Quando o senador Alvaro Dias enfrentou, como vítima, o processo de depuração do PSDB, cuidou de lembrar a seu colega Roberto Requião que ele, com todo o seu aparente poder hegemônico no PMDB, poderia enfrentar situação parecida por causa de sua posição militante em relação à aliança com FHC, reafirmada por quase 70% dos delegados na mais recente convenção. Pois agora um assunto menor de caráter doméstico do PMDB, a dissolução das zonais (nos quais em passado não remoto se constituíam no fundamento da liderança de Requião quando prefeito e governador), pode estabelecer a frincha para essa intervenção.
O vereador Paulo Salamuni, que se elege para a Câmara de Curitiba com alguma dificuldade, em plena ofensiva por uma das vagas do Senado (o que em função da exposição na mídia facilitaria o seu retorno ao Palácio Rio Branco), está, com justa razão, preocupado com a tendência para o nanismo (sem trocadilho ou o cacófato, mas que pode gerar o mesmo sentido) do outrora velho de guerra. No caso da escolha de Max Rosenmann como candidato em lugar de Elias Abraão em 1991, assentada em zonais, a opção foi incorreta, mas não se pode considerar a mais recente, de autoria de Roberto Requião, em designar o irmão Maurício como bem inspirada.
Esse comando opressivo do senador é a causa da atrofia do partido. Ele obteve 42% na disputa com Lerner, o que confirma sua liderança, mas nas proporcionais o partido conquistou pouco mais de 15% dos votos, o que não é exatamente uma correia de transmissão e expressão de capilaridade. As zonais podem ser a causa, sem dúvida, da queda do partido na Grande Curitiba. Todavia, pesa aí fortemente o comando centralizado e que seria irônico apodá-lo de centralismo democrático porque tais expressões são antinômicas e se anulam, embora os ginastas do PC soviético e até da sua filial brasileira as utilizassem.
Quem está admitindo a hipótese da intervenção não é uma figura qualquer e sim o mais importante membro da bancada federal do Paraná, Gustavo Fruet, e que sempre lutou de forma independente, tanto que tentou encarar Maurício Requião na convenção que designou o derradeiro candidato à Prefeitura da Capital.
O partido precisa reciclar-se até porque o próprio Requião já deu sinais de entender a necessidade de abri-lo quando trouxe figuras como Reinhold Stephanes e Paulo Cruz Pimentel.
FOLCLORE
Oposição traduziu o classificado que dava o resultado do leilão da Copel. Iniciais G.A.C. significariam ''ganho antecipado de concorrência''
BIZARRICE ''Realizados lado a lado, em Santa Felicidade (Madalosso e Dom Antonio), o 'jantar da lanterna mágica' do Coritiba acabou levando mais gente que o 'banquete da lâmpada maravilhosa' do Fórum contra a venda da Copel. Em ambos os casos, procura-se uma luz no fim do túnel!''. É a observação do anarquista Elísio Marques.
AXIOMA Se uma estação-tubo de Curitiba é assaltada, a Urbs desconta em cotas o produto do roubo do salário do empregado. Essa canalhice é uma prova de que a prefeitura age como um sadomasoquista quando chama a cidade de ''Capital Social''. Percebe-se que o gestor público transfere ao trabalhador, como se presumisse aliança com os ladrões, a responsabilidade pelo afano. Urbs poderia, no mínimo, lembrar urbanidade. Impressiona o fato de que as ONGS que cuidam dos direitos humanos não se liguem nesse absurdo.
GLOSA Rafael Greca argumentou ontem na CBN que sua postulação a governador estaria vinculada à aliança nacional com PSDB e PMDB pelo fato de ter sido ministro. Ora, também foram ministros os carlistas do PFL que caíram, e Rafael não se saiu bem em sua passagem pelo Ministério do Esporte e Turismo.
EPIGRAMA Nem toda lama deste governo é deplorável. A repórter Vânia Casado o demonstrou com o trabalho sobre o emprego de lodo do esgoto como fertilizante da lavoura da Região Metropolitana e que lhe aumenta a produtividade.
SPRAY A Rádio Band B fez pesquisa em Curitiba e Região Metropolitana medindo a intenção de votos para o governo: Vanhoni na cabeça com 42,6%, Rafael Greca 18,4%, Requião 11,8%, Alvaro 8,8%, Beto Richa 3,7% e Gionédis zero; 14,7% não votariam em nenhum desses nomes. - É irrelevante que não haja sentido científico na sondagem, mas vindo um dia depois do agito provocado pela declaração de Greca de que é candidato há de reconhecer-se que acabou beneficiado ficando à frente dos senadores. - Essa pesquisa é tão à brinca quanto o plebiscito sobre a venda da Copel, inócuo em todos os sentidos até para desgastar mais o governo, o que, a essa altura, é impossível. - Aliás, não há um consultor financeiro ou da área energética, com mínimo de seriedade, que apoie a insistência do governo obcecado na venda. Aconselhamento é no sentido da desistência do leilão pelo menos agora. - Outra coisa: vem aí uma chuva, em catadupas, de ações para bloquear a venda. - Estranha-se que o ex-secretário Giovani Gionédis, que prometeu resistência, estar agora no mais absoluto silêncio sobre o assunto. - Porto de Paranaguá ignorava que a oficina que usava às vezes estivesse ligada a um desmanche, já que a maior parte dos serviços de reparos mecânicos o faz por administração direta.
CROMO O arco-íris, tudo bem. O problema é achar o pote de ouro.
AFORÍSTICO Como partido do tapetão, o PT mais esconde do que revela. Padre Roque vai desmascarar esse ar de freira do partido.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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