Luiz Geraldo Mazza
Sob fogo cruzado
A Justiça age também, como todas as instituições, por reflexo. À medida que a cidadania se aperfeiçoa nas exigências, o Judiciário a acompanha. A renúncia de Collor, por exemplo, revelou essa sintonia. O júri do índio pataxó assassinado teve um andamento ao inverso do que entendia o juiz singular que examinou o caso, entendendo-o como decorrente de lesão grave seguida de morte, não se podendo negar que pesou aí a opinião pública, o mesmo ocorrendo com Guilherme de Pádua que já tinha do Conselho Penitenciário de Minas Gerais um salvo conduto quando o titular da Vara de Execuções Criminais se recusou a aceitar a liberação do condenado.
Vivemos um momento novo e quem não compreendê-lo cairá em outra galáxia. Os parlamentares fazem a revisão, imposta pelos novos tempos, daquele código de imunidade abrangente, o que deixa dez dos nossos deputados estaduais com a espada de Dâmocles sobre as respectivas cabeças. O governo - e o do Paraná é exemplar nesse aspecto - parece ignorar a nova realidade, embora na semana passada a suspensão de uma licitação no Detran para serviços de informática da ordem de R$ 110 milhões devesse servir de alertamento.
Há anos que se acusa essa operação de protegida em favor de grupos ligados ao esquema oficial. Servidores da Celepar, empresa estatal, afirmam que ela poderia desenvolver programa equivalente a baixíssimo custo. O sindicato das empresas da área, há muito, denunciam o privilégio intolerável. O Tribunal de Contas não entra nessas ''divididas'' para zagueiros do estilo Felipão como fez, por exemplo, em caso também de informática, e que beneficia o mesmo grupo, relativo à Urbs, há cerca de cinco anos, denunciado pelo conselheiro Nestor Baptista e devidamente submetido a um ''embargo de gaveta''.
Se já não bastassem os escândalos do Banestado (Leasing e Corretora) e as suspeições sobre os privilegiados com o ''desmanche'' da Copel em quase 30 contratos temos esse problema do caixa 2 da campanha de Taniguchi, agora com documentos mais detalhados e que comprovam aquilo que todos sabem existir em qualquer iniciativa do gênero, mesmo nos micropartidos. Tanto que a defesa do prefeito, feita pelo advogado Campêlo, isola o burgomestre como se a autoria da possível manipulação coubesse tão somente ao PFL e ao comitê gestor. Se é verdade que o caixa 2 pode ser obra de outros e não do prefeito é de concluir-se, porém, que tanto ele como o vice Beto Richa são beneficiários da manobra, mesmo que com ela não concordassem e isso, obviamente, contamina o pleito. Tal qual houve no caso ''Ferreirinha'' em que Requião foi o beneficiário e no qual jamais se comprovou a sua participação direta.
Estamos num novo momento da vida brasileira. Quem não perceber ''dança''.
BIZARRICE O governador prometeu rever os pisos nas universidades. Deve ser reforma para trocar carpete ou azulejo.
AXIOMA Uma empresa de aviação comercial, a Gol, faz o trajeto Curitiba-São Paulo a preço de ônibus. Só que ao retornar ao aeroporto de Afonso Pena e o usuário depender de táxi vai pagar muito mais só para chegar em Curitiba. Tudo porque há um cartel de taxistas privilegiadíssimo.
GLOSA Querem ver como o nosso governo é frouxo? Um estudo da Unicamp sobre a guerra fiscal e os benefícios concedidos às montadoras mostra que cada emprego gerado custou de R$ 350 a R$ 400 mil, uma babilônia, e que o poder estadual investiu tanto ou até mais do que as transnacionais. Que ele não responda à denúncia sobre o caixa 2 até se entende, porque o assunto é altamente constrangedor, mas sobre essa das montadoras teria a obrigação de fazê-lo.
EPIGRAMA Curitiba está com a mais elevada cesta básica (R$ 129,87) dentre as capitais. Mais uma razão para não chamá-la de ''Capital Social'' como também é mais do que equivocado apontá-la como Capital Ecológica e modelo urbano.
SPRAY O Atlético Paranaense é o Paraná na reta final do nacional. Espera-se que os coxas não façam como os atleticanos que se disfarçavam de torcedores dos times que vinham jogar aqui contra o Coritiba em 1985. Plágio não pega bem e, ainda por cima, há o risco de torcer contra favorecer o campeão.- Movimento ecológico fecha o cerco sobre autoridades e ontem um deles pedia a prisão de caráter administrativo do secretário do Meio Ambiente, Andregueto por causa de omissões no Parque Estadual de Vila Velha.- Desde abril de 1998 que a cesta básica de Curitiba não aparecia como a mais cara dentre as capitais. É um registro relevante.- Santa Catarina não cobra pedágio da Estrada Dona Francisca (de São Bento a Joinville) e faz obras extraordinárias. Nas curvas removeu o asfalto e inseriu o concreto armado. Nas áreas densamente ocupadas fez calçadas também de concreto armado e com um sistema sofisticado de drenagem.- Cometeram, porém, crime ambiental com o impacto havido em função da mexida no Rio Cubatão a pretexto de aumentar-lhe a vazão e evitar enchentes. A mudança topográfica fez com que as antigas margens ficassem a mais de 10 metros de altura do nível das águas com a destruição do plâncton.-
FOLCLORE Aníbal Khury, o mais agudo político do Paraná, ao ter a experiência de presidir o Atlético Paranaense, dizia que o futebol é mais barra-pesada do que a política. Anteontem, no Couto Pereira, um torcedor coxa se dirigiu a Gionédis perguntando se ele pretendia fazer no Coritiba o que fez no governo, lembrando as diferenças entre os cofres da Fazenda e do time de futebol.
CROMO A criança afegã procura Alá no céu e só enxerga aviões bombardeiros.
AFORÍSTICO Estará morto ou em catalepsia esse governo paranaense?





