Luiz Geraldo Mazza
Recentemente saiu uma publicação sobre o PIB (Produto Interno Bruto) estadual e que reafirma a concentração da economia na Grande Curitiba: 22% do total estão justamente ali. Antes houve aquela outra revelação, a que me referi aqui várias vezes, num estudo sobre potencial de consumo: a capital paranaense detinha 24% de tudo, o que mostrava no sul do país a situação mais perversa, já que em Santa Catarina, Joinville saia à frente com 9% seguido de Floripa com 8%, o que indica uma irradiação mais distributiva. Também a distância entre Curitiba e Londrina era maior do que a estabelecida entre Porto Alegre e Caxias do Sul: a ex-capital do café aparecia com 5%.
Não bastasse tudo isso, há um outro elemento claro: o da partilha do ICMS, em que a Grande Curitiba aparece com quase dois terços. E não é para espantar, já que os fatores locacionais, que pesam hoje na escolha das montadoras, são visíveis no agregado da Cidade Industrial acoplada ao distrito fabril de Araucária, onde opera ainda o pólo petroquímico. Araucária e São José dos Pinhais ficam com uma parte ponderável das rendas públicas.
Vamos, novamente, ao estudo do Ipardes sobre o Perfil dos Investimentos Industriais no Paraná. Há três gêneros em que o interior sobrepuja a Região Metropolitana: a agroindústria (80,48% contra 19,52%), madeira-mobiliário
(90,48%) e bebidas (75,68%). Há um equilibrado, levemente beneficiando o interior: produtos de matérias plásticas (51,72% dos investimentos). Há os de 100% na RMC como minerais não metálicos, material de transportes, perfumaria e gráfica. Vejamos os demais: material elétrico e de comunicações (96,75% na RMC), mecânica (95,38%), metalurgia (88,89%), química (86,25%).
Surpreendido pela avalanche em que se manifesta essa desvantagem e que restabelece o tema da campanha municipal, agora em nível mais intenso e sob melhor argumentação, o governo passou a sofismar nos anúncios. Primeiramente mostrando aquele jogo de golfe sugerindo que a tacada atinge o Paraná inteiro, o que dá um visual tapeador. Aliás há uma curiosidade: no golfe existe uma armadilha (trap) de areia e parece que nela o governo embarcou.
Quando mais faturava o frisson das montadoras, eis que apareceu o IBGE, com a sua neutralidade numérica, mostrando que estamos na véspera do caos com um cinturão de miséria envolvendo cada uma das cidades metropolitanas. O jeito diante do que é incontestável é apelar às acrobacias da explicação dos Jogos da Natureza na praia de Copacabana e com a música do amigo do peito, o Gilberto Gil, o que sairá hoje no Fantástico. Bem sacada, ainda mais que a TV Globo viabilizará a promoção na divulgação do evento em setembro por R$ 5 milhões, um bom investimento, sem dúvida, se considerarmos que o governo queimou R$ 100 milhões em propaganda só no ano passado.
BIZARRICE A semana foi rica em frases. A de Requião dizendo que Lerner vendeu a Copel, o porto e as estradas e que só disputa a reeleição se tiver o que vender é agressiva. Sutil a de Emília Belinati, que aparecia constrangida nas fotos do encontro da conciliação: Só o tempo e a experiência renovarão a confiabilidade e estreitarão novamente os laços. Botou no condicional a guerreira delicada. Ela que foi cestobolista fez uma de três pontos.
SPRAY Dos investimentos listados pelo Ipardes, o maior é da área metal-mecânica com R$ 2,649 bi, e o de material de transportes, com R$ 2,029 bi. O material de transportes é 100% da RMC, conforme o estudo, e o metal-mecânico tem mais de 90% também aí.- Já o investimento agroindustrial, de quase R$ 1 bi (para ser exato R$ 987,3 milhões), tem a drenagem de 80,48% ao interior.- Nesse caso, urge não esquecer que no eixo Curitiba-Ponta Grossa está o maior parque de oleaginosas da América Latina.- Há um adicional nesse trabalho, que alcança R$ 4,753 bi, que trata de inversões privadas diretamente ligadas à produção. Esses totais excluem programações de investimentos em infra-estrutura de energia elétrica, telecomunicações, transportes e distribuição de petróleo que no conjunto superam R$ 4 bi.- Ficaram de fora também algumas intenções de investimento de longo prazo manifestadas pela Renault, Klabin e Electrolux, totalizando quase R$ 1 bi. Somando tudo, dá os R$ 9 bi que, segundo Lerner, vão gerar 480 mil empregos.- O quadro a que nos referimos é do setor industrial porque a expressão da agricultura e do extrativismo (setor primário) é de pouco significado no conjunto metropolitano e zerada em Curitiba. Juntem a isso o potencial do setor terciário (comércio, transportes, serviços), mais agregador ainda, de capital e trabalho e teremos idéia ainda mais forte do desequilíbrio.- O Paraná só será uma unidade integrada e forte se houver não apenas distribuição mais equilibrada desses investimentos como uma ação mais coordenada pela difusão do bem-estar.- Reproduzir o modelo paulista não provará racionalidade e inteligência de nossa parte e muito menos confirmará a expectativa de todo o país na proclamada criatividade do nosso governador.- Ganhamos, no entanto, num aspecto: tiramos de nossa economia a condição de complementariedade da paulista. O que é uma revolução, queima de etapas.-
FOLCLORE Ernâni Buchmann, presidente do Paraná, disse que seu clube só gastou até agora R$ 70 mil na campanha do nacional. Como vai entrar na grana da Sundown pode pedalar mais à vontade. Só que está lembrando o Requião que disse ter gasto apenas R$ 20 mil em sua campanha senatorial.





