Luiz Geraldo Mazza
Orçamento e a Copel
Se entrar água no negócio da venda da Copel, a Lei de Meios do governo, seu compromisso-chave de gestão orçamentária, ''dança'' gloriosamente. Mas ele (o possível ganho com o leilão) está inserido no processo, o que aliás é corretíssimo, e deveria, até por essa razão, levar a oposição ao esperneio. Nossa oposição é que nutre o governo que temos. A decisão recente de prorrogar por cinco anos, como se já não bastasse a abusiva concessão anterior e de todos conhecida, a dilação do prazo de recolhimento do ICMS das montadoras, deveria servir de mote para a desmoralização de todo o processo de industrialização. Não bastasse o sigilo dos protocolos, que levou os senadores à resistência, temos agora mais essa a demonstrar que o Estado virou um refém desse tipo de comprometimento.
Para o secretário Miguel Salomão, do Planejamento, que é explicador e jamais se mostrou um antecipador, isto é, aquele que prevê, com um mínimo de rigor, o lado negativo das coisas, a operação é normal para um período de recessão mundial até para evitar que tanto a Renault como a Audi-Volks imitem a Chrysler e se mandem para outro lugar, como hoje é do seu estilo e estratégia.
Não apenas em economia como em questões culturais a exatidão é impossível, mas quem se associa como o Paraná fez com a Renault, a ela se acoplando para o arranque de capital, deve ser responsabilizado. Fosse uma empresa privada e os seus acionistas estariam cobrando a imprudência havida e os prejuízos até aqui acumulados. É que eles costumam raciocinar como capitalistas e dirigentes de uma sociedade anônima e esquecem desses elementares regramentos.
Não há uma pessoa decente e com conhecimento técnico do problema que não mostre restrições agudas, ainda mais neste momento, em função, a um só tempo, da crise energética e da recessão, ao leilão da Copel. É chegada a hora de uma nova arrancada, especialmente no Judiciário, para evitar que o desastre venha a se consumar, apenas para resolver um problema de caixa e, sobretudo, de má, calamitosa e temerária gestão.
Isso sem falar nos casos notórios de corrupção como os que precederam a venda do Banestado. E também agora, no caso da Copel, com o favorecimento dos ''amigos do rei'' em empresas intermediadoras, das quais a estatal é sócia minoritária. Nosso patrimônio está sequestrado, o governo é apenas e tão somente um refém que não tem ar de inocente.
EPIGRAMA
''Enfim, parece que os termos das leis, dos tribunais e das circunstâncias nos ameaçam de tal modo que devemos considerar o maior dos felizardos quem se afastar da arena política com as menores perdas.'' Mais um pouco de Marco Túlio Cícero
BIZARRICE No PFL, seguraram a ficha do Paulo Pimentel. O ex-governador atribui ao Carvalhinho como interessado em evitar que ele furasse o acordo branco Lerner-Alvaro Dias, evitando sua candidatura ao Senado. Quando dizem ''essa é do carvalho'' nem sempre se trata do Carvalhinho.
GLOSA O apostador diz que jogou a aposta ''vitoriosa'' da Megasena no lixo. Não dá para compará-lo com o governo estadual, que joga o patrimônio público num aterro sanitário. Ele, o apostador, o fez por descuido; o governo, não.
AXIOMA Depois de garantir mais cinco anos de isenção de ICMS para que as montadoras não deixem o Paraná, só falta o governo obrigar todo o barnabé estadual a ser sócio da Renault e da Audi-Volks. Ora, mais do que todo o povo já é (sócio compulsório) se torna impossível. É. Essa iniciativa das privadas está cada vez mais dependente do setor público, o que é uma contradição em termos.
SPRAY Bronca no momento é contra os cambistas que cobram preços superfaturados pelos ingressos do jogo da Seleção. Eles sempre existirão seja num espetáculo do Teatro Guaíra, na Pedreira Paulo Leminski, num estádio de futebol ou numa disputa da Fórmula 1. - O atravessador é uma constante no capitalismo. Quando uma montadora resolve fazer seu próprio núcleo de comercialização esnobando as revendas há uma espécie de fim do mundo. - O cambista é um operador (claro que alternativo) da compra e venda. Pretender prendê-lo e fazer a apreensão dos ingressos para a venda aos preços normais ao público é uma idiotice. - Quem controla a CBF e federações como a nossa? Quem controla os clubes e até que ponto não seriam eles coniventes com esse tipo de operação? - Uma questão a ser analisada esta semana, entre as demandas legais, será a da impugnação do registro de Hermas Brandão sob o fundamento de que ele foi defenestrado pelo PSDB por falta grave (dupla filiação) e que a legislação o impediria. - A perda da ação popular no Tribunal Regional de Porto Alegre por parte dos grupos Mário Petrellli-José Carlos Martinez, relativamente à transferência da TV Carimã, pode criar embaraços políticos ao presidente do PTB, cuja rede já se encontra sob intervenção de um credor maringaense. Petrelli é vinculado a Bornhausen e Martinez é o avalista da viabilidade da candidatura de Ciro Gomes.
FOLCLORE Sábado, Boca Maldita, os que foram expulsos, impinchados do poder, pelo povo nas anteriores e mais recentes eleições, faziam manifestos em favor do ''impeachment'' do governador. É o roto a rir do remendado
CROMO O mercúrio se atomiza em múltiplas esferas: é o azougue, argento vivo.
AFORÍSTICO Também na Internet se pratica o garimpo, mas de cada mil toneladas de cascalho e inutilidade é que se acha um minúsculo chibiu (fragmento escuro indicador remoto de sítio diamantífero).
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