Horror à racionalidade


Um grupo de engenheiros e técnicos fez um levantamento sobre o patrimônio da Copel e chegou à conclusão que o governo estadual pretende fixar valor mínimo equivalente a um terço do que indica a realidade. Como há muito tempo números permitem exercícios sofismáticos, não surpreende que o valor indicado de R$ 25,54 bilhões esteja bem acima dos R$ 8,5 bilhões que parece ser o parâmetro que Lerner pretende adotar.
Está aí um tema que há de negar por todos os motivos, tanto de um lado como de outro, qualquer preocupação de racionalidade. A matéria é permeável demais à ideologização, como se vê pela forma desesperada com que os digladiantes buscam cercar as suas posições, o governo querendo a privatização o quanto antes e a oposição insistindo que é preciso mais tempo.
Numericamente o governo ganha a batalha. Não há como perdê-la e a oposição tem plena consciência, mas tenta com o manobrismo expor o adversário à quadra de máximo desgaste. Todos sabem também que a maioria esmagadora da população, ainda que mal informada, rejeita a venda de nossa principal estatal, o que também não acua o situacionismo que está consciente de que a operação é chave para o acerto do ‘‘caixa’’ e também para garantir um excedente que permita um trabalho de proselitismo em obras para reverter tendências eleitorais.
Se o levantamento dos engenheiros peca por maximizar valores, o preço mínimo, imaginado pelo governo, é também inaceitável. Percebe-se que Lerner tenta reprisar aquilo que fez no leilão do Banestado, obtendo ágio elevado para sugerir que administrou, competentemente, o problema. Só agora estamos, na verdade, tomando consciência das sequelas da privatização: além da penosa herança que a sociedade vai ter que pagar ao longo dos anos estamos captando as vantagens, não apenas as do Itaú, mas ainda daqueles beneficiários de cobranças de empresas e instituições públicas dos créditos de difícil recuperação adquiridos na bacia das almas.
Nesta hora é que se espera que aquelas instituições que já se manifestaram sobre o assunto como a CNBB, Instituto de Engenharia, CREA, Federação das Indústrias, Associação Comercial do Paraná exercessem a máxima vigilância em cima desse tipo de detalhe que pode até gerar nulidade jurídica insanável.
Quanto a idéia de conceder mais prazo, como pretende um setor da oposição, é pura protelação que não leva a lugar algum. Nos números da votação não há como alterar. O que não se pode dizer dos números da avaliação.


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BIZARRICE
O governo não quer o ‘‘Geléia’’, chefe do PCC, na Penitenciária do Paraná, mas nada pode fazer para impedir a ‘‘geléia’’ de craca no Iraí
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AXIOMA A Procuradora que coordenou os trabalhos da audiência pública para a privatização da Copel disse, por duas vezes, que o Giovani Gionédis era do PCC ao confundi-lo com o PSC. Pior seria se os dois lados, de forma simultânea, se considerassem muito agastados com a confusão.
GLOSA Alvaro Dias, como observou Rubens Bueno, é uma das poucas pessoas sem muita credencial para defender o patrimônio público: promoveu a liquidação extrajudicial do Badep, o que até hoje rende prejuízos ao Paraná, ainda mais depois da perda do Bamerindus e Banestado, e fez a transição da Telepar para a área privada. Políticos, de um modo geral, apostam na amnésia do público.

EPIGRAMA Se a bancada situacionista fosse diabólica, por contar com maioria, aprovava as contas de Lerner e desaprovava as de Requião. A decisão de deixar passar as de Requião não se funda numa questão ética e, sim, no reconhecimento aberto de que teria condições e razões para desaprovar as de Lerner.

SPRAY A APP está perdendo feio a batalha das eleições nas escolas e agora apela, desesperada, para a sabotagem aberta, tentando o ‘‘foquismo’’ em assembléias comunitárias, impondo um nome para a votação. O que pode ser tudo, menos democrático. - Desolada com os quase 14 mil candidatos (só ontem foram mais de 2 mil) habilitados, a APP percebeu que estava diante de um trator em termos de adesão aos propósitos oficiais. - Um repeteco apenas daquela campanha de descrédito que tentou contra a Universidade do Professor (Faxinal do Céu) ao tratá-la como ‘‘lavagem cerebral’’ diante igualmente do apoio esmagador do professorado. - Esse defeito do sindicalismo – o de a direção assumir todas as iniciativas sob o pressuposto de que há apatia na base – é constante e razão das muitas defecções dos quadros. - Já na parte salarial e no propósito de greve, embora seus resultados inócuos, a APP tem tudo para emplacar. - Uma circular da APP-Sindicato está sugerindo um cronograma que se inicia com ações de desqualificação das eleições nas escolas e culmina com a greve. - Mesmo em cidades como Maringá que o governo temia escassa adesão às eleições houve nada menos que 700 candidatos.

FOLCLORE Deputados como Ricardo Chab, Alborghetti e Cleiton Kielse aparecem no cotidiano como garotos-propaganda de produtos e serviços na tevê. O ideal seria que pelo menos uma parte dos parlamentares fosse garoto-propaganda da democracia, o que está longe de acontecer.

CROMO E essa paz de criança dormindo nos adultos não seria o nirvana possível e a utopia desejável?

AFORÍSTICO Todos dizem que o governo paranaense acabou, mas todos reconhecem que se vender a Copel, mesmo desgastado, pode ganhar a eleição.
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

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