Pimentel, a novidade

Para uma sociedade pouco resistente à gerontocracia, é inevitável que os espaços aos jovens pareçam estreitos demais. É que muitos, até a maioria, que se intitulam de jovens, são velhos precoces nos hábitos e visão do mundo. O neto de Tancredo Neves, mais por essa fatalidade genealógica, o Aécio, é uma das hipóteses colocadas pelo próprio Fernando Henrique como uma das variáveis do situacionismo à Presidência. Ninguém até hoje foi tão jovem na Presidência quanto Fernando Collor e está aí algo de que é impossível recordar sem algum constrangimento. Aécio ganhou algumas credenciais com essa malandragem da moda, velha dissimulação dos políticos, a tal agenda ética e por sua atuação como presidente da Câmara Federal.
Pois ontem tive uma agradável surpresa com a entrevista do ex-governador Paulo Pimentel à CBN-Curitiba: suas intervenções, seu raciocínio, provam que o dado cronológico é uma falseta. Motivado por essa convocação (e aí o mérito é de Requião que, espera-se, melhore e muito com o convívio) do PMDB, parecia que tinha saído de uma sauna, transbordando energia, entusiasmo, algo que essa abominada classe política, nem dissimulando ou fazendo lipoaspiração e outras toaletes, consegue expressar.
É a novidade disponível no momento, menos pesada que Alvaro Dias e Requião e valorizada na competição com o fato de a base aliada do governo estar com o seu principal postulante chamuscado pelas denúncias do caixa 2 e não tendo, além de Beto Richa e numa hipótese mais remota Hermas Brandão, substitutos em condições de competição. Impensável cogitar de uma figura, apesar dos seus talentos, minada pelos desgastes como o terreno sáfaro do Afeganistão, como Rafael Greca de Macedo, leve de carregar no passado, uma pluma, hoje pesando muito, embora sua passagem desastrosa pelo Ministério esteja esmaecida.
Paulo, a novidade. Logo ele que foi em passado distante, anos 60, um dos mais jovens governadores que o Paraná já teve. Pois está melhor.

BIZARRICE


Aí o sujeito entendeu a história do caixa 2: se o cara é paladino só pode ser o Requião. Ninguém encarna mais o justiceiro que ele.


AXIOMA A mão invisível do mercado, decantada pelos neoliberais, será essa que surrupia o bolso dos trabalhadores ou a que altera o peso da balança?


GLOSA Álvaro Moreira dizia: ''a liberdade nos Estados Unidos é uma estátua''. E de agora em diante mais do que nunca.


EPIGRAMA Quem não foi beneficiado por um caixa 2 em campanha eleitoral que atire a primeira pedra. Paródia da tentativa de apedrejar Maria Madalena e da intervenção de Jesus que conteve os exaltados.


VINHETA Um satélite espião ouviu o que Jaime Lerner falava em Nova York: ''bilu, bilu, bilu'' enquanto pegava na bochecha do netinho mais novo.


SPRAY Ontem houve novidade nas manifestações e provocações de rua: o grupo que pretendia manifestar-se diante da prefeitura num ato de repúdio à corrupção eleitoral (o caso da caixa 2 vai render) foi surpreendido por outra milícia, que era favorável ao prefeito Cassio Taniguchi. Ponto para a democracia.- Os vigilantes e patrulheiros merecem ser vigiados e patrulhados e isso começa a se dar do lado da greve universitária estadual: estudantes inconformados com a parede prolongada vão à Justiça e o Ministério Público age na mesma direção.- Quando um só lado prevalece, seja em greves demoradas ou manifestações de rua, estamos bem mais perto do fascismo do que da democracia, essa é que é a verdade.- Entre os dez cabeças do Congresso Nacional da lista do DIAP, Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, não aparece - e isso não espanta, embora em situações anteriores o Luis Carlos Hauly e Rubens Bueno mais Osmar Dias obtivessem destaque - nenhum paranaense. Muito menos na lista ampliada. Isso explica em parte o nosso desprestígio e não é por falta de discurseira, notadamente dos três senadores oposicionistas.- O Diap não tem lá maior importância: boa parte dos constituintes de 88 que indicou como atuantes e nota dez como o Waldyr Pugliesi e Nelton Friedrich não se reelegeu. Seus critérios à época eram extremamente obreiros e basistas, o que não se dá agora.- O senador Alvaro Dias andou deitando falação sobre a guerra contra o terror e usou uma argumentação de ginasiano ao sugerir que as coisas que ora ocorrem mais parecem o empenho do poder industrial-militar dos States em desovar seus estoques de armamentos. Brizola, com sua visão conspiratória do mundo, deve ter adorado. Como parecia morto no ''Roda Viva''!- Um elogio à Telepar: a noite de literatura com escritores de Campo Mourão (Antonio José, Amani de Oliveira e Cida Freitas) vai na linha da descentralização adotada por Túlio Vargas, presidente da Academia Paranaense de Letras, ao disseminar academias pelo interior com ligação estreita com a universidade.-


FOLCLORE Um estudo desta ''Folha'' sobre a comparação entre a alta do pedágio e dos salários dos trabalhadores mostra a máxima iniquidade como regra: 43% a 21%. Isso se repete como todos os preços públicos e ''administrados'' (dá para imaginar se não fossem a que caos chegaríamos). Insisto no gestual: à cada passagem pela praça do pedágio ergamos os braços como quem é assaltado.


CROMO Teus olhos me anestesiam mesmo quando repouso. Minha esperança é que assim permaneça como se fosse o indicador da ressurreição.


AFORÍSTICO Financiadores de campanha eleitoral se obrigam a ter caixa 2. É que não há outra saída.


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