Luiz Geraldo Mazza
Há o ''novo'' no Paraná?
Fala-se insistentemente que o eleitor estaria ansioso pelo ''novo'' na política. Tanto no plano nacional como no estadual é difícil divisar quem ou que grupo o representaria, apesar de nem sempre o ''novo'' se constituir no mais adequado como se viu no caso Collor, que apesar de ter sido prefeito e governador, poderia ser encarado dessa forma em nível nacional.
Obviamente os senadores Alvaro Dias e Roberto Requião não se enquadram como tal. E dos disponíveis, poderiam ser listados pela oposição o deputado Ângelo Vanhoni e o senador Osmar Dias; pelo situacionismo, apenas Cassio Taniguchi. Há quem considere o deputado federal Rubens Bueno como listável, mas ele não detém as condições de densidade e capilaridade eleitoral dos citados.
Como se vê, o ''novo'' tem um tom de ''requentado'', mas está bem à frente como possibilidade teórica do que os preferidos nas intenções de votos. Até porque menos expostos à mídia e sem o ônus das repetições intoleráveis de frases e gestos que levam a lugar nenhum.
O fato é que a procura do ''novo'' leva a muitos equívocos como estamos notando em movimento de vereadores, em Curitiba, que realmente são jovens cronologicamente, e que buscam preencher esse horizonte de possíveis aspirações coletivas nas quais, sem qualquer humildade, acabam se inserindo como salvadores.
Alguns, como se fossem uma espécie de reencarnação do Dorian Gray, pintam o cabelo e se dirigem aos jovens, posto que passados dos 50, só faltando usar bermudas (ou aquelas calças de esqueitistas que terminam na canela), botar brinco na orelha e tênis em lugar de sapatos, sem faltar, é claro, o boné esportivo com grife americana e a tradicional aba voltada para trás.
O ''novo'' não é um dado cronológico, mas uma questão cultural e de estilo comportamental. Da mesma forma que Lerner, melhor opção do que Alvaro e Requião e demonstrada em um só turno, degradou, também está sucateado aquele estilo repetitivo e nauseante de oposição apenas retórica, primariamente moralista, e sem proposta de efetiva ruptura com o que aí está.
Além do mais, o passado ratifica a penosa e melancólica impressão. É o que valoriza Vanhoni, Osmar e Cassio. O primeiro como representante de um partido, o PT, que parece deter uma proposta de mudança e dentro das regras do jogo democrático, e os dois restantes por terem demonstrado capacidade de gerenciamento das áreas em que atuaram até agora.
AFORÍSTICO
Requião está dizendo que foi o grande vencedor da convenção do PMDB ao ver aprovada a moção anti-FHC. Que não terá qualquer resultado prático
BIZARRICE Aí aquele dirigente do PTB fazia um lamento que vinha lá do fundo de sua alma: ''Para o filho do Richa eles deram um cartório e para mim a tarefa de cuidar do Cartário.'' A diferença de uma letra pesa bastante. Como pesa!
AXIOMA Depois da chegada em massa de novos tucanos, antialvaristas, no PSDB, fica a clara impressão para os que sofreram a invasão de que entraram naquele nicho alguns chupins, aquele tipo de ave que leva seus ovos para que outros os choquem, os tradicionais vira-bostas. De vira-casaca a vira-bosta é fogo!
GLOSA Atuais governantes não correm o risco de parar na Prisão Provisória do Ahú, como volta e meia sugere o senador Requião. É que também está à venda.
EPIGRAMA Lerner se destacou no arranque de sua carreira como prefeito em união com o seu ex-sócio de escritório de arquitetura Marcos Prado. Marcos cuidava do Detran, que foi chave para o sistema de circulação e adoção do Calçadão, que tanto projetaram a gestão. Agora Marcos Prado aparece como o autor do projeto do Arquivo Público, o que ao menos afasta, em parte, a impressão de que tivesse sido ''arquivado'' pelos companheiros de luta pioneira.
SPRAY Hoje a direção nacional do PSDB deve designar o grupo de transição que assume a reorganização do diretório regional. - Como vai haver pendência no Judiciário, os nomes provavelmente não serão os dos efetivos comandos. Em farmacologia há o princípio ''similia similibus curantur'' que é da homeopatia. No caso, teríamos laranja contra a laranjice. - Muitas reuniões com Affonsinho, Hermas Brandão, marcaram o dia de ontem. Affonso teria retirado, como condição preliminar, a assinatura da CPI da Corrupção que firmara como integrante do PFL. - Guaratuba teve guerra contra a poluição sonora no feriadão e pelo menos 20 menores foram enquadrados como burladores da norma com o som dos automóveis fora da margem de tolerância. - Quem foi ao litoral se irritou mais uma vez com a ALL/América Latina, que não coloca sinalização na passagem de nível na direção de Morretes. Um advogado, que pilotava moto, quase morreu na quinta-feira passada, porque na primeira entrada de Morretes o usuário sai de uma curva e já cai na passagem de nível. Outros que bateram no trem: o prefeito de Curitiba e ainda um ônibus do Positivo. A ALL não está nem aí.
FOLCLORE O deputado Ribas Carli sacou um argumento bem de campanário para defender a privatização da Copel, mostrando que a empresa particular de Guarapuava, de caráter municipal, cobra tarifas bem menores do que as da estatal. Segue, enfim, aquele ditado: ''Quem não canta a sua aldeia não está em condições de falar do mundo!'' Porecatu não cobrava IPTU, mas nem por isso era melhor do que os demais municípios. Até porque vive na dependência de um complexo sucroalcooleiro que faz da cidade algo parecido com um feudo.
CROMO A Patrícia Poeta anunciando a onda gigante na televisão. A glória de um Juízo Final aceitável com sorriso e beleza.
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