Luiz Geraldo Mazza
Mais uma liminar suspendendo o leilão da Copel foi acolhida em ação popular movida pelo ex-secretário da Fazenda Giovani Gionédis, desta vez na Justiça Estadual. Como o autor sabe dos fundamentos a que os tribunais têm recorrido para derrubar liminares, elaborou previamente um memorial contestando, ponto por ponto, essa linha de argumentação sintetizada na urgência de fatores sociais, que prevaleceu no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.
Tenta-se, de todas as formas, fechar o cerco de ambos os lados. Advogados aqui e em Porto Alegre ou em Brasília estão mobilizados para defender a causa maior deste governo: a venda da Copel, de qualquer jeito, no dia 31 e o mesmo se dá de outro lado dentre os proponentes dos mais de 70 recursos que foram impetrados até agora.
Para evitar atropelos e justamente a protelação dos atos relativos ao leilão é que o governo se preparou, como o fizera antes no caso do Banestado, para essas batalhas. A pior das constatações que se pode fazer neste instante é a de que, apesar da relevância do tema, até pelo fato de a Copel cristalizar um processo de desenvolvimento, o público foi severamente mal informado e tomou partido em termos emocionais. Da mesma forma, as concessões absurdas feitas pelo governo - como a de entregar a totalidade dos dividendos ao vencedor ou a de assumir o ônus de uma dívida de longo prazo de trinta anos - só passaram a ser detalhadas agora com a ação popular de Gionédis.
Em termos democráticos e de maturidade cívica foi um vexame, que prejudicou mais o governo do que a própria oposição. Apesar de tido como um dos maiores beneficiários em ''marketing'' (no caso de Curitiba incontestável, pela lavagem cerebral acumulada nos lances de ''construção'' da realidade, mas nem tanto no que concerne ao governo estadual), o governo fracassou na exposição das razões da privatização, afinal impostas pelo ''modelo'' e se saiu bem apenas nas peças de bom humor que fez sobre os adiposos basistas às voltas com megafones e surradas palavras de ordem.
EPIGRAMA
O que gera mais emprego no Paraná não é o empreendimento de vanguarda (montadoras e malha produtiva, por exemplo), mas o setor de serviços e no que diz respeito à transformação a agroindústria
BIZARRICE O presidente da Assembléia, Hermas Brandão, deu entrevista dizendo que havia concedido um abono de R$ 300 a todo funcionário de carreira. Até ontem o abono não havia sido pago. Como fazia calor, os servidores se atracaram num abano. Conforme o verão, um abano pode valer mais que um abono.
AXIOMA Requião fez denúncia contra o escritório de Giovani Gionédis sugerindo que estava tudo armado para a alemã RWE levar o leilão. A empresa pulou fora e o Gionédis está sendo um dos mais eficientes no combate à privatização. Só falta o senador argumentar agora que se o leilão não sair quem leva a melhor é justamente o Itaú que teria sido beneficiado por Giovani Gionédis no andamento das negociações de saneamento do Banestado na questão dos precatórios.
GLOSA O leilão do prédio da antiga Rede Ferroviária, em Curitiba, foi ''melado''. O IPPUC já disse que não autoriza obra alguma no local e o prefeito Cassio Taniguchi baixou decreto alterando a destinação da área. Agora só falta haver o mesmo e eterno beneficiário de sempre em jogadas imobiliárias. O espanto do burgomestre, que alegou não ter qualquer informação anterior sobre o caso, é surpreendente. Atenção: a cidade não deve ser monitorada por imposições comerciais.
SPRAY Mais uma contribuição ao terrorismo no caso Copel. Nos classificados da ''Gazeta'' do dia 24, este recado cifrado: ''De Giovana para Cid. Na bonita Porto Belo, com o apoio do nosso banco de pedra que no passado nos deu muita alegria. Combinamos que eu ganhando e vc perdendo. O mundo mudaria. Mas sempre estaremos juntos. Beijos G.'' - Está mais fácil haver esse tipo de especulação do que ataques com antraz. Esse banco de pedra aí está com jeito de Itaú, por causa do prefixo ita, pedra. - À medida que o tempo avança, cresce a paranóia, ainda mais quando ritmada por oscilações judiciais. - Como a desconfiança é grande, o clima nutre tanto a boataria como o exercício de terror. - Oposição e governo estão nervosíssimos e o quadro chegou a um ponto que não dá sequer para comemorar vitórias provisórias. - Início do Ciclo de Palestras Renault sobre Globalização e a Sociedade Brasileira reuniu o embaixador Pinheiro Guimarães, o filósofo Olavo de Carvalho e economista José Monir Nasser. Haverá 20 palestras ao longo de 2002, em parceria com o Instituto Paraná Desenvolvimento (IPD). - O mundo globalizado vai acabar impondo o pensamento único em cima do neoliberalismo, o que não deixa de ser uma forma de totalitarismo, o que é uma contradição em termos com o liberalismo original. Além disso, uma reprodução de quadros da pior fase do despotismo e de formas nada sutis de escravidão e falta de perspectivas às maiorias.
FOLCLORE O ex-deputado Otássio Pereira conta que o prefeito de Marumbi estava num restaurante do interior de São Paulo preparando-se para comer um filé a cavalo quando um urubu, em vôo rasante como o dos aviões suicidas, atracou-se na carne e a levou para um ninho imponderável. É um caso concreto daquele ditado ''um urubu pousou na minha sorte''.
CROMO ''A videira adormece.// Inda flameja o sol da vindima.// Os sanhaços azuis bicam maçãs maduras,// Sutilizam a tarde com seu gorjeio frágil.'' Helena Kolody vendo passar o outono.
AFORÍSTICO Quem vai antes para a UTI no caso Copel: governo ou oposição?
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