Luiz Geraldo Mazza
A emulação inteligente
Quando Paulo Pimentel, em 1966, lançou a utopia de que aquela geração faria do Paraná o ''segundo Es tado do País'' inscrevia no ho rizonte remoto a meta onírica dos seus marqueteiros que eram bem menos empostados do que os atuais como o Wilson Andrade, pintor de sucessor e layout-man, e o Iran de Holanda, criador da melhor qualidade. Não se trata de meta física e sim de metafísica, já que dimensionar utopias e atribuir-lhes cronograma não é tão fácil quanto possa aparentar. Até hoje não somos o segundo nem aqui no Brasil meridional, pois perdemos dos gaúchos em dados econômicos e sociais e dos catarinenses em escolaridade, alfabetização e expectativa de vida.
O fato é que a conclamação de Pimentel tinha um objetivo claro: o de buscar formas de auto-superação. E vinha com uma proposta semiótica avançada em relação aos signos anteriores como o dos homens recortados como se estivessem de mãos dadas de Ney Braga com o apelo ''Somos todos uma só força''. O avanço era a concepção do grafismo da bola verde que mais tarde Paulo usaria, o que hoje é proibido, como símbolo de sua individualidade política que vai bem além das vinculadas a partidos.
Recentes publicações do IBGE, especialmente a relativa à expectativa de vida, na qual houve um ganho nacional apreciável, restabeleceram o debate em torno de indicadores, pois ficamos em quarto lugar no Brasil, mas perdemos de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, este o primeiro colocado. Um gaúcho vive a média de 71,6 anos, o catarinense 71,3, os sul-mato-grossenses e mineiros com 70,4 e os paranaenses com 70,3. Volta e meia o setor oficial, ainda dominante na mídia local, apesar da redução de dependência, ''pinça'' fatores isolados como um ganho nas vendas industriais e na exportação ou ainda o fato de estarmos à frente dos gaúchos em competitividade quando isso tem significado relativo, já que não os ultrapassamos nem em renda interna e muito menos em exportação.
O governo costuma ocultar, por método, que a chegada das montadoras aumentou nossa dependência externa, uma vez que não alcançamos um ponto razoável em termos de nacionalização de peças, acessórios e componentes. Dá os avanços na exportação, mas não revela, com o destaque devido e orientador, o quanto estamos importando até mesmo como imposição da modernidade.
A cada momento que a pesquisa IBGE aponta o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, criação da ONU e que cruza dados sociais e econômicos, ficamos ali pelo quinto lugar na tabulação nacional. Em alguns indicadores (e está aí o de Expectativa de Vida para comprová-lo) o Mato Grosso do Sul, hoje politicamente incluído na Região Sul, aparece à nossa frente.
Não basta a emulação econômica (PIB per capita até porque cada esvaziamento demográfico aumenta a apropriação dessa renda), pois o cruzamento com dados sociais permite uma certa visão distributiva de renda e de qualidade de vida.
BIZARRICE
Renda per capita é uma abstração socializante segundo a qual a soma do que ganho mais a do Ermírio de Moraes, a da zeladora e do catador de lixo do meu condomínio, dividida por quatro, dá essa média refinada.
AXIOMA Um exibicionista com roupas fanáticas da Al Qaeda levantava os panos e se mostrava publicamente às mulheres de burca. Era o bin bin Laden.
GLOSA A mestra universitária, encarregada de estudos do meio ambiente, disse que justamente à essa época do ano aumenta a poluição atmosférica na praça. Se for elevada demais atrapalha o Papai Noel, cujo trenó de renas não poderia vencer o nevoeiro das fábricas e das emanações de automóveis.
EPIGRAMA Réus do caso AMA/Comurb de Londrina, acusados na série de processos sobre desvios de dinheiro público na gestão do cassado Belinati, aparecem agora entre os financiadores do caixa 2 da campanha do PFL de Curitiba.
Se forem fundo na investigação do rumo do dinheiro obtido pelo município com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel descobrirão muito mais.
SPRAY Membro do Conselho Curador da Universidade Federal do Paraná adiantou que na sessão de hoje do Conselho Universitário a lista tríplice deverá conter obviamente outros nomes que não apenas os da dupla vencedora.- A notícia enervou a chapa vencedora até porque se for criado um problema os estudantes (dos 17 mil apenas 2 mil votaram por causa da insurgência da greve) podem botar a colher nessa sopa, alegando que o resultado não é representativo porque o corpo discente praticamente esteve alijado da competição.- Aqui no Paraná em eleições corporativas como a do Ministério Público nem sempre quem faz mais votos é o escolhido: quando Requião era governador o Luis Carlos Delázeri ficou atrás do Chemin Guimarães, mas acabou escolhido. Isso já se deu também em universidades federais.- Claro que se há eleição a regra do jogo mandaria que os vencedores fossem ratificados. Isso, no entanto, é imposição moral e política, não jurídica.-
FOLCLORE Só há um jeito de regularizar as vilas rurais para que não tenham que pagar tributos imobiliários (IPTU entre eles): considerá-las kitinets rurais ou apelidá-las, ao gosto de Lerner, de ''rurbanas'' junto ao Incra.
CROMO Olho o seu perfil e o imagino incrustado num camafeu delicado.
AFORÍSTICO A novela deste governo tem três finais até aqui tristes.
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