Luiz Geraldo Mazza
Um alfaiate, urgente
Já se cogitou de um alfaiate no Brasil para uma Constituição. A primeira, de caráter republicano, de 1891, diziam ter decalcado tanto instituições ianques que se aconselhava a convocação de um alfaiate: é que fizeram a matriz de leis tão inadequada para o jeca brasileiro que não havia outro jeito de consertar o quadro se não fosse cortar a fatiota para adequá-la ao caipira ou esperar que ele cresça para nela caber. Lerner também carece de um para tarefa menor: a de pôr fim ao absurdo da elefantíase secretarial de quase trinta pastas.
O governador tem pela frente duas tarefas constrangedoras para o seu estilo de acomodador: reduzir drasticamente o número de secretarias (seis seriam mais do que suficientes) e impor a obrigação dos que vão disputar pleitos que pulem fora o quanto antes. A primeira esbarra no cupinchismo: como fazer isso sem tirar a ''boquinha'' mais dos amigos do que de correligionários? Diz-se até, e com sobras de razão, que esse secretariado é mais afetivo do que efetivo.
Quando a Sagmacs (Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas Aplicadas aos Complexos Sociais), que seguia a filosofia do padre Lebret, elaborou o primeiro plano, com rigor técnico-científico, do Paraná em 1963 dividiu as funções mais relevantes do Estado em duas direções, uma de Mobilização Social, envolvendo saúde, educação, segurança, e outra de Mobilização Econômica a abranger os setores de infra-estrutura econômica (estradas, energia), os dois bancos (Banestado e Badep), Secretaria da Fazenda, etc. Esse divisor é o mais apropriado para definir funções. Se Lerner procurasse seguir esse diagrama poderia de forma bem mais tranquila chegar a bons resultados.
Como Lerner é, visivelmente, um refém de forças políticas e econômicas, há de se entender a dificuldade que tem para adotar medidas rápidas para até mesmo um simulacro de reforma como o que se está propondo. Por exemplo: se tirar o Alceni e o Greca, o primeiro perde duas vezes, já que o irmão do secretário da Casa Civil, Ivânio Guerra, tem que deixar a cadeira na Câmara Federal por causa do reingresso do atual secretário de Comunicação Social. Situações meio parecidas com essa se repetem e isso breca a iniciativa do governador. Saída dos secretários é claramente uma exigência de deputados estaduais e federais pela injustiça do sistema em permitir que façam proselitismo. Se disserem, porém, para o governador e seu ''staff'' que há necessidade de um alfaite não poucos acharão que a referência é maldosa e dirigida à ala dos mais robustos.
BIZARRICE
Há um projeto no Brasil para que em cada cena de sexo explícito de teatro, cinema ou tevê apareça o uso da camisinha. Dá para imaginar num filme que tente recompor o Kama Sutra, com a mais variada amostra de posições sexuais, admissíveis ou imagináveis, esse tipo de tolice bem comportada.
AXIOMA A chatice do ''politicamente correto'', decalcada das puritanas inócuas dos Esteites, começa a tomar conta de tudo. Dentro em pouco, além da advertência em anúncios de cigarro, teremos alertamento sobre sexo seguro, alimentação que não force a barra do colesterol. Haverá a adequação das cenas de teatro, cinema e tevê com esses alertamentos. Suicídio, nem pensar. Como o jogo será abominado dentro em pouco ''O Jogador'' de Dostoiewski terá que ser alterado assim também como peças e filmes que tratem de alcoólatras ou até de simples bebedores sociais. Argh!
GLOSA Como é reduzido o grupo de empresários que faz negócios com o governo. Não apenas se verifica a frequência de etnias como de grupos em qualquer jogada e os beneficiários bem como o governo, agem como se tudo fosse natural.
Como se uma espécie de Direito Divino, acima do Código de Contabilidade Pública, os protegesse como seres especiais. Numa situação dessas é ridículo exigir licitação ou, trocadilhando, ação lícita.
EPIGRAMA De uma coisa todos estão certos: nunca um governo paranaense teve tanta gente com perfil apropriado de Papai Noel.
SPRAY Pode resultar inútil a tentativa dos deputados de oposição de pedirem na Justiça a anulação do ataque aos depósitos judiciais. Embora o Judiciário não tenha sido consultado, aquele Poder está alerta para as dificuldades do ajuste fiscal e fechamento das contas.- Outra questão que dificilmente emplacará é o ato judicial para interromper a construção das penitenciárias de Foz do Iguaçu e a de Curitiba (Casa de Custódia).- O empresário Guilhobel Camargo, que moveu a ação popular, enviou carta anteontem ao governador lembrando que o pedido de reconsideração não foi aceito e mantido o despacho, lembrando que se apuradas as irregularidades os atuais gestores responderão por crime de responsabilidade.- Também no caso dos depósitos judiciais quando for decidido algo contra a indevida apropriação já será tarde e com perda de objeto.- O Conselho da Justiça Federal se manifestou contra a criação dos Tribunais Regionais de Minas e Paraná a pedido do presidente do TRF gaúcho.- Dia 17, das 13h30 em diante, pelo menos 24 feitos serão apreciados na última sessão do Órgão Especial, entre eles pendências ligadas a concursos do Judiciário e decisões do Conselho da Magistratura.-
FOLCLORE Já se sabe no Brasil quem matou Salomão Ayala. Difícil mesmo vai ser saber quem é o pai do bebê da Gloria Trevi, fecundada na Polícia Federal. A não ser que o Ratinho acerte o DNA numa de suas audições da SBT.
CROMO Por que essa dificuldade de conjugar o verbo amar na primeira pessoa?
AFORÍSTICO Se a sede do governo continuar, ele vence a sede, o Palácio.
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