Luiz Geraldo Mazza


Uns mais iguais que outros
O verdadeiro princípio da isonomia no Brasil é o que consagra o conceito de que sempre há mais (ou menos) iguais do que outros. Delegados de polícia, afora os que tiveram ganho de causa na justiça, continuam sem direito à derrubada do redutor salarial. Várias vezes o governo prometeu atendê-los, mas como sempre empurra tudo com a barriga.
Advogados tiveram reconhecida na justiça a isonomia com os procuradores, estes sem o redutor há algum tempo por haverem desistido do direito aos atrasados em acordo processual, e também não foram atendidos. Procuradores do Legislativo ganharam na justiça, mas não ‘‘levaram’’: Aníbal Khury, o ACM meridional, se recusa a cumprir decisão judicial, mesmo quando prolatada pela mais alta corte do país. Abre, no entanto, uma exceção: cortou o redutor dos proventos do deputado Antonio Anibelli e do ex-deputado Luis Alberto Martins de Oliveira, também da categoria. Enfim, a confirmação da regra de que uns são menos (ou mais) iguais aos outros.
Pois, ontem, os delegados tiveram mais uma sessão de papo inútil com outro especialista em empurrar as coisas com a barriga, o Stephanes Júnior. O pior é que os delegados têm na presidência da sua associação um portador de cargo de confiança no governo, Ricardo Noronha, o que lhe retira distanciamento para uma representação de luta. Não é novidade entre os delegados esse alinhamento, pois já no governo Requião a maioria preferiu eleger para o seu sindicato o titular da delegacia de Londrina, Clóvis Galvão, e sacrificar aquele que na defesa da categoria vinha denunciando o governador em ação popular por superfaturamento de helicópteros, Anníbal Bassan.
Esse raciocínio simplista e pragmático, tal qual o que move os deputados, neste momento, à procura de abrigo numa das legendas da aliança oficial, pode até ter seus fundamentos em nossas tradições de servidão e acomodação, mas jamais seria aplicável aos professores, posto que isso tivesse ocorrido no passado, quando dirigentes da APP e respectivas esposas obtiveram guarida em cargos de confiança. A imunidade sindical foi gerada exatamente para dar um mínimo de garantias ao dirigente e impedir que viesse a ser demitido ou sofresse qualquer restrição. Muitos deles tiveram até, e isso faz parte da tradição, a dispensa do trabalho para o exercício da representação.
Menos iguais são a maioria do funcionalismo que teve apenas 10% de ajuste ao longo destes três anos. Uma regra doutrinária, a de atender minorias, é via à brasileira. Fundamento inquestionável para a greve, mesmo que se saiba que o governo está sem ‘‘caixa’’ até porque é pródigo em muitas coisas.
PROTOCOLOS Da Bienal do Livro anunciam que houve ordem para a retirada de livros que pregavam o nazismo, dentre eles ‘‘Protocolos dos sábios do Sião’’. É mais fácil decifrar esses protocolos, que estão centrados em superficial análise do sionismo, feita com intentos racistas, do que conhecer outros protocolos como os das montadoras.
DESMONTEA reengenharia partidária no Paraná caminha para a hegemonia do grupo lernista, o que é da tradição. Prensa-se, inclusive, os tucanos que correm o risco de ficar com representação mínima, o que tem todos os ingredientes de uma revanche.
Na esquerda o oportunismo é de outro sentido: atrelar-se a Requião, daí o desespero diante da ordem de Arraes para que o PSB se aproxime de Lerner. A reunião de solidariedade de partidos sem votos como o PC do B (o Gomyde foi eleito por dona Marlene Pereira) a Vitório Sorotiuk pode até ser entendida, mas será tão ineficaz quanto decisões de aparelhos estudantís denunciando a América do Norte como delinquente de guerra, o que de fato foi, mas que nada altera no mundo fático.
BELINATISempre ambivalente, nunca unicovarde, Antonio Belinati fica no PDT, mas não quer permanecer no conselho de reestruturação partidária porque sabe que poderá ser apontado como ‘‘cavalo de Tróia’’ do lernismo. Como de resto ficou em posição estranha quando, depois de eleito por Lerner, fez aquela convocação de forças do interior para questionar o governo. Esse será o tema da campanha sucessória estadual como foi na municipal.
BIZARRICEDiscutia-se sobre o destino dos políticos ligados a Lerner: se iam para o PFL (ah, que horror aquele partido de direita!) ou para o PTB (ao menos teria, hipoteticamente, vínculos com o PDT) quando um dos mais proeminentes largou uma frase carregada de perplexidade. ‘‘Oh, que dúvida atroz!’’ Um trocadilhista de plantão não resistiu: ‘‘Pior se fosse dúvida atrás...’’
SPRAYAmanhã, 17 horas, auditório Castelo Branco, posse dos 18 promotores substitutos.- Adoc foi em cima dos serviços ‘‘disque’’ da Telepar. Pediu a ação da Promotoria de Defesa do Consumidor.- Coxa faz assembléia dia 25, na qual discute renovação contratual com o Churrascão, apresenta orçamento e projeto de obras de conclusão do Couto Pereira.- Lerner almoçou ontem com Aníbal e Rafael Iatauro. Essa dupla, no passado, elegeu Pimentel, via PTN.-
FOLCLOREPerto do zoológico ontem outra prova de como a realidade desmancha o marketing: mortandade violenta de lambaris no rio Miringuava. Dentro em pouco vem aí nova enchente e mais 300 casos de leptospirose.
CROMODo sépia ao vermelho, a lua cheia de ontem flutuava no céu e com isso fazia um merchandising da Coca-Cola. Isso também é globalização.
AFORÍSTICOUm direitista canhoteiro, punição do destino?

mockup