O senador Roberto Requião, terceira força eleitoral do Paraná, depois de Álvaro Dias e Lerner, jamais venceu um pleito majoritário pela oposição. Quem lembrou dessa singela peculiaridade foi Fábio Campana em entrevista à Rádio CBN. ‘‘Além de jamais ter se elegido fora da máquina do governo, também nunca teve competência para fazer o seu sucessor.’
A despeito do traço esquemático do raciocínio não há como contestá-lo. Ele se elegeu prefeito, carregado às costas por Richa e Maurício Fruet, e governador, graças a Álvaro Dias que ficou no governo ao perceber que o seu vice, Ari Queiroz, elegeria Richa e ainda ameaçava colocar os antecessores na cadeia. E se elegeu senador com os resíduos da propaganda governamental, hoje base do pedido de impugnação do mandato, e da burla que foi a suposta disputa com Quércia pela candidatura presidencial e que o manteve na mídia.
Igualmente veraz a circunstância de que não elegeu sucessor, tanto da vez em que esteve na prefeitura da Capital, quando Lerner levou a melhor sobre Fruet na campanha dos 12 dias e depois quando passou o cetro a Mário Pereira, aliás a mão forte que o apoiou no momento da cassação (caso ‘‘Ferreirinha’’) ao lado de outro gigante, Osmar Dias, e perdeu outra vez para seu adversário desde o pleito de 85.
O que pode impregnar o PMDB a uma virada (é o que Fruet vem tentando na chefia do Instituto Pedroso Horta, como se vê nesse encontro nacional marcado para este fim de semana em Curitiba) é precisamente a pegada oposicionista que a agremiação perdeu ao acomodar-se demais no poder e que o está levando a ser derrotado em pleitos majoritários estaduais e municipais. Mas o sonho é regional porque nacionalmente o partido continua governista.
De qualquer forma o fato de não ter ganho ainda na oposição (a exceção é o seu primeiro mandato de deputado estadual acoplado a Richa como ‘‘irmão’’ e em dobradinha com donos de zonais para vereadores) pode até dar margem a um apelo-desafio: o de que sempre há uma primeira vez. Para vitória e derrota.
DOCUMENTO Miguel Salomão contesta o déficit do Paraná, dizendo que o Rio Grande do Sul e Santa Catarina se valeram ou de antecipações de receita ou de emissão de títulos de difícil resgate. Mas os números constam de relatório da Secretaria da Fazenda. Disse mais, que os salários são pagos em atraso e o 13 º sai com dificuldade naqueles estados. Quanto ao 13 º o que se sabe é que a provisão já foi dissipada pelos pródigos.
OPEP ‘‘Mais pagamos dívidas do que tomamos’’ diz Salomão. Lembra que R$ 350 milhões de serviço da dívida foram pagos, que o funcionalismo sempre recebeu em dia e que empréstimo só houve um de R$ 130 milhões. Explicitou que OPEP é um apelido e não uma sigla para o fundo de pensão que o governo tenta fazer através de Renato Folador e que está servindo de modelo para o país.
Se o governo não pagar o 13 º, como já não está pagando fornecedores, muito menos dando aumento aos servidores, que têm todo o direito de fazer greve, não estará lá com muita moral para propor fundo de pensão quando o Estado jamais pagou, nesse particular, as suas obrigações. O único que o fez foi Paulo Pimentel e indiretamente através das sedes do IPE de Curitiba e Londrina nos tempos do Juvenal Pietraróia, que era craque em briga de galos.
JOGO DE BRAÇO Como Álvaro Dias está em campanha abrindo buracos na Capital e montando serviços no interior, o governo vai forçá-lo ao acordo desejado nacionalmente, drenando parlamentares do PSDB para o PFL ou PTB. Usa armas alvaristas como o telefone, o fax e o telex. E as emprega também em cima de prefeitos. O governo nunca esteve na linha (telefônica, é claro) como agora.
GREVE Uma advertência renovada à greve do dia 29: para que os donos do poder sintam a reação é preciso tirar de campo a mulher do cafezinho. Da mesma forma que o governo aparenta governar quando apenas toma cafezinho urge sofisticar, também, a aparência da greve. Bater o governo no que é campeão: toalete.
BIZARRICE A vereadora Nely Almeida quer conter estrangeirismos em designação de prédios e estabelecimentos. Lembra um general do Estado Novo que veio a Curitiba e ao conhecer o cônsul da Inglaterra, Harry Blas Gomm, batizou-o de Ari Braz Gomes. Karlos Rischbieter, segundo o Freitas Neto, seria Carlos Rocha Brito. A palavra futebol é adaptação ao estrangeirismo. Caso contrário seria balípodo. Tal qual portugueses chamam aeromoça de ‘‘hospedeira de bordo’’.
SPRAY Friedrich no comando provisório do PDT é menos ruim do que um daqueles laranjas do Requião e sem votos.- Severino Nunes de Araújo, outro à esquerda e que acompanha Lerner, é um dos que fez a ligação com Miguel Arraes.- Murmúrio no Tribunal de Contas em cima de um livro do governo cheio de erros gramaticais. TC cuida de verba, não de verbo, ululam os pragmáticos.- Se militares de pijama botassem a cara na filiação dos sete deputados completaria o quadro da Arena, anos 70.-
FOLCLORE Belinati, após sugerir que ficaria no PDT e ver o partido inviabilizado e entregue a sem votos e devotos duvidosos, prometeu acompanhar Lerner. Se voltarem todos ao PFL - ele como Lerner, ambos candidatos em 82 ao lado de Pimentel e Otávio Cesário e Saul Raiz que acabou ungido pelo PDS,- veremos a inversão do dito de Marx (‘‘Dezoito Brumário de Napoleão’’) de que a história se dá como tragédia e se repete como farsa. O caso é trágico. Tanto o caso como o ocaso.
AFORÍSTICO Mais mulheres públicas, uma exigência dos últimos dados do IBGE.

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