O alerta de Alvaro

Quando o senador Alvaro Dias percebeu a extensão do cerco ao seu grupo no PSDB cuidou de alertar o seu colega, Roberto Requião, no sentido de que corria risco idêntico no PMDB face ao predomínio da facção governista, pró FHC, na maior parte das regionais e nos conselhos partidários. Estava cercado de razão na sua reflexão por ter sentido na carne a inutilidade de opor num partido nacional supostas demandas provinciais que negariam a integridade gremial.
Não é de hoje que Requião desempenha esse papel, valendo-se do predomínio que tem sobre a base regional. Esse comando, no entanto, mais serve aos interesses personalíssimos do senador, tal qual se dava igualmente com Alvaro no PSDB (a diferença é fundamental no maior profissionalismo do hoje pedetista, que não esmorece, não revela cansaço e nem tédio no proselitismo partidário), do que ao partido que só esvaziou sob seu reinado, tanto que a representação na Capital é correspondente às suas taxas de rejeição com uma bancada que atrofia a cada eleição.
Mesmo com a sua habilitação para o barulho, a algaravia, a denúncia, o que vem fazendo desde que deixou o governo estadual em nada melhorou o desempenho, de certa forma superado até pelo PT, tanto na eleição prefeitural da Capital quanto na das principais cidades. Ao atingir com a denúncia do caixa 2 a viga mestra de todo o situacionismo, Cassio Taniguchi, o último dos moicanos, e preparar uma barragem de fogo para Alvaro Dias, especulando sobre sua passagem pelo PSDB, expõe o seu estilo predador, enquanto tenta, como se isso fosse viável, levar o partido a apoiar Lula e em contrapartida obter sua indicação.
O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, adiantou seu pensamento sobre a hipótese maluca, de interesse do PT, de ter o partido no Paraná a tiracolo de Lula. Ora se a maioria reage a um ''partidário'', como é o caso de Itamar Franco, dá para calcular o que se daria por aqui se o diretório regional se postasse nessa linha desagregadora. Repetir-se-ia o havido no PSDB e com a maior tranquilidade e sem possibilidade de o senador ter o palco que conseguiu quando da intervenção nacional do partido sob o comando de Quércia e também na sua cassação por motivo da farsa eleitoral do Ferreirinha.
A aliança pró-sucessão de FHC se deslocaria para o PMDB regional com a fúria de um tufão e não com a brisa amena do caso dos alvaristas no PSDB, um ''deixa pra lá'' dos mais pedagógicos e óbvios.


BIZARRICE


Falando sobre as seguidas viagens de Lerner (a próxima é para ver o neto mais novo em Nova York), o líder do PMDB, Nereu Moura, sugeriu que o governador estaria precisando de um psiquiatra. Só ele?


AXIOMA Pior viagem do governador é a feita na maionese como a venda da Copel em hora tão inadequada. E autorizada, por ampla maioria, pela Assembléia em 98 e alvo de reação tardia, em que há sinais claros de oportunismo político.


GLOSA Desconfio que não há o menor quixotismo na compra do Moinho Paranaense a pretexto de reciclar urbanisticamente o Rebouças. A jogada é menos oculta do que o Caixa 2 da campanha eleitoral?


EPIGRAMA O povo do Paraná vai ganhar um presente de Papai Noel: o reajuste do abominado pedágio, iniciativa repudiada pela maioria da população.


SPRAY Não vai ser tão fácil dar certo o oportunismo de Lula que deseja aliança com o PMDB (Requião na cabeça para o governo e Ângelo Vanhoni e Paulo Pimentel para o Senado).- E o deseja, como toda a cúpula nacional, de tal forma que deram um jeito na eleição meladíssima interna contra o verdadeiro ganhador, o padre Roque, hoje condenado ao ''silêncio obsequioso''.- Acontece que o PMDB nacional não vai entrar em aliança tão absurda e contra os interesses de sua maioria, que, como se viu na convenção, é pela manutenção dos seus vínculos com a dupla PSDB-PFL.- Há uma facção minoritária que se bate pela candidatura própria, a mais forte a de Itamar Franco (se o deputado federal Michel Temer não resolver neutralizá-lo) e ainda a do senador Pedro Simon.- No PT também não se aceitará sem luta esse compadrio, justamente quando se percebeu que a maioria das bases formais do partido é pela candidatura própria. E isso tanto é verdade que ontem o ex-deputado federal Edésio Franco Passos se apresentou à pré-qualificação para o Senado.- O mandonismo é a marca do PT como do PMDB local. Ocorre, porém, que o nacional se operá a um ''feudo'' de resistência.- Estive na Ilha de São Francisco (Enseada) no fim de semana. Uma área imensa da Praia Grande começa a ser alvo da ação dos corsários imobiliários em cima de uma bela sequência de restingas e dunas.- Encontrei na Avenida Atlântica gente de Apucarana tocando restaurantes. O mais sofisticado, o Calamares, de dona Izaura que morou por mais de 50 anos na Cidade Alta.- Alvaro Dias, em discurso ontem no Senado, falou sobre a vaia sofrida por Lerner diante de 30 mil pessoas em Foz do Iguaçu. Nem parecia aquele auxiliar do ''acordo branco'' da última campanha governamental. Entregou ainda a ''caixa-preta'' da Copel.-


FOLCLORE Impressionante a solidariedade de Lerner e Greca a Taniguchi. Afinal assim também se deu com os aliados de Londrina, o Belinati, e de Maringá, Gianotto. E ainda com o próprio Rafael nas dificuldades havidas quando ministro. Por sinal que quando o drama se deu com Alceni Guerra no ministério da Saúde o fenômeno persistiu. O paranaense é, antes de tudo, um solidário.


CROMO A vaia em Foz do Iguaçu espantou as borboletas e andorinhões e abafou o rumor das Cataratas.


AFORÍSTICO Há coisa mais nojenta do que a política no Paraná?


- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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