A demagogia triunfal
Invadir prédios públicos, estágio selvagem de países pré-democráticos, é uma prática rotineira dos nossos dias e isso porque as autoridades que deveriam, por imposição de ofício, preservar o espaço da instituição se mostram frouxas e abertas aos transbordamentos. Quem deu o maior exemplo foi Lerner quando, por medo da impopularidade e das câmeras de TV nada discretas do PT, permitiu a barbárie da invasão do Centro Cívico pelos sem-terra que ali permaneceram, graças à cumplicidade passiva de todos os Poderes de Estado, por meio ano.
Agora quem tem dado mau exemplo, como já correra antes com Antonio Anibelli e Aníbal Khury, que permitiram a invasão dos prédios do Legislativo pela horda de sindicaleiros populistas, foi o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, que faz um jogo sinuoso para ''posar'' de bom moço tanto na arruaça de agora dos professores como na anterior dos estudantes, com os quais inclusive foi ''fazer média'' para sugerir que em caso de empate votaria a favor do projeto de iniciativa popular contra a venda da Copel. O que é ''menas'' verdade, como diria o Lula, tanto que no voto de minerva negou no empate a prorrogação da decisão sobre o leilão da estatal.
Pergunta-se: para que essa palhaçada e essa violência representada pelos alambrados em todo o Centro Cívico que violaram um patrimônio, artístico e histórico, que era preciso preservar e que precedeu até a construção de Brasília? Essa iniciativa de montar esse aparato partiu do Executivo, dela é que se origina a violência, pois uma autoridade que realmente se faça respeitar independe de fosso e de pontes levadiças para distanciar-se do povo, isso é não precisa de divisas físicas para distanciar-se das massas.
Perdemos, essa é a verdade, a noção dos limites entre o pólo da autoridade e o da liberdade. Na medida em que a autoridade deserta diante da violência e da caricata arruaça, estabelece-se o clima para a demagogia e o assembleísmo e o dano, que tudo isso causa à democracia, é certamente irreparável.
BIZARRICE
Mal começou, a novela das 8 e meia da Globo ganhou um título bem inusitado: ''O Siliclone''. É mais fácil e menos complicado, sob o ponto de vista bioético, lidar com silicone para mudar as pessoas do que com clone
AXIOMA E se melar mesmo o acordo PDT-PPS (o que pode acontecer com a resistência de Brizola à entrada do Britto no ex-PCB em Porto Alegre) não é nada impossível o senador Alvaro Dias sair candidato à Presidência pelo ''socialismo moreno''. Os partidos merecem os integrantes e dirigentes que ostentam.
GLOSA Até agora a campanha a favor da manutenção da Copel foi sustentada por uma linha de argumento totalmente emocional. Bastou o governo usar em seu favor esse estilo e a oposição chiou, chamando os anúncios de preconceituosos quando são, de fato, engraçadíssimos, apesar de forçar a barra dos arquétipos claramente de petistas e basistas. Tem gente que se olha no espelho e não gosta. É o que se dá com o povo que diante de um homem comum como Lula e um com cara de artista de novela como Collor, apesar de postiço, vota neste. Auto-rejeição para ninguém botar defeito.
EPIGRAMA No meio da reunião, o dirigente partidário avisou que era chegada a hora do troca-troca. Mal acabou de falar e foi obrigado a lembrar que o troca-troca era apenas partidário e pediu que as pessoas se comportassem. O troca-troca, inclusive, termina no sábado. Quem trocou, trocou; quem não trocou não troca mais. A confusão sobra apenas para o PSDB.
SPRAY Numa entrevista ao ''Hora H'', Requião diz que nunca foi tão fácil para a oposição ganhar uma eleição, que ela é ''sopa no mel''. - Como a oposição tem, de saída, três candidatos (ele, Alvaro e um do PT) no mínimo é possível que o situacionismo garanta o segundo turno. - Semana passada, a entrevista foi de Alvaro Dias que antevê um inferno quando chegar ao Palácio Iguaçu, o que Requião contesta pelo fato de o Paraná ser uma unidade equilibrada, apesar do mau governo de Lerner. - Resumo conceitual de Requião sobre Alvaro: ele não é oposicionista e, sim, um dissidente do situacionismo por causa do acordo branco. - Consta dos bastidores que o divisor de águas entre governo e PSDB teria acabado com uma sociedade entre o grupo que explorava a Loteria tocado pelo Jorge Khury, irmão do Aníbal, e donos de um cassino na Boca do Tigre, província de Buenos Aires. O nome seria ''Laramie''. - Sérgio Prosdócimo estranhou, ontem na Rádio CBN, que a adesão do empresariado paranaense seja baixa em relação ao Instituto de Produtividade e Qualidade, instituição que dirige. - Além da apelação aceita pela 3ª Turma do Tribunal Regional de Porto Alegre contra a aliança entre a CNT e o Grupo Petrelli, há uma outra de anulação de ato jurídico promovida pela viúva de Adalberto do Nascimento, cuja assinatura post-mortem aparece no processo, alvo de todos os recursos.
FOLCLORE ''Educadores'' ocuparam a Assembléia e disseram que só sairiam de lá se o governo revogasse o decreto da eleição nas escolas (aprovado pela ampla adesão da categoria, apesar do boicote da APP). É o mesmo que no meio do jogo da Seleção, a platéia invadir o campo se o escrete estiver perdendo e não permitir a continuação da partida. Regras do jogo existem na democracia.
CROMO Quem inventou essa história de que o passarinho João de Barro prende a passarinha traidora fechando as saídas do ninho foi um corno monumental.
AFORÍSTICO Quando era governador, Alvaro Dias não deixou que os professores invadissem o Palácio. Já a Assembléia é uma casa tolerante.
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