Luiz Geraldo Mazza
O Paraná entrou de sola na onda privatizante, aquela baseada na redução da presença do Estado em atividades econômicas e financeiras, conforme o modelo da moda, variável como Issey Miyake, Calvin Klein ou Karl Lagerfeld, que deram sua arrancada quando Gorbachov iniciou o processo de implosão soviético. Dentro em pouco aparece uma variável nessa visão como se a moda recuasse a um ponto conservador, uma espécie de retorno de Courreges.
Lerner é o nosso Gorbachov às voltas com a sua perestroika e toca as coisas da mesma forma como o fazia o seu antecessor à base do fato consumado, sem muita discussão e contando com as vaquinhas de presépio da Assembléia. Para criar o Fundo de Previdência (o de Requião causa até hoje calafrios na massa de servidores pela farsa de seu surgimento e de sua extinção, tudo com a mesma cara de pau, como necessidade extrema), transfere-se o total das ações do Banestado pertencentes ao governo a essa nova entidade.
Enfim, um temário bem apimentado e que levará os políticos - e o PT nunca se afasta dessa até por seu comprometimento com o sindicalismo estatal, isso sem falar nos sem-discurso do PMDB e equivalentes - a cortejar o corporativismo, não faltando certamente as referências a Getúlio Vargas e ao nacionalismo (vivas a Le Pen e Hitler, subjacentes a tudo isso). Com essa e mais a abertura aos investimentos, a partir das montadoras, o realejo nacionaleiro será tocado com unção religiosa e o público, em maioria, o repudiará.
Como a sociedade está entorpecida pela ordem confessional - a proclamada fatalidade da globalização -, haverá extrema dificuldade de a oposição valer-se da questão para transformá-la em bandeira de luta porque não dispõe de noção de limites desse processo e de ritmo e entrará na fria apenas de combatê-lo de forma tenaz e radical. A privatização, já declarada do Banestado, pode conferir um fulgor à atual campanha salarial dos bancários e ter influência nos acontecimentos políticos. Não custa lembrar que mais do que o aumento, a causa dos bancários é a da preservação do emprego.
É muito fermento para a campanha eleitoral, isso sem falar que o Estado já faliu. Esse o grito de Requião. A privatização e o enxugamento para Lerner constituem a terapia. Da moda. Tal qual o Consenso de Washington e o FMI, mas com poucas alternativas fora desse direcionamento.
COPEL A privatização da Copel é um compromisso anterior do tempo em que o governo obteve uma antecipação de receita de US$ 160 milhões junto ao BNDES. Há, no entanto, diante do desempenho da estatal uma possibilidade de tanto ela como a CEMIG operarem como diferenciais no modelo energético. Seria uma emulação produtiva entre um mercado privado e estatais eficientes.
ATLETIBA A paranóia está mantendo um Atletiba, obviamente irracional, entre os empresários Mário Celso Petraglia e Joel Malucelli. Tudo que acontece para um é atribuido ao outro, mesmo não havendo convicção. Aí os áulicos entram no meio para envenenar e o repique é inevitável. Isso pega bem para briga de doméstica em feira-livre, e para torcedor de futebol, não para pessoas ligadas a assuntos mais sérios do que a magia da bola.
EMBLEMA A cada dia a realidade desmistifica a propaganda oficial: maior parte dos marginais na capa da Tribuna de ontem era de jovens, delinquentes pés-de-chinelo, produtos diretos da avalanche migratória; à tarde mais um menor, de 15 anos, morria por falta de segurança no trabalho em marmoaria de Colombo. A transformação que a gente precisa fazer, a propaganda oficial impede, ópio puro, como aparecia na imprecação de Marx.
BIZARRICE Cândido Gomes Chagas, dono da Paraná em Páginas não suporta mais receber fax com releases de agências de notícias que pululam mais do que o Aedes Egipty em água parada. Entabola o diálogo, perguntando à agência quando é que ela lhe vai mandar o anúncio e se não vai, que faça o favor de não gastar mais papelada. Argumento do Candinho: notícia interessada é matéria paga. O estilo azedo do jornalista ajuda a raciocinar.
SPRAY Aureliano Chaves e Eliezer Batista, dois gênios nacionais, e mais Maurício Schulman, são do Conselho Estratégico da Inepar.- Anteontem, no mesmo avião, vieram de Brasília, sem falar é claro, o senador Requião e o secretário Miguel Salomão, do Planejamento.- Você decide: se estivesse na condição de um comprador de Encol, na qual investiu todas as suas economias, o que faria?- Promotora da Auditoria de Guerra, Maria Espéria, entendeu que o IPM do caso Teixeirinha é agora da competência da Justiça comum e por isso encaminhou o processo para a Comarca de Guaraniaçu. Pelo jeito, o caso não fica impune. CPT havia pedido a reabertura e o PT, por oportunismo, se calou.-
FOLCLORE A pior propaganda da informática ocorre quando o Você Decide tem o seu sistema emperrado e não pode revelar a contagem. Já há aquele mito de que um político paranaense é tão criativo que mesmo com pleito informatizado é capaz de brincar de videogame com os resultados a seu bel prazer.
CROMONas fotos antigas, um espelho duro no confronto da realidade de agora com um passado idealizado: nostalgia não mata, apenas oprime.
AFORÍSTICO Querem ter uma noção das convicções de políticos paranaenses: basta olhar para o que está ocorrendo neste momento com a muda generalizada.





