Uma emulação pedagógica

Uma das emulações regionais curiosas sempre foi a que se estabeleceu entre Paraná e Santa Catarina. Hoje, em termos de equilíbrio e harmonia, aquela que se obtém do cruzamento de dados econômicos com os sociais, o denominado Índice de Desenvolvimento Humano, sai, distanciada, à nossa frente. Só num campo levamos a melhor: no futebol, pois tempos três times na divisão especial e eles nenhum, embora venham se esforçando para essa superação com o Figueirense e o Avaí, em Floripa, e o Joinville.
Dávamos um ''baile'' no ensino de terceiro grau e hoje levamos uma ''tunda'', pois Santa Catarina emplaca nada menos de quatro cursos como excepcionais no ''ranking'' nacional: Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial na graduação e pós-graduação. E alavancando todo esse processo há uma classe política menos autofágica do que a nossa. Não temos, por exemplo, um nome em escala nacional como Bornhausen. Nosso governador não tem a habilidade de um Esperidião Amin, não se mostra um entendiado com a política e a exerce em plenitude e sua mulher, Ângela, lidera a listagem, há muito tempo, de prefeitos de capital.
Em função do último feriadão houve um debate sobre a preferência crescente dos paranaenses pelas rodovias federais que demandam àquele Estado que tem uma explicação óbvia - a de que o nosso Litoral é estreito, ainda que bem menos do que a cabeça do empresariado e dos políticos da área paranaense. O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso, na CBN Curitiba, fez uma observação clara: nas placas que anunciavam o processo de ''engordamento'' de Piçarras e Penha lá estavam os nomes do governador Paulo Affonso e dos senadores Esperidião Amin e Kleinnubing, oposicionistas, e Bornhausen, mediador.
O exemplo é marcante e inimaginável no Paraná porque aqui nem uma causa clara e abrangente os uniria. O governador é um omisso, não busca atuar junto à bancada na elaboração do orçamento, daí a posição ridícula que desfrutamos e os senadores têm má vontade militante com o governo, o que decorre da incapacidade de Lerner que preferiu as facilidades de um ''acordo branco'' com Alvaro Dias do que os riscos a que se submeteria para quebrar a unanimidade daquela bancada, claramente indisposta com qualquer fato que nos beneficie e empenhada tão somente em críticas ferozes e nem sempre aceitáveis.
Recentemente o presidente da Fiep enalteceu o fato de o Paraná estar superando o Rio Grande do Sul, em termos industriais, o que é algo que deve ser olhado com reservas. Tanto em renda per capita como em feitos sociais, os gaúchos levam a melhor e a possibilidade de os suplantarmos em renda interna ainda é um objetivo a alcançar. Politicamente não damos para a saída. Até pela oposição que lá existe, capaz de enredar o governador Olívio Dutra nas malhas de uma CPI, é um desses exemplos de vigor. Outro o da hegemonia do PT em Porto Alegre e grandes cidades. No Sul perdemos dos dois, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em pontos relevantes.


BIZARRICE


Lerner também prometeu o ''engordamento'' da praia de Matinhos e até agora o que se viu é a sua equipe engordar como nunca, à exceção do Gerson Guelman que providenciou a redução do estômago.


AXIOMA Curioso: a oposição, em Londrina, queria ver Lerner na cadeia e quando ele dela se aproximou ela protestou. Que gente contraditória!


GLOSA O padre Roque adverte: o PT não é mais aquele. A referência oblíqua é ao fato do seu ex-adverso da eleição interna, André Vargas, ter recebido grana do Carlos Júnior para uma dobradinha (não era a comida) com o filho do Belinati.


EPIGRAMA Depois das eleições fraudadas, o que falta acontecer para ensinar ao PT que um partido verdadeiro de esquerda não pode se agarrar no moralismo?


SPRAY O isolamento do governador Jaime Lerner ontem na inauguração da Casa de Custódia (cadeião) em Londrina foi medida acertada. Juntam-se aos motivos de hostilidade ao governo (arrocho salarial ao funcionalismo, greve do terceiro grau, a bronca da Copel) os fatores psicossociais da onda contra o poder.- O prefeito Nedson Micheleti, que ia participar da solenidade, foi barrado pela PM (o isolamento dos manifestantes era de cinco quilômetros) e acabou cercado por professores e sindicalistas, não entrando, até porque não ficava bem para uma autoridade, nesse cortejamento servil à multidão.- O PT anda pragmático demais e se isso favorece a aproximação do empresariado e conservadores afasta os militantes menos concessivos.- A notícia de que o presidente André Vargas recebeu grana do Carlos Júnior, figura constelar do esquema que derrubou o ex-prefeito Antonio Belinati, negada pelo dirigente petista e reafirmada pelo promotor público, joga o PT na mesma arapuca que usa contra adversários.- Aliás, há muito por esclarecer em Londrina quanto aos desmandos havidos e até na reconstituição do trajeto do dinheiro obtido com a venda das ações do Sercomtel à Copel. Urge apurar a vinculação dos casos de Londrina e Maringá.-


FOLCLORE Homem público e rico no Brasil quando diz que vai entrar em cadeia é porque já está fazendo maquiagem para entrar no ar na televisão. Presidentes, governadores e prefeitos já enjoaram de entrar em cadeia.


CROMO E essa sabiá, de canto mais belo do que o porte, estridente e forte, metálico, é o trinca-ferro ou a correntina?


AFORÍSTICO O caixa 2 de todas as campanhas é uma reedição piorada da bolsa de Pandora: pode liberar os benefícios e todos os males.


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