Luiz Geraldo Mazza
O Palácio como fonte
Agindo com o passionalismo, típico de campanha eleitoral, a Comunicação Social apressou-se em dar uma interpretação conveniente ao fato de Nedson Micheleti, prefeito de Londrina, não ter comparecido à solenidade inaugural da Casa de Custódia pelo fato de haver sido impedido pela barragem da Polícia Militar que não aceitou, em momento algum, as suas ponderações. Essa versão fajuta, chapa-branca, contestada tanto por esta ''Folha'' como pela CBN, que acompanhavam tudo no local, ficou sendo majoritária, como se estivéssemos ainda naquela fase em que a mídia paranaense, rigidamente tutelada e ainda subvencionada, era um eco apenas do Palácio Iguaçu.
Até mesmo alguns jornais, hoje colocados em posição de discreta independência em relação ao governo, reproduziram a maliciosa e manipulada notícia, segundo a qual o prefeito londrinense teria aderido às manifestações da massa e usado o ''nariz'' de palhaço dos professores grevistas. É tão clara a origem oficial que agregava à informação a circunstância de há menos de um mês o burgomestre londrinense ter sido recebido na sede do governo e ter obtido recursos para o Centro de Atendimento ao Adolescente Infrator.
Como se vê o espírito de comitê eleitoral, elétrico, açodado, reagiu na base do bate-pronto, eficiência que não demonstra quando se vê o governo falido e mal cercado sem dar respostas às denúncias graves da corrupção sistêmica, visível no assalto ao Banestado e agora no desmanche da Copel. O que houve com o prefeito deriva da megaproteção, aceitável como legítima, que o acabou bloqueando na barreira militar, semelhante à dos anos de chumbo, e o impedia de aproximar-se do local da solenidade. Louvado nas primeiras informações que recebeu, o governador Jaime Lerner atacou o prefeito por uma emissora de rádio (a Paiquerê AM) sugerindo que ficara no meio da massa de manifestantes, quando, na verdade, apenas trocara idéias com as pessoas que lá estavam, já que fora impedido pelas tropas.
Será que quando alguém, bem-intencionado, dá uma dica ao governador sobre irregularidades nos Jogos da Safadeza, na Leasing e na Corretora, nos casos da Copel e tantos outros ele reage com a mesma presteza havida em Londrina ou finge não ouvir para não se incomodar? Rápido e rasteiro, mas essencialmente demagogo e oportunista, foi quando cortou linearmente as tarifas do pedágio em 50% para não ter afetada a sua reeleição. Como dizia o Rei-Sol ''depois de mim, o dilúvio!'' O dilúvio de pedágio vem aí com toda força nos 10% de alta.
BIZARRICE
O que é mais caro: vestir uma burca ou andar de helicóptero? Com a burca sugere que o Estado não tem dinheiro e contém demandas de todas as categorias funcionais há quase oito anos sob arrocho.
Membros do governo de burca são menos interessantes do que a Jade e a Latifa da novela ''O clone'', mas parecidos com as árabes robustas. Quantos camelos valeriam?
AXIOMA Tasso Jereissati tem razão em reclamar da preferência concedida ao ministro da Saúde, José Serra, no interior do governo, embora leve um banho da Roseana Sarney. Depois da quebra de patentes para medicamentos contra AIDS, a instituição dos genéricos nas farmácias e a guerra para baixar preços e agora também a afixação nas carteiras de cigarros de imagens de fumantes com câncer e enfisema pulmonar. Mais uma vez o governo acredita mais no marketing do que em ações concretas como a que os norte-americanos, inclusive governos, movem contra o tabagismo, exigindo indenizações milionárias das fábricas.
GLOSA Numa coisa o governador está certo: o custo por aluno na Universidade em Londrina de R$ 1.000 dá bem a noção de que o problema não se resolve com greve e agito emocional. Esse é um traço da universidade pública, federal ou estadual, brasileira. Discutir o setor público sem noção de economia ou de processos atuariais, como no caso da previdência, é tempo perdido.
EPIGRAMA O Fórum Popular contra a venda da Copel pode mudar para Fórum Permanente em Defesa da Copel, Geratriz de Energia Paranaense. Fica pior. Outra coisa: não foi o Fórum quem deteve a venda e, sim, o mercado pelo fato singelo de não haver concorrentes ao preço mínimo estabelecido.
Mais permanente do que o Fórum é a disposição febril de Lerner em vender a estatal de qualquer jeito ainda este ano.
IRONIA Comenta-se, à boca pequena, que o PT, que já apareceu nos desvios de verbas de Londrina, acabe presente no caixa 2 da campanha do Taniguchi.
''ENGORDAMENTO'' Em Camboriú há um projeto para investir US$ 250 milhões, após o engordamento da faixa de areia, que envolve três bancos suíços na maior operação financeira de turismo na América Latina. Nós aqui não conseguimos desarquivar a proposta de Matinhos e muito menos o canal que vem do Pontal.
JUSTIÇA Magistrados não concordam com a elevação da Comarca de Curitiba à Entrância Especial. Por isso fazem assembléia-gigante em Londrina dia 1º.
FOLCLORE O governo Lerner está igual ao trem do Parque Barigui: quebrado, parado e fechado para o povo. E não está na linha porque levaram os trilhos.
CROMO O azul prateado das asas da borboleta papaná, com seu vôo ébrio e lento, refulge no cenário bucólico.
AFORÍSTIO ''Se Lerner for eleito presidente do coxa vende o estádio.'' Para Rubinho Ferreira a Copel para o Paraná é como o Couto Pereira para os coxas.
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