Tudo em liquidação



O Paraná pode estar em liquidação, como se depreende da venda dos seus ativos principais, mas isso não leva à conclusão necessária de que Jaime Lerner está liquidado. A oposição, revitalizada na batalha da Copel, dá a entender que esse governo que aí está acabou, mas prudentemente, conforme o raciocínio dos senadores Osmar Dias e Roberto Requião, deseja uma união forte de todos, se possível, ainda no primeiro turno. Esses mais realistas desconfiam que a grana da Copel pode se transformar numa maná bíblico para os situacionistas.
Vamos, por um raciocínio de simulação, imaginar o que pode o governo estadual fazer para credenciar-se diante da opinião pública: se até agora fez cerca de 14 mil obras, ao longo de quase sete anos, despendendo R$ 1,4 bilhão, dá para inferir o que seria capaz de empreender em um cronograma curtíssimo com cerca de três a quatro vezes mais do que o investimento já praticado. Choveria na horta dos prefeitos e da chamada gestão local.
Com o aporte dos R$ 5 bilhões a R$ 7 bilhões na Parana Previdência, o governo poderia (e tem gente competente para isso) mostrar o real significado dessa capitalização que significaria menos R$ 100 milhões nos dispêndios com pessoal e um aumento apreciável da capacidade de investir do Estado. Há aspectos positivos da gestão atual que poderiam ser evidenciados como o da transformação do perfil de nossa economia, a ruptura com a dependência de São Paulo, alguns dos ganhos sociais como a redução da taxa de mortalidade infantil e do analfabetismo, o aumento da expectativa de vida e dos níveis de escolaridade de um modo geral.
Sem carregar nas tintas como tem feito com os tais 700 mil empregos, o que é chute, como também a retirada de 70 mil crianças das ruas, o governo poderia recuperar o tempo perdido. Haveria os pontos focais de resistência como o professorado e o funcionalismo de um modo geral e que se sentissem sinais de vitalidade, ganhos, mesmo que indiretos, poderiam ser contornados.
O cantochão copeliano poderia entrar em processo de entropia se bem explorada a razão estratégica da adoção do modelo energético e também resguardada a hipótese, em tudo lamentável, de um aumento de tarifas que soaria como sinal pior do que uma eventual perda de qualidade dos serviços.
Assim, pois, há mais embaraços para unir a oposição, ante a fogueira de vaidades, do que de acentuar a deterioração do governo, visível há muito tempo. Resta igualmente esquecerem candidaturas para o sistema como Rafael Greca e Alceni Guerra, mais difíceis de alavancar do que tornar aceitável a venda da Copel.


BIZARRICE


Fala-se que a compulsão leiloeira é de tal ordem que a expressão que mais se ouve é ''Quem dá mais?''. Ocorre que a resposta é cada vez mais estranha, indicando nomes de pessoas, nem todas conhecidas


AXIOMA FHC concede aumento de 3,65% aos barnabés federais para vigorar o ano que vem. Depois dessa haverá quem não saiba o que é suplício de Tântalo?

GLOSA As fábricas de papel higiênico foram proféticas: diminuíram os rolos do produto contando com a recessão anunciada que reduzirá até o bolo fecal.

EPIGRAMA A pesquisa que mostra Requião na frente em Curitiba é bem induzida: põe o Vanhoni na sua vice e o Tony Garcia na do Alvaro. Está aí um tipo de sondagem em que a designação do vice já se constitui em vício.

SPRAY A APP-Sindicato prometeu tumultuar o processo de escolha dos diretores das escolas e vai até o fim em seu empenho desagregador. - Inicialmente procurou desmoralizar o novo ritual e chegou ao cúmulo da ameaça de desfiliação dos que se inscreveram. - Em função de problemas ocorridos na Universidade Federal, que já havia elaborado os testes, a reitoria indicou para operações logísticas, com a decretação da greve, o apoio da Universidade de Pernambuco, a qual se associarão mais quatro faculdades paranaenses. - A secretária de Educação, Alcyone Saliba, passou a tarde numa teleconferência com os núcleos da pasta e os candidatos, confirmando as provas e os rituais pré-estabelecidos. - A APP-Sindicato vai tentar, com piquetes e ''infiltrações'' nas provas, minar o andamento do concurso que se dará em 29 municípios e em 37 escolas. - Para evitar atos de selvageria, a secretária da Educação se verá obrigada a tomar cautelas excepcionais para garantir os inscritos, ameaçados, mais de uma vez, pelo seu sindicato. - A desfiliação anunciada é um esforço desesperado para evitar as prévias, pois não teria o menor sentido que se adotasse a medida radical contra mais de 15 mil mestres e contribuintes do sindicato. - Como se vê o governo estadual, mal termina uma das suas difíceis empreitadas, como a da privatização da Copel, enfrenta uma nova. Espera-se que não haja transbordamentos de parte a parte como se deu nos atos de selvageria e repressão no Centro Cívico. - O inconformismo da APP com a aceitação da forma de eleição pelos professores é notório e tenta, inclusive, desqualificar de todas as formas possíveis o seu andamento. As APMs vão também acompanhar as provas, o que reforça o sentido da adesão.

FOLCLORE Governo comemorou leilão da Copel no Cartagena e oposição foi ao Bar Palácio. Bem, de certa forma, chegou ao Palácio, onde já esteve antes.

CROMO Carpas-capim e algas azuis continuam na batalha do Iraí.

AFORÍSTICO Um partido que assentaria bem em Alvaro Dias seria o PPB porque sua pregação é um contraponto ao da imagem de Maluf.


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