Luiz Geraldo Mazza
O que predomina na história da humanidade: a submissão ou qualquer forma de resistência? A submissão. Para cada Spartaco há 1 milhão de puxa-sacos iguais aos que vivem ao seu lado. Outro detalhe: tanto esse herói que levantou os escravos e gladiadores como Ganga Zumba ou o guerrilheiro Chê Guevara são celebrados e mitificados porque perderam e morreram. E ficaram ''encantados'' como proclama com acerto Guimarães Rosa, que entendia de transcendência.
Como diz Antonio Negri, filósofo das Brigadas Vermelhos, equivocadamente a história consagra o silêncio dos derrotados. São os que mais berram, através dos seus ''médiuns'', historiadores inclusive, militantes.
Da mesma forma que não se deve ceder à chantagem do terror, que construiu o épico da barbárie em Nova York e Washington, sob o pretexto de que seria a voz indireta dos explorados e excluídos, não se pode admitir, ainda que vivendo numa ordem militarmente hegemônica, essa imposição norte-americana de que a sua causa seria a de todos, restabelecendo o maniqueísmo da Guerra Fria e a imposição de supostos valores cristãos e ocidentais.
Nunca, porém, tivemos um cenário mundial com tantas condições de reproduzir, em termos geopolíticos e militares, os valores do despotismo, agora sem a menor chance de merecer a qualificação de ''esclarecido''. A própria situação de dependência do Brasil, que transforma o seu governo eleito pelo povo numa capatazia do FMI, é prova de que concretamente, em que pese as aparências em contrário, na doutrina conivente do Direito Internacional, não passamos de uma não politicamente organizada sob tutela.
O pior de tudo é suportar a algaravia dos candidatos a presidente e aos governos estaduais, a pretexto de incutir esperança nas pessoas, acenando com saídas impossíveis. O PT, a mais credenciada das forças de oposição, sugere ter uma alternativa ao que aí está, mas não a tem. Basta pedir a qualquer um dos seus doutrinadores que a detalhe e veremos a farsa retórica. Consequentemente, estamos condenados a um imobilismo como aliás o claramente revelado por essas greves da área pública e que nada alterarão.
GLOSA
Requião descarta aliança com o PDT, mas é contestado por Nereu Moura, deputado estadual, que a aprova. Será que começou a democracia no PMDB ou um não sabe o que o outro falou?
BIZARRICE O anúncio do governo em defesa das privatizações e mostrando como seus adversários figuras antipáticas (o arquétipo petista é dominante) sugere que um dono de oficina mecânica estaria triste com o pedágio porque as estradas estavam tão boas que não mais criavam problemas nos carros e isso lhe roubava os clientes. A canalhice, como se vê, pode ser sublime.
AXIOMA Vários secretários do governo Lerner são ligadíssimos em jogo e velhos frequentadores dos cassinos do Paraguai e Argentina. Um deles, desatento, viu na estante de uma revistaria em aeroporto o subtítulo em destaque gráfico de uma obra do filósofo e cientista político italiano Norberto Bobbio ''As regras do jogo''. O título principal era ''O futuro da democracia''. Cuidado, pessoal, com a advertência da pitonisa: ''Feliz no jogo, ruim no amor'' e vice-versa.
EPIGRAMA Hoje é o Dia do Perdão dos Judeus: José Richa será perdoado?
SPRAY Os precatórios, que já levaram o governo a perder ações da Copel no saneamento do Banestado, podem levar Cassio Taniguchi à lona: é acusado de haver ''furado'' a fila duas vezes (uma delas o caso do ex-secretário de Requião e ex-presidente do Tribunal de Alçada Luis Gastão Franco de Carvalho) e por isso está sendo processado pelo Ministério Público. - Incrível em tudo isso é que o senador Requião foi o relator da CPI dos Precatórios e apesar do esforço feito em conjunto com o senador (já falecido) Kleinubing para pegar o pessoal aqui do Paraná, a tchurma escapou e só foi aparecer quando o Banestado, já saqueado, definhava. - A pauta de reivindicações dos professores, como incluiu a exigência de preservar a Copel, poderia claramente pleitear algo sobre a guerra do Oriente Médio, o que no mínimo seria encarado como um gesto de generosidade. - A Endesa (espanhola), que está entre as interessadas em arrematar a Copel, declarou ontem que o momento não é oportuno para o lance da licitação. Não é a primeira que fala. Nesse assunto o governo Lerner é rigorosamente paranóico. Já superou a neurose há muito tempo.
FOLCLORE Diante da resposta, até diplomática de Lerner, Richa se tornou meio impaciente e promete, lá na frente, no momento certo, dizer coisas que sabe e que certamente assombrarão o império. Como o ritmo de Lerner e Richa são muito parecidos é de concluir-se que isso fosse para uma quadra de tênis eles jamais terminariam o primeiro game.
CROMO Estou aqui sob o canto interminável das sabiás e sem saber como verter essa onomatopéia em linguagem escrita. Se nem o Zeca Leite o consegue, quem poderia fazê-lo? Talvez uma criança, dessas que têm visão luminiscente.
AFORÍSTICO O que separaria Richa de Lerner seria a Faixa de Gaza ou algo como as colinas de Golan. Se fossem as do Gulin seria mais fácil, ainda mais depois desses acertos em cima da Copel.
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