Luiz Geraldo Mazza
Ontem transcorreu o primeiro ano de privatização do Banestado, e se o modelo servir de exemplo para o caso Copel tudo piora. Como Itaú, o ex-banco estadual tem tudo para melhorar: reduziu drasticamente seus quadros (de 7.500 para 2.700 servidores), faz uma reengenharia na rede a começar da combalida área de informática, mudou o padrão gerencial, mas no momento reina a mais absoluta confusão, mesmo após o recadastramento. Para a massa funcional, cliente cativa, o banco piorou, o que decorre em parte da transição. Aos seus trabalhadores uma tragédia porque os que saíram não encontraram emprego e os que permanecem não sabem se ficam e não têm sequer, por isso mesmo, como se preocupar com o antraz ou a morte.
Há o conceito genérico de que as empresas elétricas privatizadas pioraram seus serviços, embora tenham aumentado as tarifas de forma agigantada. Portanto, o saldo é negativo junto ao público. Nas teles a coisa melhorou apenas no volume de investimentos - e na oferta de celulares, o serviço vai de mal a pior e lidera as estatísticas de todos os Procons quanto à prática de assaltos ao usuários. Como a cobrança, por exemplo, de chamadas não completadas e muitas não feitas e devidamente faturadas, às vezes até para o exterior.
Num jantar do Fórum Contra a Venda da Copel foi dada uma procuração pelos políticos e possíveis candidatos ao governo para que se fizesse uma notificação judicial às empresas, que ainda não desistiram do leilão, no sentido de que a estatal seria reestatizada. Demagogia primária que não leva a lugar nenhum como essa outra basbaquice do ''impeachment'' de Lerner. Aliás, um dos candidatos a governador também disse, há pouco tempo, que reestatizaria o Banestado, o que é piada numa época mais apropriada ao terror, mesmo sob a sua forma atenuada.
Tolice, também, por se tratar de perda de tempo esse plebiscito idiota. Se um de verdade, como o da Sercomtel, com toda a motivação e dentro da cidade mais politizada do Paraná, que é Londrina, teve participação de 10% do eleitorado dá para imaginar o que se dará com um fajuto que tenta apenas agredir o governo. Essa notificação judicial às possíveis concorrentes (tomara que tenham juízo e todas caiam fora) dando notícia de que se vencerem serão reestatizadas é digna de Pedro Bó, revelação clara de que esgotaram seu arsenal, o que é deserção, já que seria possível fazer provocações pertinentes na área judicial, de preferência na Federal.
Se há nulidades a pleitear em juízo, basta ver a publicação de ontem da Copel fazendo correções de números e datas na matéria relativa ao leilão. Isso é mais concreto do que exaltações demagógicas e eleitoreiras.
AXIOMA
Outra, das gigantes, desistiu ontem do leilão da Copel: a Duke Energie (que um anúncio cifrado deu como ganhadora) pulou fora. Do jeito que vai, o sonho imediato de Lerner se transforma em pesadelo
BIZARRICE A arrogância de alguns militantes do Fórum Contra a Venda da Copel é de tal forma ciclópica que atribuíam a desistência da canadense Hidro-Quebec ao alerta da desestatização. Isso lembra ascensorista que se imagina, por sua função, um astronauta. Ou aquela formiga no lombo do elefante em carreira pelas savanas e que atribuía a si o poeirão que ficava para trás.
GLOSA O governo paranaense é o campeão de assinalar domicílios falsos em contratos. Um deles foi aquele dos chunchos da Leasing e que usou o endereço do deputado federal Santos Filho. Em vários contratos da Copel com associadas o fato se repetiu com domicílios fajutos. A oposição em lugar de pretender cassar o governador Jaime Lerner deveria sair por aí à caça desses importantes fantasmas.
EPIGRAMA Mesmo que sobre uma só empresa (as mais importantes desistiram e a Tractbel ainda ontem iria consultar a matriz se ficava ou não) para o leilão da Copel o governo aposta na licitação. O derradeiro que apague a luz, como diz o sábio ditado.
SPRAY A euforia do secretário de Comunicação Social, Rafael Greca, sofreu pequeno recuo, ontem, quando Lerner, diante de prefeitos no Palácio Iguaçu, disse claramente que o comando do processo sucessório é dele e de mais ninguém. - Segundo testemunhas oculares, o secretário e candidato, autolançado ao governo, saiu da sala discretamente como se aquilo não lhe dissesse respeito. - Não é o primeiro pito de Lerner em Greca. Na mudança do nome da Usina Foz do Areia para Ney Braga, o governador falava e como demora pra pensar, o ágil secretário buscava acelerar-lhe o raciocínio. Irritado, Lerner disse que não aceitava ser pautado por ninguém. - A morte da jornalista Sônia Nassar, uma verdadeira pioneira na cobertura esportiva, é um desses acontecimentos duros de assimilar. Alvo de preconceitos no meio, não foi fácil para ela chegar ao ponto alcançado. Em recente publicação da associação de cronistas as colegas novas fizeram questão de apontá-la como mestre e preceptora. Até mais, Sônia.
FOLCLORE Mais empresas internacionais desistiram da Copel e as suas ações continuaram caindo (ontem mais 3%). Mas não tanto quanto o governo.
CROMO E o pássaro da madrugada, com seu canto agudo, deixava os vizinhos insones. Até descobrirem apenas que eram figurantes de um sonho e despertaram.
AFORÍSTICO Depois de tudo isso, você seria capaz de absolver esse governo?
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