Partidos regionais



O Brasil já teve partidos regionais como o Libertador, fortíssimo no Rio Grande do Sul e que pregava o parlamentarismo. E era tão forte que foi capaz de incluir na Constituição gaúcha aquela forma de governo, o regime de gabinete, o que precisou ser contestado nacionalmente por inconstitucional. Havia, no entanto, uma idéia-força claríssima que resultara da pós-República e da própria Revolução Federalista. Minoria no País, mas de discurso e doutrina fortes, o Partido Libertador elegia deputados e senadores, especialmente no Brasil meridional.

Isso não se confunde com o personalismo do grupo alvarista que pretende fazer do PSDB uma agremiação mimética voltada para aspirações localistas quando a sua maior figura, o presidente da República, bate-se para costurar alianças em todo o País e dar continuidade ao projeto com o PFL e, se possível, com o PMDB ou ao menos com a maior parte da sua representação. É verdade que os alvaristas ganharam um argumento quando um dos cardeais do partido, Tasso Jereissati, admitiu colocar a sua base a serviço da candidatura de Ciro Gomes, que se inviabiliza assim que o PTB deixar a aliança e esgotar-lhe o tempo na TV e no rádio na propaganda eleitoral.

O mais experiente em resistências regionais é o senador Roberto Requião, que sofreu uma intervenção no diretório regional acoplada à sua expulsão quando da sequência de sua campanha do Disque-Quércia que contava com a hostilidade radical das bases nacionais. Ele e o hoje senador Alvaro Dias também foram candidatos à Presidência da República no PMDB e, derrotados, recusaram-se a dar apoio ao vencedor, como manda a boa praxe da democracia.

Colocar-se como solução acima de uma decisão soberana de convenção nacional é, no mínimo, um desajuste incompatível com a natureza orgânica dos partidos e que remeteria, na persistência, ao casuísmo do regime militar quando este adotou as sublegendas como forma de ajustar o cenário à beligerância local com raízes nas antigas legendas (PSD, PTB, UDN, PR) e adensar o consenso com a soma do próprio dissenso, algo bem ao jeito ditatorial.






GLOSA






Lerner está mudando, não se pode negar: pela primeira vez deixa de fazer viagem ao exterior e pede que Dona Emília, a vice, vá em seu lugar. Amanhã, a vice e o secretário da Habitação, Rafael Dely, seguem a Paris para a mostra das Vilas Rurais na Unesco. Deslealdade seria pedir a Emília que o representasse nas viagens ao interior como essa da semana passada em Arapongas










EQUÍVOCO Boa parte das coligações imaginadas aqui e em outros pontos do País parece incidir no mesmo equívoco. Havia um setor do PT regional querendo aliança no primeiro turno e isso foi contestado abertamente por Lula que entendeu ser um erro deixar de aproveitar a energia acumulada no pleito municipal para alavancá-lo num Estado em que tem ainda apreciável taxa de rejeição.

Ademais, apesar da falta de rigidez dos entendimentos, não será fácil legitimar, em escala nacional, dissidências como a havida em 1990, montada por grupo minoritário no PDT, e que se colocou a favor de Requião e contra o apoio de Brizola a José Richa, chegando ao cúmulo de apontar o candidato a senador e que teve votação de vereador, mas destruindo a oposição, aniquilando-a. Vejamos as baixas: além de José Richa e de Euclides Scalco, dançaram Hélio Duque, Maurício Fruet, Nelton Friedrich e tantos outros.


BIZARRICE As voltas que a política dá: o advogado que defendeu Requião, quando da intervenção nacional no PMDB, Assis Correa, foi o defensor agora do PSDB nacional e que obteve a cassação da liminar que beneficiava o grupo alvarista quanto às convenções municipais do tucanato.


AXIOMA Advogado trabalhista, mesmo quando marxista, não deixa de ficar com a mais-valia do seu cliente, trabalhador, ao receber os honorários.



EPIGRAMA Pode ser que Alvaro Dias não consiga vencer as resistências do PSDB, mas certamente está com tudo, como presidente da CPI do Futebol, para criar um problema seriíssimo à máfia da CBF. E só por isso já merece o apoio de todos, menos daquela bancada da bola da Câmara Federal que deu o maior dos vexames.


SPRAY Vão ser feitas novas escavações em Nova Aurora (Oeste do Paraná) em busca dos guerrilheiros ali enterrados pela repressão. Só que agora haverá confronto de mapas rodoviários e do aeroporto ao lado da fazenda de Fuad Nacli, avaliação do mosaico de restituição de curvas de aerofotogrametria, enfim base documental. - Plebiscito sobre a Copel sem autorização legal nada vale e nessa temática, vitórias ''morais'' nada acrescentam. Um setor do governo acha que os prefeitos podem se manifestar pela privatização até porque os que tinham ações da empresa, em maioria, já as venderam. - Sai Joel Coimbra, que é do Ministério Público e está por ele sendo processado, e entra a procuradora de carreira Márcia Carla Pereira Ribeiro na Procuradoria-Geral do Estado. Márcia operou na privatização do Banestado e atua agora na da Copel.


FOLCLORE No Parque Barigui, estranha-se o desaparecimento de parte das capivaras que lá pastavam. O jacaré está gordo e já o chamam de governista.


CROMO O negror da tormenta, fim de tarde, anunciava o pior. Seus olhos azuis eram o contraponto, o anúncio da possível suavidade, suave idade.


AFORÍSTICO Se o governador desiste de viajar ao exterior é porque vem por aí alguma reforma importante.



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