Luiz Geraldo Mazza
Como no drama garibaldino, as coisas são modificadas exatamente para ficarem como estão. É o saldo do troca-troca de ontem que apenas revelou porque andamos tão mal de representatividade e porque o povo cada vez abomina mais os políticos. O PSDB de agora, sem o reforço do Cassio Taniguchi que FHC queria, diante do anterior é como trocar seis por meia dúzia. Cassio viabilizou o PFL que corria o risco de implosão em função da baixa credibilidade hoje do governador Jaime Lerner. Dificilmente, porém, a não ser que saia candidato, que não é sua intenção, fará o papel de ''puxador de votos'' e eleitor-mor.
Para quem, no momento crucial das eleições, teve peito de dar cobertura ao afastamento de Lerner da propaganda do PFL, por saber que isso o afundava, não será fácil cortar o embalo dos que pretendam engajá-lo num processo que o exporá a riscos enormes para quem ainda tem quase três anos de mandato. Persiste como a reserva-chave do bloco situacionista, sem revelar o mínimo entusiasmo para disputar ou simplesmente para apoiar correligionários.
As contradições de Cassio Taniguchi não param aí, já que mantém maioria de postos na administração entregues à equipe de Giovani Gionédis, notoriamente um sem-votos, e que, quando muito, pode operar como linha auxiliar, via PSC. Assim é essa colcha de retalhos da política. E na oposição, convenhamos, o quadro não é menos confuso.
A novidade mesmo é a ida de Paulo Pimentel para o PMDB. Como Requião, ainda que aparentando o contrário, prefere o Senado há quem imagine o ex-governador brigando para voltar ao Palácio Iguaçu. Como se vê as novidades são velhas: Requião ou Paulo, Alvaro, Vanhoni ou Padre Roque, Greca ou Alceni. Ou ainda o Hermas Brandão, o Alberto Pasqualini de Andirá. Tragam arruda por favor. O Paraná está precisando urgente de um ''descarrego''.
EPIGRAMA
A Seleção Brasileira, nos treinos desta semana, mostrou que pode haver algo bem pior do que o governo estadual. Como o governo treina bem e joga mal, espera-se que haja o contrário com a Seleção
BIZARRICE O músico heavy metal e cantor sueco, que vive nos Esteites, Ingwel Malmstein, cuidou, ao apresentar-se em Curitiba, de não cantar o hino americano. Em Porto Alegre, dias antes, a platéia deu gritos em favor, imaginem a barbárie, de Bin Laden pelo fato de o músico botar o hino do maior País do mundo no repertório. Que pisada na bola e dos dois lados.
AXIOMA A penúltima disputa de Paulo Pimentel em política foi a de 1985, quando ele obteve na eleição para prefeito de Curitiba pouco mais de 20 mil votos. Aquele foi um pleito atípico rigorosamente polarizado entre Requião e Lerner, vencido pelo primeiro por causa da atuação de Richa, que era governador, e carregou o seu candidato nas costas como se fosse São Cristóvão conduzindo Jesus. A mais recente foi a do Senado, em 1990, na qual também não se deu muito bem.
GLOSA Não se trata de ''idealizar'' o passado. Vejam porém os candidatos ao governo de 1960: Ney Braga, Nelson Maculan (primor ético, recusando-se a apoiar Jânio, o que poderia levá-lo à vitória, para manter-se fiel à coligação PSD-PTB em nível nacional) e o mestre universitário Plínio Franco Ferreira da Costa. Não havia crise de idéias e crise de personalidades como agora.
Outro exemplo: a majoritária de 1962 para o Senado. Vencedores: Amauri Silva, que foi vereador em Londrina, e Adolpho de Oliveira Franco, ex-governador. Os demais candidatos: Munhoz da Rocha, Moysés Lupion e Vieira Lins, ex-ministro e ex-governador e ex-líder da maioria de Getúlio Vargas. Dá pra fazer analogia?
SPRAY Não se faz apenas maquiagem com mercadorias. Isso ficou provado com o relatório de Ingo Hubert, dublê de secretário da Fazenda e presidente da Copel, que reafirma a quebra do Estado na objetividade dos números, mas que se transforma, pela retórica, em feito excepcional. - E está quebrado e dessa não se salva nem com a venda da Copel: corre-se o risco ainda de um ágio baixo, o que complicaria ainda mais o cenário. - Por falar em Copel, o anúncio caricato que tirava sarro dos petistas, e que ainda ontem estava no ar, foi derrubado em liminar do Judiciário em pedido do PMDB. Engraçado, mas preconceituoso. - O anúncio do governo de que não admitirá shopping no local da Prisão Provisória leva jeito de mais uma proteção ao empresário Salomão Soifer e o seu Shopping Mueller. - Ao tempo dessa obra, que agrediu a todos os fundamentos urbanísticos e regras de recuo, já se fez, em Curitiba, uma guerra contra o complexo de Pinhais por obra e arte do IPPUC e a pretexto de defender o comércio central. - Uma nova proteção, agredindo fundamentos da legislação de shoppings, vai ser dada ao Mueller: em troca do Moinho Anaconda, no Bairro Rebouças, adquirido pelo empresário Salomão Soifer e que vai ser usado para objetivos prefeiturais em troca do ''incentivo construtivo'' se permitirá a construção de passarela sobre a Mateus Leme para a condução dos frequentadores desde a Rua Duque de Caxias, no estacionamento, até o shopping. - Desde o início da operação do shopping o empresário não observou qualquer regramento prévio, o que levou o prefeito Maurício Fruet a negar-lhe alvará, o que foi contornado com a assinatura de compromissos que igualmente não foram observados.
FOLCLORE Pimentel no partido dos outros seria refresco?
CROMO Jasmin, não, que o odor é mortuário. Marcel Proust o apuraria.
AFORÍSTICO Se houvesse antes o amor de agora pela Copel a empresa teria sido educada na democracia, o que não aconteceu.
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