Luiz Geraldo Mazza
O veto a Taniguchi
Por que os tucanos do campanário mal despistados (''laranja madura//na beira da estrada// está bichada// oi, Zé// ou tem marimbondo no pé//'') aceitam Richa, Scalco, mas não admitem, em hipótese alguma, o Cassio Taniguchi na imaginária composição, ainda ontem negociada em Brasília? Simples: é o único do time governista que pode enfrentar a oposição e até ganhar. Aliás, na cúpula do PSDB nacional há a resistência a pefelistas do tipo Jaime Lerner e Rafael Greca e não se trata do grupo alvarista.
Cassio Taniguchi é o que restou do espólio. É o mais qualificado de todos porque une à formação técnica (o que inexiste na oposição discurseira) a de caráter político. Percebeu-se o peso de sua ausência no governo Lerner quando foi para a prefeitura: os espaços que ocupava nas áreas técnica e política não foram preenchidos nem por toda a equipe secretarial. As decisões que podem ser chamadas de estratégicas, como a da abertura à industrialização de ponta, tinham nele o seu melhor intérprete e alguém capaz de formular uma doutrina consequente sobre o polêmico tema das concessões ao cosmopolitismo.
Surpreende a informação de setores do PSDB de não haver interesse no concurso de Lerner e Rafael Greca, um desgastado regionalmente, outro nacionalmente por sua passagem, sabidamente desastrosa (o que não significa que sejam aceitáveis as acusações genéricas de ter levado vantagem com os bingos, o que jamais ficou claramente provado) em função daquele festivismo fracassado das comemorações dos 500 anos, especialmente o episódio constrangedor da nau Capitânea que parecia repetir o drama daquela outra que o prefeito Lerner havia colocado no Parque Regional do Iguaçu e que atolou na lama.
Quem dos dois grupos o que saiu porque a turma do Alvaro entrou ou o que pretende sustentar uma laranjice do cavalo de Tróia para ganhar o governo tem moral para vetar esse ou aquele como se estivessem num clube granfo com as bolas pretas para rejeitar novos associados? De qualquer forma, convenhamos, essa novela do PSDB nacional em conflito com o estadual tem tudo de espetáculo mambembe, daqueles cirquinhos de bairro.
BIZARRICE
Por que a ala criativa do lernerismo não institui a Liga da Social Democracia? LSD pegava bem. Psicodélico de cores berrantes para abafar o berro precário das oposições
AXIOMA Se a Prefeitura de Curitiba não segue a Lei de Licitações, como é que pode transformar esses rituais em ação lícita?
GLOSA Esse trocadilho ação lícita oposta à licitação faz-me lembrar de um outro, clássico, do Emílio de Menezes no tempo em que a moda em Curitiba era o positivismo. Ele andava pela Praça Osório e alguém perguntou:
-Mestre, vais ao apostolado?
-Não. Vou pro lado oposto!
EPIGRAMA Como a Argentina lançou a moeda patacone (está entre a URV brasileira e a moeda regional), o pessoal do governo estadual já se assanhou. E já há até um nome: copelione.
SPRAY A suspensão do ano letivo na Universidade Federal, embora aparentemente de cúpula porque adotada pelo Conselho Universitário, é mais eficaz e tem maior poder de barganha do que greves inócuas que se desmoralizaram pela repetição e inocuidade. - Estabelece interlocutores mais credenciados do que o suposto alarido da massa, o que não significa que a entidade dos professores deva ficar de fora. Não para aguentar o obreirismo e a discurseira flácida e os chavões do tipo ''eu enquanto trabalhador da educação...'' - Episódio da queda do comando-geral dos bombeiros e da chefia da unidade de Foz do Iguaçu mostrou algo que não é do estilo pachorrento, reticente, do governo: a rapidez na decisão. Depois da matéria documental da Globo não havia como tergiversar. - Nesse tipo de matéria, tudo depende de uma denúncia e há todas as condições para que o episódio se deva à quebra da hierarquia da PM por Lerner quando estabeleceu um fosso entre a hierarquia alta (de capitão para cima) e da intermediária (primeiro e segundo-tenentes) para baixo. - Da mesma forma que as esposas dos PMs devem em maioria ser dos estratos médios e inferior isso deve estar ocorrendo com a denúncia. Imaginem se a moda pega. Seria bom para a sociedade, mas desastroso para a corporação porque muita gente se habilitaria a denunciar o que soubesse. - Há quem esteja atribuindo aos conspiradores de biombo do PSDB (Scalco, Richa, mais o Hermas Brandão) a idéia de que há um veto igualmente para Lerner. - A verdade é a seguinte: o Brasil merece os partidos que aí estão. Se um PL, que se diz liberal, supostamente oposto à social-democracia, mitigadamente socialista, pretende a adesão de Alvaro Dias é porque o oportunismo se caracteriza como a regra mais comum.
FOLCLORE A CPI do Banespa vai ter como presidente o deputado Fleury que, junto com seu aliado, Orestes Quércia, é apontado como um dos responsáveis pela quebra do banco. E depois querem que o povo acredite nas CPIs. Seria como daqui alguns anos, a Copel privatizada, Lerner deputado federal, colocá-lo como presidente da CPI que tratasse do assunto. O PT, como sempre, nessas mais coonesta do que contesta.
CROMO Depois do skate em aventura de risco na canaleta exclusiva do expresso vem o rabo-de-cavalo no cabelo, o brinco e até o pierce. A mutação de um adolescente não chega nem aos pés da havida agora com os ipês amarelos.
AFORÍSTICO A bomba de neutrons caiu em Campo Largo com o fim da Chrysler: morrem os homens e seus empregos fica a propriedade.
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