Luiz Geraldo Mazza
Quem ganhou, quem perdeu
No caso da venda da Copel, decidida em 1998 e ratificada agora, apesar de toda a mobilização o que torna improvável o sonho de ''melhor de três'' acalentado pela oposição e fundado num desejo da maioria da população quem ganhou e quem perdeu? O governo diz ter ganho, mas começa a perder com essa tolice do secretário chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, que afirmou para dividir o ônus do Palácio Iguaçu que Hermas Brandão, presidente da Casa Legislativa, votaria com o situacionismo.
Quando põe algo na cabeça, Alceni vai longe, como fez lá em Pato Branco, onde usou a polícia para pressionar vereadores que negaram por 10 a 4 as contas de sua gestão, sob a alegação de que havia votos marcados. Vai ser declarado inelegível se os camaristas reproduzirem o placar das sessões anteriores, a primeira delas de 10 a 3, e por essa razão é que pressiona. Como a sua especialidade é descobrir votos marcados, acha que o de Hermas tinha aquele conteúdo, conquanto não declarado.
Se fosse um pouquinho versado em mitologia e estudos de linguagem, o secretário não faria o que fez. Hermas, que é também o Hermes dos gregos, dá origem à palavra hermético, que significa inteiramente fechado, de compreensão muito difícil, obscuro. O que é encimado por um hermes ou uma herma é aquele pedestal que suporta uma cabeça de Mercúrio (deus romano) ou Hermes (deus grego). Quem sabe até por ter ouvido falar que Mercúrio é o deus do comércio, da eloquência e dos ladrões, talvez tenha concluído que a divindade estaria bem ajustada ao que prega o neoliberalismo e consequentemente a privatização das estatais.
Pois o Hermas, no dia em que conversava com os estudantes que invadiram a Casa, confessou-lhes que se desse empate ficaria com o projeto de iniciativa popular, não importando se fez isso para posar de bom moço, aliás a única posição admissível num voto de Minerva e em função da circunstância de no outro lado estar a maioria da população. Depois disso ele se fechou, voltando às origens herméticas e tentando fazer charme com um segredo que a sua assessoria tornou público na hora certa.
Lerner é um gênio: boa parte da oposição é de sua base aliada. O Gionédis, que foi seu homem mais forte, quer impugnar a venda da Copel e se depender de Rafael Greca e Alceni Guerra, ele vai provar que é mais desagregador que Requião.
BIZARRICE
Na tal pesquisa do PMDB em que Requião ganha em Curitiba há detalhe curioso: faz menos votos que Vanhoni para o Senado (56% a 54%). Como fizeram uma dupla com Vanhoni para vice, para alavancar Requião, o PT, seguindo a orientação do Lula, sugere que o petista seria o cabeça e o peemedebista o vice. O PT se recusa a ser estepe, outra vez, do PMDB, como já o demonstrou no massacre do último pleito municipal
AXIOMA Governo descobriu que há vícios nas máquinas de jogos eletrônicos, mas não enxerga um só dos vícios da sua máquina administrativa. Nos casos havidos como o da Banestado Lesasing, ainda promoveu o autor das irregularidades com o posto de secretário de Estado e que atuaria nos Jogos da Safadeza.
GLOSA Vai ser de lascar ver a oposição à venda da Copel, decidida por um voto de empresário de motel, ter que pagar vale para o Giovani Gionédis que já conseguiu pelo menos segurar o edital da licitação que sairia hoje. Giovani conhece as vísceras do governo e este, certamente, as dele, também. Se eles se abrirem, a pátria agradece. Afinal, foi assim com Pedro e Fernando Collor.
EPIGRAMA Jaime Lerner esteve anteontem em São Paulo fazendo palestra para vereadores e dando entrevistas em televisão em provável retomada daquele delírio presidencial. Lá ele não corre os riscos, como aqui, de acabar como o Lubomir Ficinski, ''ovocionado''.
SPRAY A pesquisa do PMDB que dá Requião na cabeça em Curitiba como a do PSDB (ainda em processo de dissolução) dá Alvaro Dias mostra em primeiro lugar que o senador curitibano não está com essa bola toda e aquela jogada de colocar o Ângelo Vanhoni como vice do peemedebista e Tony Garcia do peessedebista revela apenas a força do deputado petista que quase venceu a Prefeitura da Capital. - Nas intenções de voto para o Senado, Ângelo Vanhoni aparece com dois pontos percentuais à frente de Requião, quando se sabe que esse é o seu objetivo. - Essas apurações, ainda que artificiosas (as somas dos vices é ardilosa e ainda por cima em prejuízo de Alvaro, que não tem ganhos com a soma de Tony, quando isso se dá com a de Vanhoni em favor do peemedebista), simplesmente reforçam as razões de Luiz Inácio Lula da Silva de sair com candidato próprio no Paraná. E o melhor deles, apesar da aparência radical de Padre Roque, bem ao gosto de um setor menos aberto a alianças, é Ângelo Vanhoni. Todas as pesquisas vão referendar esse entendimento. - Vanhoni pode até não ganhar o governo e nem ir para o segundo turno, mas certamente se tornará o candidato mais forte à Prefeitura de Curitiba em 2004. - Repete-se com ele o que de certa forma aconteceu em Londrina com Nedson Micheleti. Só que aí pesou o item da corrupção. E esse é um tipo de insumo que há por aí de sobra. - A APP-Sindicato só fez o alertamento contra a participação no pleito aos diretores dos 23 núcleos e não à massa de participantes, afinal mais de 15 mil.
FOLCLORE Lerner foi fazer campanha (ou pelo menos estimulá-la) em São Paulo, em palestras para vereadores e entrevistas na TV. Não apenas em São Paulo ele está bem. Em Paris, Nova York, Roma, Londres é fortíssimo.
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