses normais, os inativos corriam o risco de virar, conforme o temor de todos que combatiam a inovação, cidadãos de segunda classe.
Conforme informação obtida pelo presidente do Sindicato dos Fiscais, Hamada, houve a celebração de uma ''carta de acordo'' entre a ParanaPrevidência e a Receita Federal para que esta adiantasse o numerário aos que tinham direito às devoluções e cujos compromissos seriam honrados na sequência. Percebe-se por aí que a viabilidade da instituição previdenciária (sua capitalização em grande parte é em títulos públicos como no caso dos royalties adiantados da Binacional de Itaipu) é dependente da injeção de recursos que o governo pretendia fazer com a privatização da Copel. É que 70% do resultado seria injetado na previdência.
Assim, de uma só tacada, o governo paranaense apareceria, no Brasil, como um exemplo de ajustamento às complexidades da Lei de Responsabilidade Fiscal e como o pioneiro em solucionar o nó previdenciário. Isso, em consequência, permitiria uma sobra do equivalente a R$ 100 milhões mensais para investimento e com o que o Estado passaria a um nirvana. Da mesma maneira que os fados não ajudaram o governo no caso da Copel esse incidente de percurso, de profundo significado psicossocial, afeta um dos grandes projetos de Lerner que precisa atingir seus objetivos para que não se repita o ocorrido no governo Requião, quando o dinheiro recolhido para a Previdência acabou desviado legalmente, porque autorizado para a Assembléia Legislativa, para outras finalidades que não a de garantir um sistema auto-sustentado no setor.
BIZARRICE
Quando se investigava no Porto de Paranaguá de onde viria o mogno ali transportado ficou claro que a espécie amazonense não poderia ser do Litoral. Aí veio a velha implicação de Paranaguá com Antonina na boca de um portuário ao afirmar que não poderia ser da cidade vizinha porque lá abunda a pita, uma árvore da região. Tanto que a Ponta da Pita, pertinho da Ponta do Félix, onde está o terminal de congelados, tem esse nome por causa da árvore.
AXIOMA Quando o funcionalismo estadual, neste fim de semana, mais precisamente no dia 20, receber o 13º terceiro não vai esquecer certamente que a oposição torceu o tempo para que isso não acontecesse como já vinha adiantando, mês a mês, que os salários atrasariam.
GLOSA Rubinho Ferreira anda divulgando em Guaratuba uma anedota: um governador teria morrido e, na hora da cremação, quando a autoridade religiosa perguntou se alguém queria dizer alguma coisa, um jornalista, bronqueado com o poder, pediu que houvesse uma salva de palmas ao ''churrasqueiro''.
EPIGRAMA A urna eletrônica do senador Requião ontem ganhou tanto tempo na CBN em programa nacional que rendeu mais do que a urna marajoara do Adhemar de Barros.
SPRAY O Litoral é vulnerável por sua insalubridade, baixas condições de saneamento, a pandemias como a de cólera e que felizmente em Paranaguá pôde ser controlada.- O caso recente de Antonina é outra evidência: o protozoário cyclospora é o agente, de origem fecal, causador da crise que derrubou com desinteria aguda 808 pessoas.- Causa provável ligada também às baixas normas ambientais e possível contaminação da rede de água encanada (de autarquia municipal) por infiltração dos agentes patogênicos oriundos de fossas negras, poços perdidos, dos esgotos sanitários.- A recuperação dos pacientes tem sido em casa e em ambulatórios por reidratação via oral e em casos agudos por via parenteral.- Em 1983 no governo Richa antes das enchentes que agravariam as condições sanitárias houve um problema de contaminação em Piraquara mais ou menos com essas características com a Sanepar e a Secretaria de Saúde debatendo, a primeira dizendo que não era a água, a segunda provando que era.- Ontem, madrugada, na reconstituição do acidente com o sobrinho do senador Requião um aparato que mostra a clara politização do processo com PMs, policiais civis, Instituto de Criminalística e até o comando da PM. Se é verdade que o estilo do senador nas coisas vai nessa direção nada justifica que se dê esse direcionamento e, ainda por cima, no dia em que uma das vítimas faria 18 anos. - A 3 Vara da Fazenda Pública determinou que o governo refaça, do início, todo processo da alienação da Prisão Provisória de Curitiba, conhecido como Presídio do Ahú.-
FOLCLORE Campo Mourão pagou o 13º no dia 11 e a Prefeitura de Curitiba o fez bem mais tarde com mais estardalhaço. Nem sempre quem se comunica se livra da sombra oleosa de um caixa 2.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.





