Luiz Geraldo Mazza
Descobrir bravatas no que diz Leonel Brizola é a redundância do óbvio. Com suas lamuriosas referências às perdas internacionais - quase empregadas naquela propaganda do sapato 752, que já pertenceu ao Maluf hoje às voltas com ovos e penas de galinhas, já que as dos códigos não o alcançam - virou a expressão do que há de mais arcaico no pensamento político, impensável em quem chegou a impressionar, tempos passados, a Internacional Socialista. Agora ele colhe o que semeou: as perdas nacionais de quadros num partido que dirigiu como um protetorado. Perdeu Dante de Oliveira e agora vai se dar com Lerner, o que ele pretende, com suas cobranças, tanto num caso como no outro, como ausência de lealdade e reciprocidade.
Para ameaçar Lerner - o que aliás todos fazem, dada a fragilidade do nosso governador que não gosta de riscos e tenta uma fórmula até de eleger-se sem disputa, envolvendo o PSDB - o caudilho afirma dispor-se a disputar pelo Paraná tanto um pleito majoritário como o de governador ou senador ou um proporcional para federal ou estadual. Regiões que melhor assimilam Brizola são o Rio de Janeiro, vidrado em figuras bizarras, e o Rio Grande do Sul, sua terra natal e onde praticou as maiores façanhas de sua carreira na encampação de empresa ianque e a resistência ao veto militar à posse de Jango na sequência da renúncia de Jânio Quadros.
Para evitar explorações melodramáticas, como as que o engenheiro fez ontem pelas rádio Clube e CBN, Lerner deve antecipar-se, interrompendo a reflexão em que se envolveu e precipitando a sua saída do PDT, antes mesmo da chegada de Brizola por aqui na segunda-feira. Ambos se merecem: Lerner por ter sido todo o tempo um simulacro de pedetista e Brizola por acomodar-se no relacionamento postiço de pura conveniência eleitoral.
Lerner quer tudo, garantias extremas, razão pela qual a cúpula federal tenta convencer Álvaro Dias de que o melhor para FHC é ele sair em dobradinha com o governador na cabeça e ele para o Senado. Dá para imaginar a tucanada regional nadando na própria baba e até com alguma razão por não ser justo abrir mão dos espaços duramente conquistados.
BIZARRICE Jony Varisco prometeu uma ação contra os senadores Requião e Osmar Dias apoiada numa coleta de um milhão de assinaturas por causa do bloqueio aos empréstimos. Só que até agora nada fez a não ser entrar com um pedido formal de sindicância junto à Corregedoria da Câmara Alta contra o senador Requião por usar a franquia postal para propaganda pessoal e proselitismo eleitoral. Tenta aquela jurisprudência do caso de Humberto Lucena e dos calendários, mas não cola. Lucena foi condenado pelo STF e anistiado por FHC. A folhinha de Lucena era bem menos propagandística do que as mensagens requiônicas.
SPRAY Quem está amuada é a cúpula alvarista do PSDB no Paraná com as manobras do vice presidente Marco Maciel para que Lerner encabece a chapa e o presidente da Telepar seja o candidato ao Senado.- O recado já foi dado, mas, é claro, os prejudicados negam. Álvaro mostra pesquisas de empresas regionais em Carambei, Salto do Lontra, em que estoura.- A cúpula federal tem as do Datafolha e que mostram Lerner disparado na frente, inclusive superando o próprio FHC em Curitiba e aparecendo bem em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa não dá para trucar.- Acomodações partidárias dos lerneristas não serão fáceis. Ponta Grossa é um exemplo: o PFL local fecha as portas para o Zuk.- Aliás a Capital Cívica estava agitadíssima ontem. O prefeito Jocelito Canto fazia nova reforma secretarial, tirava o gerente João Carlos Gomes e o Reinaldo de Almeida César. Djalma, o pai, e que figurou como vice, rompia com Jocelito e suspendia a sua viajem junto com o burgomestre à África do Sul.- O presidente da Câmara Municipal assume em meio ao tiroteio.- Ontem, pelo menos na parte da manhã, não havia ainda água no Pinheirão e mesmo assim o presidente Onaireves Moura insistia em fazer o jogo do Atlético e Goiás. E na Federação de Futebol, além das privadas fechadas porque não havia como usá-las, estavam cortados o telefone, o telex e o fax, obviamente não pagos.- Semanário Hora H fez confusão com uma declaração minha: o Sérgio Malucelli e não o Joel é que está envolvido no Clube dos 60 da fraude do ICMS. Aliás mantém um bingo que foi instituído em nome do Irati quando este clube é de outra cidade e também não consta que preencha o requisito da prática de esportes olímpicos.- Outra coisa: chamo a sociedade curitibana de galinha e não o Onaireves pela circunstância elementar de ela prestar vassalagem também a ele como se não tivesse um mínimo de juízo seletivo.- Apesar da elegância e diplomacia com que se refere à herança de Rafael Greca, o prefeito Taniguchi está queimando massa cinzenta para driblar o efeito cascata de um déficit de R$ 250 milhões entre dívidas de curto e longo prazos.- Já aumentou a receita em 10%, mas muitas empresas estão migrando para cidades satélites para pagar menos ISS, por exemplo.- Para evitar que Requião e Álvaro explorem as contas de Lerner, Aníbal Khury exige que se faça o mesmo com as deles, isso é que passem também pelo crivo da Assembléia. Justíssimo.-
FOLCLORE Funcionários estaduais fazem greve dia 29. Não esqueçam da mulher do cafezinho: se ela aparecer, vai dar a impressão que tudo está normal.
CROMO Quando Lerner desenha o mapa do Paraná no papel em branco o poema de Mallarme, que elogia a página não escrita, ganha o máximo sentido.





