O imaginário paranaense, por obra e graça dos governos dos anos 50 para cá, é tão alimentado de mitos que melhorou a nossa auto-estima e solapou a nossa visão crítica dos acontecimentos. O conformismo brotou ao natural por essa ação nem sempre responsável dos governos com o seu ufanismo pegajoso. Alguns até acertaram como o de Ney Braga, que lançou os fundamentos da integração física do Estado na sequência da pregação de Munhoz da Rocha em torno das virtualidades e do modo de ser paranaense.

Estão aí os ''teasers'', slogans, logomarcas, com pretensão de idéia-força, a povoar o imaginário coletivo com maior frequência do que os símbolos reais do Paraná. A soberba permeia tudo isso e nega a realidade: Paulo Pimentel, com intenções de estimular a auto-superação, sacou o ''Paraná, segundo Estado do Brasil''. Até hoje perdemos em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que cruza dados sociais e econômicos, para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E no campo exclusivamente econômico somos o segundo do Brasil Meridional.

Se Ney Braga fincou a infra-estrutura econômica que integraria o Paraná, o atual ciclo, que de certa forma é uma continuidade daquela liderança, é o da atrofia estatal em oposição aquele que teve resultados revolucionários, como se quiséssemos chegar a esse minimalismo governamental a curtíssimo prazo. Isso, porém, compensado pelo novo perfil industrial centrado majoritariamente no capital estrangeiro e nas montadoras, que nos libertou da dependência de São Paulo, conferiu maior dinamismo interno, sem trazer, no entanto, as vantagens prometidas que levariam a classe operária ao paraíso.

O Estado se torna minimalista com a promessa de que o que dele sobrar se ocupará da saúde, educação e segurança. Mais um embuste. A impressão forte que fica da área estatal no Paraná é a da lesma que se dissolve com o sal. Renault saiu outro dia das férias e agora suprimiram o terceiro turno na Audi-Volks, sinais de uma área sensível à recessão possivelmente globalizada. A Chrysler já se mandou: é a realidade contestando o modelo tão badalado.



BIZARRICE

Há mais de 50 mil professores no Paraná. Menos de 1% deles (441), em assembléia da APP, por 222 a 216 decidiram pela greve. Imaginem se declaração de guerra fosse decidida por seis votos e ainda por cima com três abstenções





AXIOMA O que há de citador de frases alheias por aí é de assustar. O que é mais útil: um tocador de cítara (citarista, citaredo) ou um citador?



GLOSA Eleições do PT se constituem num acontecimento relevante para a nossa escassa experiência de democracia interna. Partidos aqui não passam de feudos e marcados pelo personalismo. No Brasil, é mais fácil uma guerra intestinal do que uma democracia intestina. Mirem-se no exemplo do PSDB regional.



EPIGRAMA A mestra em história da universidade paulista é perguntada se havia analogia entre o ataque a Nova York e ao Pentágono e o havido, em 1941, contra Pearl Harbor pelos japoneses. E respondeu: ''Eu nem havia nascido.'' E ainda há gente contra o ''Provão''.



SPRAY Várias categorias, entre elas professores da rede pública e também os do 3º grau, anunciam greves. Responde o governo: os dias parados serão descontados. - Pretende-se 50% de reajuste quando mal há recursos para pagar a folha do mês. Tanto que o terço das férias está em atraso. - Como não há forma de atender, dá a impressão que se a greve prosperar a idéia da venda da Copel faz proselitismo, porque residiria aí a única hipótese de haver grana para o atendimento das demandas. - A assembléia dos professores com 441 pessoas é ''quórum'' pouco qualificado para decidir uma greve e por apenas 6 votos de diferença, na verdade três porque houve abstenções. - Como se vê, não é animador na perspectiva da mobilização o cenário para a greve e isso na categoria mais aguerrida de que dispomos. - Nem as greves federais e muito menos as estaduais se mostram valorizadas. Em algumas unidades federativas, os pais têm obtido na Justiça o direito de os filhos terem as aulas. Democracia é assim: sem esse tipo de contraditório pode ser tudo menos um regime de liberdade. - Tuiuti fez o vestiba de julho para Direito e agora não há professores em várias cadeiras. - No Banestado, o Itaú tira as manguinhas de fora para um novo período de caça a servidores. Gente às vésperas de completar a aposentadoria está recebendo cartinhas de dispensa. - Mortes no Parque Iguaçu, zôo metropolitano, mostram o quanto a prefeitura é imprevidente. Urge mudar o sistema de circulação porque são comuns os acidentes com automóveis nas cavas. Não esquecer que ônibus escolares trafegam por lá como atividade extracurricular. - Estão abastecendo barcos em Paranaguá com diesel inadequado. Vai acabar em explosões. Não se sabe quem deve fazer a fiscalização. Capitania diz que não é de sua alçada.



FOLCLORE O PSDB real, o que existe nacionalmente, tem dificuldades para reunir-se na sede da instituição, que é como Formosa em relação à China Continental, para evitar cenas melodramáticas com alvaristas se acorrentando na porta. Por sinal que Alvaro Dias fez advertência quase em tom palestino para os que entrarem no PSDB e que correrão o risco da inelegibilidade.



CROMO ''Roubando-me tudo// o ladrão só me deixou// a lua à janela'' Haicai de Delores Pires no mais novo título da coleção ''Brasil Diferente''.



AFORÍSTICO Se a escala de ódio vier comer quibe e tabule, ele pode ser olhado como atividade antiamericana. Isso aconteceu antes, com o macartismo.



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