Mais uma entidade pretendendo agregar ambientalistas foi criada ontem em Curitiba: uma federação voltada para o assunto. Prova em primeiro lugar de que o espaço democrático dessa luta é bom, em segundo que Curitiba está longe de ser um exemplo e em terceiro que está havendo poluição de instituições, tratando do mesmo assunto, com superposições mais estranhas do que as reveladas no Kama Sutra.
Há um tema seríssimo para ambientalistas na revelação do crescimento atípico da Região Metropolitana, conforme os sensores do IBGE: um acréscimo de 80 mil pessoas ao ano, de 91, data do Censo, a 96. Como o governo, tanto o estadual como o municipal, se sente acuado pela revelação, já que decantou mentiras sobre a cidade e a sua qualidade de vida, tenta justificar-se, tal qual faz no caso dos protocolos das montadoras, na base do sofisma, sugerindo que se trata de questão superficial, de lana caprina, como dizem os doutos, e não de um desafio com difícil resposta.
Como os prestidigitadores, Lerner insiste em fazer aquele desenho do mapa do Paraná em papel branco, ritual cada vez mais parecido com o empenho lúdico das crianças que ele estimulou a brincar de Portinari na rua das Flores. Desde a campanha eleitoral, o governador, como se voltasse à prancha de arquiteto, faz o perfil do estado e nele insere ideações como o anel de integração e a tal da Costa Oeste ou aquele canal delirante entre Pontal do Sul e Matinhos. Não tem dinheiro pra nada, não paga fornecedores e empreiteiros, mas bola absurdos como os tais ‘‘Jogos da Natureza’’ que deram aquele vexame no Rio.
Pois enquanto o governador simula governar, repetindo o entediante mapa ou decantando feitos improváveis na televisão, sabe-se que a COMEC, por exemplo, opera com base cartográfica de 1980. Foi preciso que ambientalistas da Liga Ambiental, da S.O.S. Mata Atlântica e junto a Associação de Empresas de Aerofotogrametria, mais patrocinadores, tomassem uma iniciativa com atualizada interpretação fotogramétrica da Grã Curitiba para que se pudesse ter nos mosaicos desse levantamento a evidência do estrago havido e revelado no IBGE. Esse trabalho está em fase final e mostrará a ausência de planejamento de usos do solo, a agressão às áreas de preservação, os riscos com a questão dos resíduos, tocada de forma empírica e ‘‘justificada’’ na propaganda.
Essa realidade contrasta, como diz José Alvaro da Silva Carneiro, da Liga Ambiental com o que ele chama de ‘‘flauta panglossiana do marketing a tocar forte no ego curitibano que gosta de pensar que está bem conduzido’’. Mais uma observação do ambientalista: ‘‘O governo precisa rever sua postura e resgatar a memória do governador/arquiteto, que um dia já foi um planejador regional. Será possível?’ Precisamos ter orgulho dos automóveis que produziremos, mas também da água que bebemos isenta de organoclorados e organofosforados e, sobretudo, de colifecais que estão mais perto de nós do que as montadoras.
BIZARRICE O governo mata cachorro a grito: está aceitando o escambo (troca de mercadoria por mercadoria) nos acertos fiscais. Como já dissiparam a reserva do 13º do funcionalismo estadual, que era providenciada pelo Miguel Salomão, espera-se que esse abono natalino não venha a ser pago em mercadorias como bicicletas Sundown Bike, liquificadores e geladeiras da Electrolux. Afinal ninguém fala tanto em parceria como esse governo.
SPRAY ‘‘Lerner pode ganhar medalhas no exterior, mas do Atlético ele não ganha comenda.’ Comentário de conselheiro apoiando veto de Mario Celso Petraglia.- Justiça Eleitoral cobra da prefeitura de Curitiba os gastos em institucionais durante a campanha eleitoral. Coisas do PSDB. Período examinado é o de julho a outubro de 95 e 96 para ver se houve excessos. Apenas 8%. É pouco. FHC, dos tucanos, vai gastar e gastou muito mais.- Funcionários estaduais sabem que o caixa esvaziou, mas vão pedir aumento que não conseguem há três anos. Professores, que tiveram aumento de 117%, serão o carro-chefe, o que não deixa de ser uma ironia.- Aliás estão preparando um 30 de agosto parecido com aquele que tirou Álvaro Dias do sério, coisa que não ousaram contra Requião.- Vestir um santo e despir outro: com essa política de cobrar pedágio um caminhão pagará R$ 166 de Foz do Iguaçu a Paranaguá e isso vai agravar custos da exportação e mexer na inflação. Mas os políticos (artistas que fazem omelete sem quebrar ovos) dirão que não há problema. O negócio é sair por aí com narizinho falso de palhaço para mostrar que parecemos, mas não somos palhaços.- Cecílio Rego Almeida seguiu ao pé da letra a música do Paulo Vanzolini, aquela do ‘‘levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima’’ : ganhou a banda b da telefonia celular e a licitação da Br 277, no trecho Curitiba-Paranaguá.- Em Ponta Grossa a crise atingiu o Corpo de Bombeiros da cidade que se viu obrigado a reduzir a carga horária de 8 para 7 horas porque a corporação não tem grana para o rancho. E haja ‘‘Jogos da Natureza’’ que impeçam incêndios para o bem de todos, inclusive do governo omisso.-
FOLCLORE Afinal os protocolos das montadoras serão conhecidos antes ou depois da definição político-partidária do governador Jaime Lerner? Esse ritmo de atender curiosidades é apropriado para quem tanto esperou o ano 2.000.
CROMO O pataxó queimado é um sinal abrasivo em nossa consciência e mostra como somos um país de desiguais.
AFORÍSTICO E que tal se uma ala do PFL ameaçasse vetar Aníbal e Lerner? Seria no mínimo criativo, divertido e próximo da justiça poética.

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