Luiz Geraldo Mazza
Sublime incompetência
Há registros crescentes de melhora na condição social e econômica do Paraná. Não é tanto quanto o governo, espaventado, sugere. Todavia é expressivo. Há quem diga nos meios oficiais que, mesmo sem vender a Copel, o Tesouro paga o 13º ao funcionalismo lá pelo dia 20 de dezembro, Papai Noel tão robusto quanto os componentes dessa gestão.
Pois, a despeito de todos os indicadores em ascensão, o governo cai de forma assustadora. De repente só o alcança uma prospecção para petróleo, gás ou águas subterrâneas. Lerner sempre foi tido, aliás com exagero, como um gênio do marketing, que exerceu com razoável talento na prefeitura e com medíocre desempenho no Estado.
Nunca se gastou tanto em propaganda na história do Paraná. Nos primeiros quatro anos foram quase meio bilhão, a despeito de todos os alertamentos como os feitos pelo então conselheiro do Tribunal de Contas, João Féder. A coisa beira a escândalo para uma unidade federativa amarrada numa crise fiscal também sem precedentes.
Enquanto Mário Covas, governador de São Paulo, gastava menos de R$ 20 milhões por ano, os pródigos da terra ''queimavam'' cinco vezes mais. Isso é proporcionalmente inverso à expressão dos dois Estados. Covas teve peito para botar, no ''enxugamento'' da máquina, 150 mil servidores e assim mesmo, com a máxima coragem, partiu para a reeleição e a venceu.
As verbas diminuíram, mas a máquina de propaganda se mantém inalterada: as agências de publicidade, a maior delas a do genro, continuam desfrutando de regalias de toda a ordem e no Palácio Iguaçu há uma equipe jornalística, paga a peso de ouro, quatro vezes acima da média despendida com o pessoal do quadro permanente. Um detalhe é relevante: essa parafernália não foi montada por Rafael Greca que a assumiu como herança do sistema institucionalizado.
Um governo que tem mais de 14 mil obras no Paraná, que foi elogiado pelas autoridades federais por ter cumprido metas fiscais ano passado, que passou à frente (segundo um apressado relato) em produtividade do Rio Grande do Sul (este é o segundo exportador do Brasil, o nosso Estado o quarto) está na fossa em matéria de credibilidade apesar da oposição chinfrim, onde o Exército Brancaleone de Requião dá surras memoráveis com uma equipe que não chega a 1% dos áulicos e elogiadores de plantão.
Perde a guerra justamente na batalha da informação e da propaganda, o que, no mínimo, obrigaria o governador a fazer um exercício de autocrítica junto com essa equipe que desperdiça como fuligem de fundição antiga.
BIZARRICE
Richa, o pai, continua achando que o filho não pode sair candidato e sugere dois que seriam fragorosamente derrotados: Scalco e Hermas Brandão. Com esse tipo de marechal-de-campo não há soldado que suporte.
Richa alega que Beto é jovem, imaturo, inexperiente. Os indicados não têm 10% do potencial do filho que desdenha.
AXIOMA Antonina - anuncia Lerner - vai ser campeã em cargas congeladas por seu porto privatizado na Ponta do Félix. O Paraná contribui (622 milhões de frangos) com 19% do total brasileiro e 28% das exportações do setor.
Tudo bem: e quem cuida da malha urbana de Antonina arrasada pela pressão dos rodados dos caminhões e a inexistência de estrada adequada que a livre desse tormento, açulado por ecochatos de várias procedências?
GLOSA Saiu o aumento do pedágio, quase 10%. Cai um pouquinho na BR-277 rumo ao litoral que salta de R$ 5,20 (uma senhora espoliação) para R$ 5,50. Fora o viaduto da Rui Barbosa (São José dos Pinhais) e das passarelas, o resto é maquiagem, excetuando a praça de pedágio, na qual todas capricham.
Baixar o reajuste na direção da praia e do Porto foi um ato de inteligência, compensado pela alta escala do movimento de verão.
EPIGRAMA Mexicanos, diz uma pesquisa, fazem amor 93 vezes por ano, enquanto os americanos 124 (depois de 11 de setembro a frequência deve ter aumentado). A autora da pesquisa é da fabricante do preservativo Durex. No México já está, na base da gozação, sendo chamado de Molex.
SPRAY A Associação dos Magistrados vai processar o âncora da TV Record, Bóris Casoy, porque criticou a decisão do TRE que aprovou as contas da campanha de Cassio Taniguchi, mesmo depois de publicado o ''dossiê'' do caixa 2.- Como a matéria está sub judice e a aprovação tem caráter provisório houve, conforme os juízes, precipitação inaceitável do apresentador.- Bóris foi quem levou FHC à derrota na eleição para prefeito de São Paulo quando o induziu a afirmar duas coisas mais temerárias do que o seu juízo no caso paranaense: a de que experimentara maconha e que não acreditava em Deus. Soltinho no primeiro caso e arrogante no segundo, ainda mais para um antropólogo que conhece o País.- A Câmara Municipal de Medianeira quer cassar o prefeito da cidade, Luis Ioshin Suzuki, sob a alegação de que não repassa verbas. Tempo perdido, pois esse tipo de parada (que pode ser negociado em outro nível, o político) é derrota certa no Judiciário.- Élio Narézi, o maior criminalista do Paraná, faleceu ontem. Um conselheiro vigilante da OAB, símbolo raro de independência.-
FOLCLORE O que é mais espetacular: o deputado Paulo Paim rasgando a Carta Magna por causa da flexibilização da CLT (que não é conquista do povo porque foi concessão) ou o Bradock se tornando amado como delegado de polícia? Na política só existe isso: jogo de cena, burla, farsa, nada mais.
CROMO Como amá-la ou desejá-la se me lembra uma santa?
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