Luiz Geraldo Mazza
O cronograma curto
Está ficando cada vez mais curto o cronograma dos interessados no controle do PSDB regional, ainda mais depois da liminar concedida em favor do senador Alvaro Dias dando moratória ao seu processo de expulsão. Pelo jeito, o senador quer dar cansaço nos seus adversários, transferindo-lhes problemas num momento em que o espaço encurta para depurações de longo alcance e ajustar aspirações eleitorais ao rigor do calendário.
Teriam os governistas, diante das dificuldades criadas, tropas de ocupação suficientemente numerosas para preencher os espaços, e os oposicionistas (na verdade, rigorosos oportunistas com o seu provincianismo brancaleone, mas sem a dignidade daquele exército caricato do filme italiano, Vitório Gassman à frente), estariam seguros de que o prazo, para manter ao mesmo tempo a luta e a alternativa de outra sigla, seria suficiente?
Para tudo o tempo se mostra inelástico. Não haveria prazo para impedir ainda a venda da Copel, seja no front político, este mais estreito, ou no judicial. E também o governo se encontra numa situação-limite, já que se houver embaraços que retardem ou bloqueiem o leilão, estará ''ralado'', sem condições de honrar sequer as folhas de pagamento do funcionalismo.
Outra questão de cronograma: mesmo que tudo seja feito como está previsto, como faria o governo para investir em 10 meses, com um mínimo de ordenamento, a sobra do leilão, especialmente nos municípios, e com isso tentar, pelo revigoramento interno, a tão esperada ''virada'' eleitoral?
Falar em cronograma depois do que houve em Nova York e Washington é acreditar demais nas artes de antecipar-se a acontecimentos inesperados. E também negar aquilo que os filósofos insistem em mostrar, ao contrário dos racionalistas, que o acaso é uma peça relevante da história, quase tanto como a vontade e a necessidade, apesar do desprezo a ele concedido pelo materialismo dialético que tudo reduz a uma soma de fatores determinados pela economia e a cultura.
EPISTEMOLOGIA
De repente as ''razões de Estado'' se aproximam, e muito, das razões se é que existem do terror
BIZARRICE Consta que especialistas em segurança dos Estados Unidos estariam interessados em conhecer os alambrados do Centro Cívico de Curitiba como fator dissuasório de atentados. Nada disso, lembra um cínico, assegura que o pessoal do outro lado das cercas não praticará também atentados à sua moda, como de certa forma por aqui acontece.
AXIOMA ''O que é mais infame do que um parlamentar, sem ter um encargo definido, ir a uma missão ao exterior, sem instruções, sem nenhuma função ligada ao Estado?'' Essa pergunta de Marco Túlio Cícero, na Roma clássica, meio século antes de Cristo, constrangeria parlamentares estaduais e federais. E também alguns dos maiores viajantes do Executivo.
GLOSA Como explicar que o sequestro de Silvio Santos teve mais audiência do que o terrorismo nos Esteites anteontem? E convenhamos que a cobertura do fato mais recente foi bem melhor sob qualquer aspecto em documentação, conteúdo e análise. O fato local e a figura popular do sequestrado talvez justifiquem.
EPIGRAMA Há o terrorismo radical dos fanáticos isolados, mas há o terrorismo de Estado, oficial e não menos cruel e injusto. Em ambos uma simetria: quem paga o tributo maior é o inocente. Teme-se que a retaliação anunciada pelos norte-americanos, compreensível numa certa medida, não se transforme numa ação de xenofobia. Em 1941, na sequência de Pearl Harbor, japoneses dos Estados Unidos foram segregados como se estivessem em campo de concentração.
SPRAY Gesto inútil: estudantes fecharam BRs para alertar sobre os riscos que ameaçam o ensino público e gratuito. Só que o da universidade privilegia, em maioria, os segmentos das classes média média e média alta. - O trancamento do ano letivo pelo Conselho Universitário é mais eficiente e concreto do que as greves que em décadas nada resolveram. - Fechar estradas cria má vontade com o movimento. Assim com eles, os sem-aula, assim com os sem-terra, razão da baixa credibilidade desse movimento na opinião pública. - Criatividade é melhor do que a repetição desses rituais como aquele, irritante, de queimar pneus para reforçar barreiras. Um bom exemplo foi o da dramatização havida no HC, embora não pareça razoável a resistência à cota de 25% para pacientes dos planos de saúde, também brasileiros e que pagam impostos. - O contêiner adaptado como prisão em Fazenda Rio Grande é menos desumano do que as cadeias do Paraná? Essa a questão. Se endurecerem as normas, tanto as prisões como as penitenciárias não passam na vistoria. Basta a Justiça tirar a venda do olho.
FOLCLORE Dizem que a Fundação Cultural (isso está num manifesto hostil ao seu presidente Cássio Chamecki) não prestigia os cirquinhos de bairro. Pelo jeito não quer concorrência com os do Centro Cívico.
CROMO No mundo de compensado, encerado, papelão e serragem do circo a estrela verdadeira é aquela que um rombo no pano da cobertura revela no céu e com o mais intenso brilho.
AFORÍSTICO Certa vez disse que Lerner era um repertório esgotado. Estava enganado: cada momento surpreende mais. Até na queda.
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