O nacional e o ''local''



Tasso Jereissati (PSDB), governador do Ceará, acha que não há quebra alguma de compromisso no fato de ele apoiar Ciro Gomes para presidente. É argumento que ajudaria Alvaro Dias se ele resistisse no tucanato: aí também o fato de estar em outro partido (o que necessariamente acontecerá) justificaria o apoio do PSDB regional a sua candidatura.

O regional deve sobrepor-se ao nacional em política? Alvaro Dias foi candidato a presidente pelo PMDB, ficou em último lugar e acabou não apoiando Ulysses Guimarães-Valdir Pires. Também Requião foi para as prévias do PMDB contra Quércia, perdeu e não apoiou o vencedor, como manda o regramento da boa prática democrática. Deram mostras, os dois, de que as razões pessoais e de campanário podem superar as nacionais. Isso num país que tem democracia ainda em formação e partidos sem vinculação com doutrina e ideologia é normal.

Quando Lula esteve em caravana no Paraná, contrariou os moderados e sensatos do PT que desejam aliança de oposição por não subestimarem o poder de fogo do governo, ainda mais depois que vender a Copel, e pregou a candidatura própria como acúmulo de energia. Conquanto errado em sua avaliação, coloca em foco o princípio de que o pleito nacional condiciona o local, pois acredita que o feito das eleições municipais vitória em Londrina, Ponta Grossa e Maringá e a votação em Curitiba exige acumulação de energia que ajudaria a remover fortes resistências ao seu nome na Capital e interior.

Em primeiro lugar, não temos partidos nacionais. Isso para não declarar, de forma liminar, que não temos partidos. E uma das vocações brasileiras é a do personalismo que sobrepuja qualquer vínculo partidário. Getúlio, talvez o maior de todos, criou, de cara, o PSD e o PTB; Jânio migrava de partido em partido com a mesma naturalidade de Affonso Camargo, Alvaro Dias e outros tantos, aqui na província.

Além de tudo isso, ainda temos outras deformações que favorecem o culto à personalidade: o messianismo (vivíssimo em Getúlio e Jânio e, de forma bem caricatural, em Collor) e o culto ao homem providencial, essa nossa maior tragédia e reproduzida em quase todas as eleições.


SEQELAS COPELIANAS Com essa história de retirar do leilão da Copel as áreas verdes das usinas e a promessa de implantar aí programas de ecoturismo com a exploração da iniciativa privada, há quem já esteja imaginando os ''amigos do rei'' ganhando tais prebendas. Um dos inevitáveis e que poderia habilitar-se (hoje protegido pelo ''know-how'' adquirido no Parque Nacional do Iguaçu) seria o empresário Salomão Soifer, que deu sua arrancada exatamente sob a gestão de Lerner na Prefeitura de Curitiba com a concessão absurda, burlando todas as regras de edificação, do Shopping Mueller.

Da mesma forma que Jaime Lerner defende a manutenção do bondinho (que não é de Curitiba, mas de Santos) na Rua XV, é possível que assim faça com a tal da Universidade do Professor, em Faxinal do Céu, preservando-a, ainda que nos domínios da Copel. Fica sem ''O Chapéu Pensador'', aquele destituído de QI, ou o preserva?



PESQUISA O jornal virtual ''Hora H'' (de 2 a 9 de agosto) pesquisou preferências eleitorais em Curitiba no seu site e Alvaro Dias saiu na frente com 49%, Greca com 39%, Vanhoni 5%, Taniguchi 4%, Requião 3%. Prova apenas que seguidores de Alvaro e Greca estavam mais atentos, uma vez que um só votante pode votar quantas vezes quiser. No Ibope recente a rejeição de Greca chegava a 63% na Grande Curitiba.



ECOLOGIA Quando fui secretário do Conselho Estadual de Turismo (gestões de Lupion, segundo governo, e primeiro de Ney Braga), fim dos anos 50 e começo dos 60) havia pessoas ligadíssimas em ecologia e por puro idealismo como o médico e naturalista Edwino Tempski, o antropólogo e médico José Loureiro Fernandes (aquele que contactou com os xetás), o historiador Júlio Moreira. No livro de atas registrei os textos em forma de ensaio que Tempski apresentava sobre educação ambiental, ecoturismo. Desconfio que nesse Estado predador que temos (não dá para esquecer a perda dos mais de 50 mil negativos que o fotógrafo alemão fez sobre o que ocorria no Paraná no início dos anos 50 e também da perda do acervo, no governo Paulo Pimentel, da família Guimarães, a mais completa bibliografia paranaense, hoje guardado, por nossa irresponsabilidade, na Universidade de Camberra/Austrália) não mais existe essa documentação.

Quando vemos a malha de interesses organizacionais que há hoje nos chamados movimentos ambientalistas dá para olhar esses homens do passado como espécies de D. Quixote da boa causa. O mestre Raul Rodrigues Gomes, já aposentado como professor universitário, e isso com mais de 80 anos, escrevendo artigos candentes em defesa de um Parque Nacional no Marumbi, dá bem a medida de ideal que os animava, como, da mesma forma, levava à comoção ver o médico Edwino Tempski cuidando de animais, pássaros e roedores, como seus ''clientes'' especiais em sua chácara.



ECOPOEMA Torneio de tênis nacional no Graciosa Country Club, que se realizava simultanamente com outro de golfe na Semana Santa: um atleta estrangeiro deixa de rebater uma bola e mantém os olhos mais na rede do que no adversário e lá descobre uma dessas borboletas papaná e a retira delicadamente da malha constrangedora com a raquete para colocá-la em lugar seguro no meio apropriado, uma floreira.

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