Luiz Geraldo Mazza
O mordomo e o tesoureiro
Nos filmes poli ciais um dos cli chês é apontar o mordomo como o autor do crime que se revela in desvendável. Em política e no campo dos co mitês eleitorais quem sabe das coisas é o tesoureiro. Justamente esse personagem dedicado, e há muitos nas campanhas lernerianas, no caso o Francisco Paladino (esse nome já é uma convocação à Justiça), confirmou a procedência dos documentos colhidos pela ''Folha de S.Paulo'', atestando-lhes a veracidade.
O tesoureiro é um ''bagrinho'', mesmo quando articulado no campo contábil e atuarial, já que o ''financeiro'' é outro da hierarquia vertical. Se a primeira parte do ''dossiê'' provocou impacto a segunda decepcionou e o material obtido é precário, não fortalecendo a denúncia, essa também afetada pela circunstância de que o senador Roberto Requião a antecipou com a costumeira e incontrolável loquacidade. Se o jornal paulista admitisse que recebeu os documentos das mãos do senador, o que até pode não ter ocorrido, a credibilidade cairia, menos por causa do interesse político e do estilo predatório do ex-governador, do que devido à origem.
Urge ressaltar ainda que o repórter Fernando Rodrigues, tido como ás dos textos investigativos, é o autor daquela série sobre o ''dossiê Cayman'', que pretendia envolver a cúpula do governo federal e que rendeu inicialmente efeitos políticos devastadores e pouco de prático no clareamento do tema que é aquilo que efetivamente importa. Se o tesoureiro, que admitiu, ainda que com respostas lacônicas, a veracidade dos assentamentos contábeis, abrisse maiores clareiras por seu testemunho em campanhas anteriores a temperatura esquentaria. Sua discrição foi como tirar o gume da vespa, restando como sinal relevante o trailer dos escândalos do governo Lerner feito pelo ''Ganchão'', o repórter José Maschio, com os casos sórdidos do Banestado, Jogos da Safadeza e outros, esquecido o que se dava na polícia com suas supostas vinculações com o crime organizado e com sólidos apoios na política.
É bom que se examine bem essa documentação e se for hábil que chegue ao Poder Judiciário, mas a crença é de que não sairá da instância política, a menos interessada em apurar verdade e em fazer mais barulho e derrubar pessoas.
BIZARRICE
Para completar o quadro noticioso, o TRE ontem aprovou as contas das campanhas municipais do PFL e do PMDB. Anteontem, atentem para o ato falho, Cassio Taniguchi dizia que as contas haviam sido aprovadas sem ressalvas.
AXIOMA O pior, dizia aquele cínico, vai ser quando mostrarem o Caixa Três.
GLOSA Deputados da base aliada querem botar a mão no caixa da Paraná Previdência. Só falta sugerirem que Lerner transforme o dinheiro em frota de Kombi para distribuir a sindicatos e cooperativas com o que estariam plagiando o que Requião fez, em seu governo, com o fundo previdenciário. Com irrestrita aprovação do Legislativo, autodestrutivo como sempre.
EPIGRAMA Houve um tempo em que Lerner pensava muito em empadinha e em bolinho de arroz do Bar do Pasquale e hoje só pensa em vender a Copel. Convenhamos que ele era bem mais poético e, sobretudo, mais lúcido.
SPRAY O antraz do Paraná é a venda da Copel. O pior é que contagia e agora o governo leiloeiro pensa em baixar o preço. É uma forma de baixar as calças, menos decente do que aquela dos que protestavam pelo vale-transporte. - A base parlamentar adora vendas porque sempre sobra um troco, sob a forma de obras e de outros favores. Por isso querem botar a mão no R$ 1,3 bilhão do Fundo de Previdência. Vai subir o preço da camisa-de-força: mais procura que oferta. - Especulava-se ontem que peemedebistas estariam cercando o presidente do PSDB para obter documentos sobre a passagem de Alvaro Dias no partido. Se o time oposicionista age dessa forma o governo, ainda mesmo na UTI, acaba ganhando a eleição. - Antes da diplomação de Cassio Taniguchi o advogado do PT, Emerson Fukushima, entrou com ação contra o vencedor por abuso de poder. Um dos mais fortes argumentos era o de que o custo global levado ao TRE mal daria para cobrir gastos com a mídia eletrônica. - Estoura em Araucária um dossiê contra o ex-prefeito Rizio Wachowski e configura-se o seu PC. A síndrome já havia atingido antes os ex-prefeitos de Londrina e Maringá, devidamente cassados.
Espedito Rocha, que mantém o antigo PCB, mal saiu de uma cirurgia delicada, já inaugura hoje mostra de seus entalhes e esculturas no saguão do aeroporto Afonso Pena. Um dos que se ligava na arte do Espedito era o idealizador do Museu de Arte de São Paulo, Pietro Maria Bardi. - Cerca de trezentos magistrados são contra o dispositivo do Código de Organização e Divisão Judiciárias especialmente quanto à recriação da entrância especial para a Comarca de Curitiba, um recuo de quase quatro décadas no tempo.
FOLCLORE Vamos raciocinar: se o governo não tem dinheiro para pagar o terço de férias dos servidores e o vale-transporte como poderá atender todas as demandas acumuladas de reajuste que pipocam por aí? Como arquiteto, Lerner está afinal se revelando o reconstrutor do caos.
CROMO Papai Noel com jeitinho de Lerner canta: ''Jingle bell, jingle bell, já se foi a Copel'' ( e de olho no trenó de renas) ''Agora só me resta a venda do tropel''.
AFORÍSTICO Falar mal do governo é cruel como tirar bolacha de criancinha.
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