Luiz Geraldo Mazza
À moda de Jack
Há peru à brasileira, greve à moda da casa e agora temos a venda da Copel à Jack, o estripador: por partes. E pode emplacar sem formalidades novas, mas com muito ranger de dentes e o exercício, amplo, geral e irrestrito, do ''jus sperneandi'' da oposição e de gente que era do governo e que finge agora estar do outro lado, enquanto isso for conveniente.
Tanto no caso da Copel como no do ''dossiê'' sobre o Caixa 2 de Taniguchi se percebe que a oposição formal perto das dissidências oficiais é uma brincadeira. Um Giovani Gionédis e equivalentes incomodam, no plano concreto, muito mais. Vejam, por exemplo, as reações do deputado Marcos Isfer, ligado umbilicalmente ao sistema de poder, há tantos anos, e hoje numa postura muito próxima do Taleban em termos alegóricos como se lhe tivessem produzido um tipo de mágoa irremissível.
A traição é a marca de vários episódios como o dos vídeos do casamento da filha mais nova de Lerner. Algum participante do oba oba em Nova York ou querendo se mostrar como importante e ligado aos bacanas ou por ressentimento fez a fita chegar na mão do PMDB, voluntariamente ou por descuido, que a utilizou à exaustão em programas do partido no horário eleitoral. O estilo e a marca de Requião e do seu time ali estão, o que agora se repete com o discutido Caixa 2, como se viu ainda ontem na estrepitosa entrevista do senador e que nada trouxe de novo.
Até o presidente do Fórum em Defesa da Copel, o ex-deputado Nelton Friedrich, também fez parte da fauna lernerista, nos tempos em que o PDT regional tinha expressão nacional, e quando era um assessor importante do atual governador como uma espécie de seu preceptor político. O fato é que a cizânia, tão citada pelos militares nos anos de chumbo como um mal, é educativa e transformadora. Assim foi no choque entre os irmãos Pedro e Fernando Collor de Melo e o será nesses casos paranaenses se não houver ''armação'' e fraudes que contaminem e tirem a seriedade das denúncias e as desqualifiquem, o que não é impossível de acontecer, como ensina a nossa tradição.
BIZARRICE
Quando Goethe morreu balbuciou ''luz, luz''. Seria mais trágico se ocorresse nos dias de hoje na região nordeste do Brasil com o apagão.
AXIOMA Deputados aliados, no desespero, pretendiam pôr a mão no capital da Previdência esquecendo que se trata de recurso vertido em títulos públicos e, portanto, ''carimbado''.
Quando há sequestro uma das técnicas policiais é a de dar dinheiro para salvar reféns com notas devidamente numeradas para facilitar a descoberta dos autores, o que não é a mesma coisa. Esse carimbo é menos eficiente do que o outro, protegido institucionalmente.
GLOSA A maior parte dos políticos citados no Caixa 2 estava de viagem e de avião. Parece incrível que ainda se fale em crise na aviação comercial.
EPIGRAMA Não seria uma redundância a venda da Copel no estilo ''magarefe'' à base de ''por partes''? Como no caso do matadouro costuma-se dizer que do boi aproveita-se até o berro. E de fato se o governo vender a empresa, mesmo com o berro da maioria da população, isso entra no pacote.
SPRAY Há, segundo analistas de mercado, melhores condições agora para vender a Copel do que as anteriores: a viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso, tanto à Europa como aos Estados Unidos, removeu nuvens negras do horizonte em função do impacto dos vasos comunicantes com a Argentina e, além disso, a urgência se imporia pelo temor da nova Lei das SAs que daria mais força, a partir de janeiro, aos sócios minoritários e dificultaria leilões.- As variáveis desses analistas, embora considerando fatores políticos e psicossociais e de mercado (a queda súbita do dólar) é que alavancam as hipóteses imaginadas pelo governo Lerner e que dispensariam até mesmo novos rituais.- Se o ''dossiê'' do Caixa 2 da campanha municipal não tivesse sido deflagrado o governo estaria mais seguro nas suas ações. De outro lado o episódio com o sobrinho de Requião não retirou do senador a costumeira agressividade e contundência, como se viu ontem sugerindo que um deputado ganhou dinheiro para adquirir uma rádio.- O fator Lei das S.A., que criaria maiores embaraços pela participação obrigatório dos acionistas minoritários, pode acabar levando o governo a vender a Sanepar, mesmo com o cheiro, gosto e coloração da água e beneficiado ainda pela crise do abastecimento que se dará no verão com o déficit calculado de 15%.-
MARINGÁ Argeu Dias, presidente do Clube Amigos de Maringá, solicita à colônia para que todos enviem endereços para atualizar cadastros. Telefone 350-4088. O objetivo é o jantar anual na Capital com 300 pessoas. O mais concorrido é o dos platinenses (Santo Antonio da Platina) e Pato Branco. Maringá encosta.
FOLCLORE Uma das maiores violências verbais da história política de Maringá foi a de Haroldo Leon Peres contra seu adversário, o antoninense João Paulino, dizendo que ele era marcado por Deus por ter filho excepcional. A crueldade foi punida com outra vitória do ex-promotor litorâneo, duas vezes prefeito e ainda o deputado federal mais votado de todo o Paraná.
CROMO As derradeiras pétalas douradas do ipê amarelo cobrem o mendigo na rua: tem-se a impressão de que o colorido o aquece e conforta.
AFORÍSTICO Semana que vem Lerner volta ao natural: Nova York de novo.
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