As pesquisas de opinião no oeste-sudoeste do Paraná, que já foram eleitorado do PMDB, dão hoje dois por um em favor de Alvaro Dias, conforme a Gepetto, que, como se sabe, é o nome do criador de Pinochio, cujo nariz crescia à medida que mentia. Embora prematura qualquer avaliação, cresce no PMDB dois tipos de conviccão: a de que Roberto Requião disputa o Senado, passando o pepino da governança para Paulo Pimentel, ou, então, que só vai para a cabeça se aliado ao PT, o que agrada Lula e a direção nacional do partido, que desprezam a solução local, seja dos pasteurizados Vanhoni & Samek, seja dos radicais do padrão Rosinha ou padre Roque.
Todas essas hipóteses esbarram em obstáculos como o da possível sustentação da aliança pró-FHC do PMDB com o PSDB e o PFL, o que se verificará durante a convenção nacional se a candidatura de Itamar Franco for para o espaço. Nesse caso haverá cobrança de fidelidade regional e teremos tensões, que irão até a Justiça Eleitoral, contestando a legitimidade de coligações com a oposição nacional, jogada que interessa a Lula, que não tem quem o alavanque por aqui pelo menos na intensidade desejada para dissolver preconceitos e resistências.
Roberto Requião, como Lerner e os demais políticos, ainda mais com as novas atribuições conferidas ao Ministério Público, não podem ficar sem mandato, pois correm o risco de processos intermináveis. O governador atual do Paraná já aprontou demais no primeiro mandato e no segundo e as patologias aí estão com as vísceras de fora. É aquela sentença: quem correr o bicho pega e quem ficar seguramente o bicho come.
Essa a causa do desespero no PT em torno do pleito interno: na verdade a oposição radical, menos acomodada, ganhou a parada e não levou porque sofreu, em função de uma série de impugnações nas áreas em que o padre Roque levou tudo de barbada, um golpe, aliás uma velha sedução das esquerdas, suaves ou não, em função de uma leitura sadada e conveniente de Gramschi. Como, alias, se tentou fazer no Brasil no período de João Goulart e cujos apêndices estão presentes nas estatais com elefantíase, hoje removidas ou contestadas em razão dos novos tempos, obviamente abominados pelos nostálgicos.
Até aqui tudo favorece Alvaro Dias, até mesmo uma hipótese de apoios no PT e no PMDB, pois o oportunismo é um valor ao alcance de todos e escrúpulo é um tipo de insumo raro nas políticas atuais. Todavia não esqueçam do governo: até agora aparentando um colapso e nas cordas do ringue ou até numa UTI pode, de uma hora para outra, surgir forte com o sangue e o plasma da venda da Copel.
BIZARRICE
A venda da Copel é para a oposição paranaense como o antraz nos Esteites, algo próximo da paranóia.
AXIOMA Como o senador Requião já colocou mais dúvidas sobre o sistema informático das futuras eleições percebe-se que está justificando previamente a sua derrota. A não contestável certamente é aquela do processo ''Ferreirinha'' e que o beneficiou.
GLOSA De partido essencialmente ético, pelo menos na imagem, o PT, aqui no Paraná, em função dessas eleições, ao menos na visão do padre Roque, lembra mais, em razão do ocorrido, o ''malandro de parque de diversões''.
EPIGRAMA O sentimento anti-norteamericano cresce a olhos vistos. Pouco importa que decorra de primarismos como o do ressentimento ou da idéia de que eles são ricos porque somos pobres, mas o fato é visível. Tende a aumentar à medida que as retaliações militares atinjam mais civis.
Um estudo em jornal brasileiro que comparou bin Laden a Antonio Conselheiro é um exemplo de um clima psicossocial generalizado. De repente o fanático do taleban passa a expressar o excluído e este é sabidamente maioria.
SPRAY A mensagem cifrada em anúncio classificado sugerindo que o leilão da Copel será vencido pela Duke Energie não aborreceu o governo. Este se encontra de tal forma ligado na certeza da privatização que não deu a menor importância à desistência das maiores empresas inscritas. - Esses fatos levam a oposição a tentar nova manobra no Legislativo cobrando dos aliados de José Richa e de Euclides Scalco no PSDB o apoio a projeto que preserva a geração nas mãos do Estado. - Se isso acontecesse o leilão iria para as cucuias, uma vez que a modelagem procedida e colocada em licitação inclui a geração e isso obrigaria a remontagem de todo o processo. É o que a oposição quer. - Veremos, uma vez mais, que as convicções valem apenas em teoria. O governo perdeu o deputado Ricardo Chab, mas ganhou, por via tortuosa, Algaci Túlio. - A tentativa de fazer com que o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, repita aqui o sucesso de Geraldo Alckmin, de São Paulo, esbarra num dado fundamental: a maior qualificação do tucano bandeirante em termos doutrinários, capacidade de gestão e conhecimentos gerais. Alckmin é uma reserva para disputar até a presidência da República. - Herdeiros de Munhoz da Rocha vão ''melar'' - e não é a primeira vez - o processo de venda da Prisão Provisória do Ahú. E atenção: há ainda os descendentes do francês Polizou que alegam ter documentação como habilitados àquela área e boa parte do Alto Cabral.
FOLCLORE Quais empresários que maiores vantagens levaram com a passagem de Lerner pela Prefeitura e Governo? Os Gulin (ônibus e agora energia), a área imobiliária (Salomão Soifer entre outros)? Isso dá teste de múltipla escolha.
CROMO Ágil e imperceptível como a áspide que atacou Cleópatra.
AFORÍSTICO Bater no governo que aí está começa a parecer covardia.
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