Luiz Geraldo Mazza
Hora da bravata geral
Tanto o prefeito de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, quanto o governador mineiro Itamar Franco estão de olho na Copel como também os senadores Alvaro Dias e Requião com sua promessa de reestatizar a empresa se forem ao Palácio Iguaçu. Há uma certa sincronia de ''non sense'' e que iguala essas figuras no processo de privatização: o descompromisso com a realidade. Itamar sabe que uma estatal brasileira, mesmo que associada a uma transnacional, não pode figurar como capitânea, o que é permitido, no entanto, a uma estatal estrangeira, a francesa, que levou a Light no Rio como cabeça de consórcio e que já revelou interesse pela empresa paranaense.
A promessa de Alvaro e Requião é de um absurdo tão grande, pura bravata, e que foi desmistificada por José Dirceu, presidente nacional do PT, com relação à recompra de estatais, e que não tem força para retrair participantes da licitação ou sequer afetar a visão do mercado, mexendo no valor das ações. Essa tentativa de ''apropriação'' política do tema acaba mostrando que um não profissional, jejuno ainda na matéria, Giovani Gionédis, empreende ações bem mais objetivas ao criar dificuldades no campo jurídico e até viajando a Brasília com a finalidade de aprofundar a conspiração e com isso se livrando da denúncia de Requião de que o seu escritório daria cobertura à RWE, vinculada a um banco germânico.
Acrescente-se que o comprometimento das ações da Copel no saneamento do Banestado foi comandado pelo próprio Gionédis na condição de então secretário da Fazenda e presidente do Conselho do banco estadual. Isso não o impede de agir até sob o fundamento do ''arrependimento eficaz''. Como de resto não há sentido na provocação governista de dar uma dimensão exagerada ao ato do governo Requião, autorizado pelo Legislativo, de vender ações da Copel mas com uma destinação racional dos recursos com 65% deles na própria empresa e o restante em projetos de transportes rodoferroviários, Ferroeste no meio.
O caso Copel, sujeito como qualquer outro ao risco da entropia, é a bandeira máxima de todos os estilos de oposição. Alternativas fortes são a de criar um caso quase igual ao do projeto de iniciativa popular com o plebiscito, o que não seria fácil e atuar fortemente no front judicial, suscitando nulidades em cima de vícios formais sérios até os de natureza menor como a falta de carimbo e de selos, identificação e contestação de assinaturas, o que às vezes em nossa praxe é mais relevante do que o núcleo da matéria substancial.
BIZARRICE
Quem viu a Patrícia sequestrada falar na televisão e no rádio com aqueles apelos religiosos deve ter entendido que ou os bandidos acabaram convertidos ou não suportaram a presa
AXIOMA Até os índios caingangues querem dar a sua ''beliscada'' na Copel na Usina de Apucaraninha. Índio já não quer apito, como enunciava a música popular, mas sim apitar. No Norte do País, exigindo a demarcação de áreas, eles chegaram a queimar postes da linha de transmissão da Eletronorte. Tanto os índios do Sul como os do Norte têm mais razão na causa do que boa parte das tribos políticas que atuam no caso Copel.
GLOSA A síndrome de Arapongas mexe com o governo e tanto que a ida de Lerner a Foz do Iguaçu para receber Clinton não foi noticiada no Oeste.
EPIGRAMA A América Latina Logística (ALL) nunca tem culpa em descarrilamentos e acidentes ecológicos. Ela os atribui aos funcionários. Nunca é a linha que não é conservada, falha mecânica, via permanente deficiente, frota degradada. Está na hora de começar a cobrar pedágio dessa empresa que como as demais em nada contribui para firmar a imagem das privatizações em que FHC tanto aposta.
SPRAY O senador Osmar Dias, que sempre





