Luiz Geraldo Mazza
A selvageria populista
Não é a primeira vez e certamente não será a última que manifestantes primários, posto que se apresentem como professores, tentam levar a demagogia dos cercos e da coação à casa do governador Jaime Lerner. Já houve isso três vezes: a cada momento há uma linha de argumentação que vai do amor pela Copel até o prosaísmo dos reajustes salariais e das greves sem fim. A polícia tem que afastá-los como fez com a máxima rapidez ontem à tarde. E era preciso muito mais: processar exemplarmente esse tipo de manifestante até para melhorar nossos níveis de civilidade.
Há um lugar adequado para protestos: o Centro Cívico, apesar dos alambrados,
ou a Boca Maldita. Professores que invadem a Assembléia Legislativa para coagir deputados, que apelam para o baixo nível de fazer ''strip-tease'' e com isso chamar a atenção da mídia, perdem os derradeiros sinais de sociabilidade e de respeito mínimo às instituições.
O pior de tudo é que essas pessoas tentam representar a cidadania indignada e se acreditam capacitadas a renovar costumes e aperfeiçoar a democracia. Não há melhor exemplo do que o de Londrina, aquele sim uma luta contra a correnteza e que atingia um prefeito (Antonio Belinati) com maioria folgada na Câmara e capaz, portanto, de resistir o tempo todo. Pois a pressão popular foi de tal ordem que mexeu até com a Rede Globo e, na sequência, em função da atuação do Ministério Público, o prefeito foi cassado. Não houve necessidade de cenas circenses para atingir esse objetivo, o que aliás seria incompatível com o padrão das lideranças que deflagraram o processo.
Desmoralizados na tentativa de desqualificar as eleições nas escolas porque ela filtrava excessos ao gosto do assembleísmo e da demagogia, esse tipo de militância quando sai à rua só consegue um objetivo: favorecer justamente a imagem daquele que pretendem hostilizar. E neste momento fazê-lo é um delito porque o isolamento de Lerner é um fato jamais ocorrido na história do Paraná ao menos em extensão e profundidade como o verificado agora.
BIZARRICE Se o governo, para fugir às manifestações como a de Londrina, usar a burca terá que encomendá-la, pelo figurino da equipe, nas Lojas Varca.
AXIOMA O governo contestou a nota da jornalista Miriam Gasparim de Oliveira sobre o andamento da venda da Copel. Pois bem entre a palavra da jornalista e a de qualquer dos membros deste governo, mesmo da minoria boa, estou com ela.
Na verdade quem dá a impressão de pressa, de afobamento, de compulsão pela venda da Copel é mais o governador do que o Ingo Hubert, este com maior senso de oportunidade, visão de cronograma, embora ligadíssimo no leilão.
GLOSA Se o Paladino entregar os documentos de outras campanhas do grupo Lerner será uma festa para a oposição, desde que não haja muitos dos seus integrantes nas relações de beneficiários, especialmente dissidentes de última hora.
Matéria vencida, juridicamente inócua, tem, como a denúncia do caixa 2, mero efeito político, conquanto altamente corrosivo.
EPIGRAMA O negócio da vida noturna deve ser muito bom em Curitiba. Não são poucos os vereadores ligados no filão. Aliás aqui vale tudo: fizemos denúncia e campanha contra um motel ao lado da sinagoga quando Lerner era prefeito e nem ele conseguiu cortar a concessão do alvará.
SPRAY O shopping gigante do Barigui agride o ambiente, conforme as indicações já feitas, mas também todo o entorno urbano. Há quem acredite, por exemplo, que nem saia o viaduto anunciado que obrigaria o Poder Público a fazer desapropriações.- Um dossiê mostrando as irregularidades das concessões até agora feitas circula nos meios de comunicação, isso sem falar nas medidas judiciais desencadeadas.- De um modo geral Curitiba, em que pese o discurso de ''modelo'', é hoje claramente regida por imposições comerciais que beneficiam os grandes empreendimentos, como se vê na agressão ao miolo de quadra para a montagem de edifício-garagem para o Shopping Mueller.- Pneus reciclados vistos por ecologistas como maléficos, embora também pelos fabricantes instalados no Brasil, inclusive dois no Paraná, entraram na pauta do ministro José Serra, da Saúde. Richa, o pai, era um defensor desse interesse do Chico Simeão. Agora se tenta sugerir que reciclar ajuda a acabar com a dengue por causa da água acumulada em pneus abandonados. Há dengue e dengues. Esse é um caso, também, de dengues. No sentido de dengoso, faceirice.- O mercado desanuvia, segundo consultores financeiros e, de repente, pode haver condições para o leilão da Copel. Se o fizer, Lerner se mostrará ao Brasil como o primeiro governante a acertar a questão da previdência ao capitalizá-la.- Demagogia lerneriana a de conceder vagas preferenciais a três índios em cada universidade estadual. É cópia ruim do modelo ianque de ''discriminação positiva''. Que tal devolver a terra que os picaretas e grileiros roubaram dos índios? Outra coisa: o Marcos Terena, um PhD, não teve esse tipo de colher de chá e foi até lá.-
FOLCLORE Paradoxo é um governo que fala tanto em enxugamento ser integrado pelo maior número de gordos de toda a história paranaense. Precisávamos de mais cordura (coração, sentimento) do que o que assistimos.
CROMO Um coração latejante na bandeja em meio à natureza morta.
AFORÍSTICO Só falta agora os manifestantes cercarem o ''Chapéu Pensador''.
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