Se há sociedade no Brasil que não pode ser olhada como discriminatória é o Paraná. Repita-se o clichê nem sempre verdadeiro: somos o estuário de gente de todos os Brasis e de todas as etnias. (No Oeste a separação de Céu Azul de Vera Cruz do Oeste se deu porque esta era distrito daquela e composta de nordestinos que passaram a predominar no município, cuja sede era de gaúchos, o que derruba os arquétipos que anunciavam o convívio entre o chapéu de couro e a bombacha).
Essa anunciada pretensão de Leonel Brizola em disputar eleições aqui não é nova. O maior estadista que o Paraná teve em toda a sua história, considerando os papéis que exerceu na monarquia, foi o baiano Zacarias de Góes e Vasconcelos, que presidiu o conselho de ministros, governou mais duas unidades provinciais, foi ministro da Marinha etc. Na história recente houve também a eleição em 1958 de Jânio Quadros como deputado federal do PTB, oportunismo apoiado por Souza Naves e que visava aumentar a bancada. Neste ano Plínio Salgado foi também eleito pelo Partido de Representação Popular, que em 1954 tinha batido Adhemar de Barros e JK em Curitiba e Ponta Grossa. Daí deriva, também, a idéia do deputado Horácio Rodrigues de atrair pelo PL a figura de Afif Domingos, que em 89 foi o segundo mais votado no Paraná.
De Londrina há uma estória antiga, que nega a sua permeabilidade nos tempos do pioneirismo, com a referência à placa na entrada da cidade lembrando ao adventício que iguais a ele e que vinha ali tentar a aventura já existiam alguns milhares. Ora, as sociedades oscilam entre a abertura e o bloqueio como também diante da tradição e da ruptura.
Na primeira eleição parlamentar no pós democratização da 2ª Guerra era permitido que um candidato como Getúlio Vargas disputasse simultaneamente Senado e Câmara Federal e por vários estados. Foi o deputado mais votado do Paraná e com isso garantiu a eleição do seu suplente, Rubens de Mello Braga, já que preferiu assumir o Senado.
Mas Brizola dificilmente optaria por essa aventura quando tem bases mais consistentes no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, onde aliás o seu poder, posto à prova nas eleições municipais, se atomiza. Ele vai delegar aos sem votos do Paraná a missão de reestruturar o PDT (que para acentuar suas relações com ele se agarram em ícones sociográficos como o chimarrão e a bombacha) para evitar que Lerner recrie raízes no partido no Paraná. Serão os inocentes inúteis que na eleição de Requião dividiram o partido e impuzeram o candidato a senador laranja e que teve menos votos do que seriam necessários para eleger um vereador.
BIZARRICE Em meio à arenga de sexta-feira, quando Lerner tirou o time do PDT, Brizola falou que o processo latejava como uma tumoração que vazou. Só faltou dizer, se se apegasse a trocadilhos, que o governador paranaense deixou de ser benquisto para ser um bom quisto na intimidade do partido. Se era furúnculo, como é homem à antiga, deveria apelar ao basilicão e à folha gorda e não a antibióticos que isso acaba redundando em ‘‘perdas internacionais’’.
VATICÍNIO Como diz o Tataio, o PDT era como o barreado e só existia no Paraná. Agora acabou mesmo. Por sinal que a receita do barreado está na Internet.
SPRAYLamúrias de Brizola, sugerindo um prestígio que não tem junto à Internacional Socialista (lá FHC é muito mais credenciado do que ele, como o demonstraram por aqui o Felipe Gonzales e Alain Touraine), e repetindo o clichê de que Lerner adernou à direita, só mexem com gente defasada.- Ao revés a opção de Lerner, que prioritariamente desejava o PSDB, passa a ser menos artificiosa e isso pode lhe aumentar e não reduzir o prestígio.- A sugestão de que ele, Brizola, é quem teria dado prestígio internacional a Lerner é de um ridículo atroz. Ora, o governador paranaense, e aí pesam o ‘marketing’ e os exageros míticos, tem um prestígio que decorre mais da condição profissional do que política e, é claro, de esquemas externos como aquele que o colocou como consultor internacional da reengenharia de Shangai. O que o PDT e Leonel tem a ver com isso?- Até 31 do corrente as prefeituras do Noroeste vão operar em meio expediente como protesto à prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal. É quixotismo, embora necessário, sinal de que vão apertar o cinto. E isso implica em cortes, especialmente de funcionários.- Quem estava feliz, já na sexta-feira, com a saída de Lerner do PDT era Requião, pois agora contará com outra força, além do PT, como linha auxiliar, uma vez que se acredita uma representação da esquerda. Mussolini, no começo, também foi: era socialista. Outro que teve histórico de esquerda foi o Goebbels.- Essa história de esquerda e direita, muito bem enfocada no livro de Norberto Bobbio, foi referida no encontro de Porto Alegre pelo prefeito do México, o Cárdenas, que negou importância a um problema geométrico, chocando os deslumbrados.-
FOLCLORELerner aposta todas as fichas na manobra palaciana de FHC para que ele saia em cabeça de chapa pelo PFL em aliança com o PSDB e com Álvaro Dias para o Senado. Não quer eleição, mas nomeação como aconteceu duas vezes na Prefeitura da Capital. O problema é a vice Emília, que não sai do partido e pode assumir o governo e ameaçar a eleição, como Ary Queiroz quase fez com Álvaro Dias.
CROMOO ‘‘punk’’ se olhou no espelho e descobriu-se um ‘‘careta’’ completo.
AFORÍSTICOO personalismo esmaga a idéia de partido no Brasil. Brizola, Lerner, Lula, Requião, ACM, Maluf são exemplos nada edificantes.

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