Luiz Geraldo Mazza
Curitiba imita Londrina?
Há diferenças básicas, já referidas nesta coluna, entre as ações do Ministério Público no interior e na Capital. Em primeiro lugar é mais fácil organizar em cidades como Londrina e Maringá a comunidade para uma atuação comum, mesmo quando o óbice da maioria na câmara municipal pareça, à primeira vista, intransponível a denúncias contra prefeitos. Em Londrina essa sinergia implicou até, como todos sabem, numa intervenção do jornalismo da Globo que foi denunciado pelo Movimento pela Ética como bloqueador de informações.
Na Capital há malhas obstrutivas muito fortes tanto no caso da iniciativa do Ministério Público, aqui mais sujeita ao intercâmbio intrapoderes, o que acaba se traduzindo em mediações diplomáticas intermináveis, quanto no da montagem de uma representação como a de Londrina e Maringá sem a suspeita primária da manipulação político-partidária. É verdade que a cúpula do Ministério Público se obrigou, em função de desafios e até do terrorismo (o incêndio da Promotoria de Investigação Criminal deflagrado por interessados em evitar desdobramentos das apurações da CPI do Crime Organizado e na qual se presumia o envolvimento de setores relevantes da área político-administrativa) a mostrar-se cada vez mais atenta e exigente. Aquela denúncia de privilégio e em favor de ex-magistrado no fura-fila dos precatórios na prefeitura da Capital é uma dessas evidências.
A megalópole (e a Grande Curitiba é quase isso) fraciona essa alavancagem cívica obtida com mais vantagens no interior. Essa fragmentação, aliada ao peso da polarização política de um grande centro de decisões, facilita que os formalismos operem em favor da manutenção do ''status quo''. A decisão mais dura da Justiça Eleitoral até hoje foi a cassação do mandato de Requião por causa do estelionato ''Ferreirinha''. A inobservância, por parte da Justiça, na montagem do processo de que seria indispensável a citação, desde o início, do vice-governador Mário Pereira como litisconsorte necessário viciou de tal forma o andamento da matéria que o caso, a rigor, até hoje não foi julgado e por perda de objeto, a despeito de sua relevância pedagógica, Roberto Requião praticamente concluiu o seu mandato.
A existência, já comprovada, do caixa 2 na campanha da reeleição de Cassio Taniguchi é de um impacto inimaginável para os nossos padrões. Ocorre que todos sabem que isso é prática muito comum, embora até hoje não se tivesse um caso, mínimo que fosse, de comprovação, motivo pelo qual o até agora apurado surpreende e espanta e recomenda cautela processual, verificação acurada das provas materiais e testemunhais obtidas, amplitude máxima no que concerne à defesa e devassa, o mais profunda possível, no que for levantado.
BIZARRICE
Salomão Soifer, no governo Lerner, superou os feitos do explorador espanhol, o adelantado Cabeza de Vaca: seu itinerário vai do terminal de contêineres em Paranaguá à exploração do Parque Nacional do Iguaçu. Mais um pouco e liga o Atlântico ao Pacífico.
AXIOMA Um jornal de Foz está, em tom de pilhéria, anunciando um encontro de ''terroristas'' na cidade em 7 de dezembro e não percebe que não é hora desse tipo de folguedo até porque o senso de humor dos outros não é igual ao nosso.
Se esperam ajudar o turismo com isso vão ''quebrar a cara''. Os Jogos Mundiais da Safadeza eram para promover a Costa Oeste e deram no que deu.
E acabou virando um caso concreto de terror para as verbas públicas.
GLOSA Deputados, donos de cartório, podem votar livremente e sem amarras as matérias que digam respeito ao assunto?
EPIGRAMA Clonagem em política é um exercício antigo: o Rubens Bueno, por exemplo, lembra muito o Alvaro Dias; já ficar rouco e de língua presa como o Lula, acompanhando-lhe a sintaxe, não é fácil, mas desafio para artista.
FILIGRANA Cassio pode ser isolado como o Belinati em Londrina, que não teve, em qualquer momento, um gesto mínimo de solidariedade do PFL e, de certa forma, também do governador. Quando Belinati entrou no PFL a cúpula do partido veio até Londrina, inclusive o vice-presidente Marco Maciel. Porém, na hora do ''pega'', ficou sozinho até ser cassado com a maior facilidade.
O que favorece Taniguchi é o fato de, pelo menos até agora, não haver sinal de recurso público empregado na campanha.
SPRAY Um dado para demonstrar a nossa falta de prestígio político dá para perceber nas emendas das bancadas do Sul ao orçamento: Santa Catarina (com R$ 1 bilhão 272 milhões) ganha do Rio Grande do Sul (1 bi 63 milhões) e o Paraná fechando a raia com R$ 852 milhões e meio.- Antes o governador se articulava com a bancada para definir emendas e oferecia subsídios com um trabalho conjunto com a área de planejamento.- Um detalhe negro da história do Shopping do Barigui é o fato de ter sido removida a exigência do viaduto e que será substituída pela construção de três trincheiras.- As marchas, também as contramarchas, desse processo deveriam ser objeto de análise de fundo. Que tal um pega na Câmara Municipal entre os interesses em choque? Seria educativo.-
FOLCLORE Agora vamos ter na Assembléia Legislativa o festival de generosidade dos deputados prometendo dar mais descontos no IPVA. Em política não há lugar para ações que não tenham mão dupla. Mas sempre vence aquela mão maior do que o bolso do contribuinte, a do Estado.
CROMO Na estátua trincada o passarinho arqueológico fez seu ninho.
AFORÍSTICO O PFL tem vocação de poder, mas quando é cassado não estrila. Sabe por que ganha e também por que, eventualmente, perde.
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