Estamos praticamente a uma semana do ato de Jim Jones do governo Lerner em relação à Copel. O cronograma se estreita e demagogias do tipo ''plebiscito'' fajuto ou bravatas como a promessa de reestatização apenas constituem perda de tempo porque não há mais o que ''politizar'' e muito menos o que desgastar num governo em declínio já abaixo do solo a caminho dos nossos antípodas. A liminar concedida pela 9ª Vara Federal, ainda que parcialmente, para que se retomasse a audiência pública de 2 de agosto, suspendia o leilão, mas, embora o atropelo de fim de semana, havia o mais aberto otimismo no Palácio Iguaçu na certeza da cassação da medida, proposta pelo vereador André Passos e o deputado Irineu Colombo.
Afunila-se o processo e o âmbito apropriado para o tumulto, a procrastinação e até a suspensão do leilão é a Justiça. O governador, que estava mostrando a fleuma (não havida no amável puxão de orelha em Rafael Greca) de britânico, começou a entrar em distonia, menos pela liminar e mais pelas desistências que podem aumentar até o dia 22, data-chave do comparecimento das restantes na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia e confirmar a participação. 24 horas depois para habilitar-se cada um deverá depositar R$ 400 milhões.
Para o governo leiloeiro, o ritual pode levar a uma UTI cardiológica. O tamanho da bufunfa é simétrico ao dessa ansiedade que se percebe nos olhos e nas mãos nervosas dos palacianos.
AXIOMA
Prenderam o prático do barco da Petrobras que derramou nafta na Baía de Paranaguá. Se fosse um teórico, a intensidade da culpa seria menor. Como se diz filosoficamente, na prática a teoria é outra
PURGAÇÃO Há momentos em que o senador Roberto Requião se transforma num pastor religioso a cobrar exposição de culpas, e respectiva purgação, dos outros como faz com o seu colega Alvaro Dias, pedindo-lhe que renuncie porque não se livrou do pecado do ''acordo branco'' feito com Lerner. Ora, Alvaro deu o troco em Requião por sua omissão, oportunista, na campanha de 1993, quando percebeu nas pesquisas que ao se aproximar do candidato a governador da coligação o seu cacife baixava. Afinal, reciprocidade não é agressão.
O que se percebe é que os políticos têm horror da realidade e como não há utopias se transformam em seres lúdicos: Alvaro prometendo reestatizar a Copel certamente num guerrilha comandada por ''Chê Nassib Jabur'' e o preceptor Teophilo Bacha, seu Regis Debray disponível e nosso talentoso colaborador; a turma do Requião pleiteando o ''impeachment'' de Lerner; a claque do PT fazendo plebiscito à brinca.
Como se vê, há uma criança festiva em cada político: em lugar de pião, raia (ou pandorga), bete ombro e peteca eles fazem essas coisas, o que não deixa de ser uma bela contribuição lírica ao ''Sítio do pica-pau amarelo''. Pó de pirlimpimpim neles todos!
BIZARRICE O PMDB é curioso: a favor do plebiscito ''frio'' da Copel, mas contra as eleições dos zonais que o grupo dominante iria perder. Despotismo esclarecido?
GLOSA Há um tipo de oposição curioso: capaz de fazer agito em qualquer lugar onde vá o governador e até Dona Fani, mas não revela tanta fúria quando lhe batem a carteira numa eleição interna do partido.
EPIGRAMA O governo estadual não vai dar aumento para o funcionalismo, e como sabe que muitos vão morrer de fome, já verificou que o gasto com pensões (a saber com viúvos e viúvas) está perfeitamente nos estritos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Austeridade em ritmo de marcha fúnebre de Chopin.
SPRAY O Brasil tem uma legislação rigorosa sobre meio ambiente, mas que na prática não funciona. Nessas horas, quando a Petrobras está envolvida, dá a impressão que ela tem mais advogados que engenheiros. - Com a confusão armada em Paranaguá no acidente (e ontem houve outro com um barco da Petrobras virando quando operava na área de atendimento e com vários feridos) vai haver tentativa de diluição de culpas desde a fase de inquérito. - Vamos fazer, o quanto antes, a radiografia da estatal. Chega de sacralizá-la depois de tantas que tem aprontado. A sucessão de burrices e incompetência é intolerável. - Nos anos 70, um derramamento de cianeto por um navio na baía deu margem a muita confusão. Chegaram a interditar a área para pesca até que o testemunho de mestre da Química mostrou ser impossível que a quantidade despejada fosse capaz de atingir formas adultas de vida. Em função disso, como chefe do telejornalismo do Canal 12 sugeri que nossos repórteres comessem o peixe que estava proibido. Não aconteceu nada, nem para eles, nem pra mim. E estávamos nos anos de chumbo. - Precisamos de retaguarda científica para essas coisas e o nosso Centro de Estudos do Mar não está lá muito apto para avaliações, como se percebeu ontem em reportagem da CBN Curitiba. - Se der paz no Atletiba, quem vai faturar o feito na área política será o prefeito Cassio Taniguchi.
FOLCLORE Pelo que está ocorrendo com a Petrobras, ela é que está precisando muito mais do que o governo paranaense de um babalorixá que importou um da Bahia e que parecia mais azarado que o cliente.
CROMO No bar, pênseis, os bêbados deliram, uns sentados, outros encostados no balcão que parece afundar. No meio da sala enfumaçada a mesa dos que morreram e na qual é proibido aos vivos o ato de sentar nas cadeiras funéreas. Uma ilha no salão com a majestade de um túmulo coletivo.
AFORÍSTICO A Petrobras, pelo jeito, só não polui a camisa do Flamengo.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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