Luiz Geraldo Mazza
Roseana, a dona do pedaço
Para desespero do PT e, em escala menor, do PSDB, a pesquisa CNT-Sensus dá Roseana Sarney empatada com Lula (26,7 a 26,9) e numa simulação de segundo turno a musa maranhense ultrapassando o ex-metalúrgico por 42,7 a 38,4. A essa altura, a arrogância dos que lideravam todas as sondagens foi para o beleléu, revelando uma inconsistência surpreendente diante de uma simples jogada de ''marketing'' do PFL e que emplacou do mesmo jeito e forma como a de Collor.
O PFL da terra, que andava meio amargurado com a novela do caixa 2, ganhou alma nova e por uma razão simples: justamente no Sul houve uma queda livre do candidato petista e a ascensão em asa-delta da governadora maranhense. Nesse pedaço do Brasil, sempre apontado como politizado, Roseana saltou de 17,6 para 27,4 e Lula caiu de uma posição confortável, de 28,7, para 20,9. O PT está aprendendo que não basta não ter medo de ser feliz é preciso não subestimar adversários, ainda mais quando há a suspeita de que haja a visão, o que já ficou demonstrado, pelo menos três vezes, de que Lula é o candidato que a burguesia prefere justamente por vê-lo como o mais fácil de derrotar.
Esse jogo de raciocínio é precipitado. Para o PSDB um ônus tão terrível em termos de queda se dá com José Serra: pior do que sair das primeiras posições ou perder densidade é não sair do lugar, ainda que beneficiado pela presença na tevê e nos meios de comunicação em geral com maior frequência do que a Roseana. Não há, pelo menos a curto prazo, como encontrar um genérico para o PSDB até porque o PFL com a arrancada da sua postulante tem mais espaço para qualquer tipo de barganha e pode até botar banca.
Pesquisas são flagrantes de momento, mas como produzem a euforia podem levar à depressão. O PFL paranaense não está em condições de festejar, pois o seu melhor quadro, o prefeito Cassio Taniguchi, está grudado no papel de pegar mosca do caixa 2 e isso não pode ser subestimado.
De outro lado o oportunismo do PSDB, tanto dos que lá estavam como dos que acabam de embarcar, foi punido. Além disso desconfia-se desse jantar de FHC com José Carlos Martinez como um primeiro passo diplomático para devolver o PTB à base aliada e afastá-lo da oposição com Ciro Gomes que também ficou atrás de Itamar Franco por um décimo na pesquisa Sensus (9,7 a 9,6). Isso aí seria terrível para Rubens Bueno que teria que apelar às habilidades de um Enéas para fazer proselitismo num horário apertado de rádio e tevê.
Também a sondagem não autoriza euforia de Alvaro Dias porque o Senado saiu em último lugar na pesquisa sobre instituições, embora tenha derrubado ACM e Jader Barbalho e deflagrado a CPI do Futebol. E de raspão pega Requião.
BIZARRICE
Na pesquisa CNT-Sensus das instituições apareceram em primeiro, como confiabilidade, as Forças Armadas com 24%. É que elas são discretas e agem no cumprimento de missão constitucional. Lembram o melhor tipo de árbitro de futebol: aquele que exerce o seu papel sem aparecer demais.
AXIOMA Os piores colocados na sondagem CNT-Sensus foram a polícia e, depois dela, a Câmara e o Senado. Apesar de as duas casas terem até a sua tevê deu para perceber que o astral é o pior possível, mesmo com promessas de agenda ética, tal qual se deu com Aécio Neves no comando da Câmara Baixa.
GLOSA A imprensa e o Judiciário aparecem em segundo e terceiro no ranking da credibilidade com 15% e 10%. Acho que nos dois casos ambos devem, e muito, às ações, mesmo quando extrapoladas, do Ministério Público.
EPIGRAMA A base aliada de Lerner finge estar aborrecida, mas na hora agá, como fez ontem no esgotamento da pauta, dá tudo o que o governo quer, certamente, e isso é óbvio, em função do que recebe ou espera receber.
SPRAY A cada surto de triunfalismo na praça, segue-se a água gelada dos dados do IBGE: volta e meia governo e iniciativa privada, em simetria, dizem que já estamos fungando na nuca dos gaúchos e quando consultamos as tabulações ainda persistimos abaixo do Rio Grande do Sul, isso em PIB, vale dizer renda interna. Números de 1999, ontem divulgados, o confirmam.- Há muito tempo - e tenho insistido em afirmá-lo - o Paraná é o quinto do ''ranking'' e perde, até de forma apreciável, do Rio Grande do Sul, embora o nosso recente deslanche industrial. O RS aparece em 99 com 7,75% da renda nacional, PR com 6,34%.- Para que números e indicadores virem adjetivos só com intervenção da retórica oficial que não é nova, pois vem desde Ney Braga, só que naquele tempo fundada em fatores mais consistentes. Não dá para comparar a expressão que tínhamos nacionalmente com a de agora.- Ontem a Assembléia Legislativa limpou a pauta e no dia 17 vai ser a vez do Judiciário com a última sessão do Órgão Especial. Só não passou o Plano de Saúde, estranho como um ET. O resto, incluindo alta do ICMS, está garantido. Incluindo o direito de botar a mão nos depósitos judiciais (R$ 80 milhões) para acertar o caixa.-
FOLCLORE Forças Armadas foram apontadas como a instituição mais confiável do País e os políticos os lanterninhas da classificação, representados pela Câmara e o Senado. Prova de equilíbrio institucional porque ninguém mais viu milico se metendo em política. Nada disso justifica o que o Zéquinha da Boca Maldita deseja: ''uma aurora verde'', sugerindo a volta deles ao poder. Nem eles querem saber desse pepino, este sim verde e azedo.
CROMO O menino se vê bem menor no reflexo das bolas da árvore natalina.
Seu deslumbramento é quase o da Estrela-Guia.
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