Luiz Geraldo Mazza
Choque de babuínos
O que houve na reunião do Conselho de Ética do PSDB é extremamente saudável: para responder ao dossiê antialvarista de Basílio Villani, habilitou-se Max Rosenmann. O primeiro entregava, um a um, os tucanos ligados a Alvaro Dias e o contestante fez um mapa detalhado das relações negociais, parenterais, do time que quer retormar ao partido. Nessa especialidade, Max é tão experiente quanto Alvaro, mais por ter saído, entrado e retornado do que por chegar ao ponto de criar legendas para si próprio e para a sua turma como o senador.
Sociedades nada secretas entre o pessoal do governo estadual e o grupo da dupla Richa-Scalco foram desveladas, troca de concessão de empregos para filhos dos beneficiários, existência de comanditas na segunda geração de tais lideranças. Enfim, um relato que estaria a exigir, por sua abrangência, pronta resposta dos atucanados evadidos do partido, detalhando os podres dos seus ex-adversos. Tudo quase como o ritual de babuínos, aqueles primos do homem que fazem guerra com seus próprios rejeitos.
Nada mais adequado a um psicodrama que trate de ética do que esse tipo de enfrentamento. É que a veemência de um lado leva à indignação do outro, uns querendo fazer crer que são mais éticos do que os demais.
Percebe-se, no entanto, que Alvaro Dias toma mais iniciativas do que o grupo que deseja defenestrá-lo. Com as publicações dessas pesquisas do Ibope, o senador ganha força nos setores pragmáticos do partido e estabelece uma rede de dissuasão, que não pode ser subestimada. Ademais, o cronograma começa a ficar cada vez mais curto e a providência do Luiz Carlos Hauly de marcar as convenções municipais consolida o potencial dos que colocam a visão clara de campanário acima da sucessão nacional.
À direção nacional não há outra saída senão a de agir rapidamente para não enfrentar um quadro de situações consumadas e existe, ainda, o risco de a pendência cair na Justiça. Isso foi lembrado no último encontro do PSDB quando se fez referência à expulsão de Roberto Requião do PMDB por esmagadora maioria e que acabou revertida no plano político.
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BIZARRICE
Quando Requião e Alvaro foram governo, a sua Comunicação Social costumava, diante das pesquisas, somar em favor de ambos o ótimo-bom ao regular. Se isso fosse feito em favor de Lerner, na última pesquisa Ibope ele marcaria exatamente 56 pontos com os 22% de ótimo-bom aos 34% de regular
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AXIOMA Rafael Greca deu uma de esgrimista (florete, provavelmente, já que espada é modalidade pesada) ao caricaturar a promessa de Alvaro Dias de reestatizar, sabidamente uma bravata, agravada com registro cartorial, a Copel assim que assumir o governo. Greca sugeriu que ele fizesse o mesmo com a Telepar, que presidiu na transição para empresa privada e, ainda por cima, estimulando as terceirizações que desfiguraram a organização referencial.
GLOSA O Estadão publicou o ranking estadual do ICMS, e o Paraná é o único que aparece com resultado negativo. Pudera: o secretário da Fazenda é presidente da Copel e tem a venda desta como prioridade máxima.
EPIGRAMA Para o PSDB nacional, Alvaro Dias é uma espécie de Marcelinho Carioca no partido. Mais ou menos como o PMDB nacional enxergava Requião ao tempo em que era governador e lançou o Disk Quércia.
SPRAY Apesar de toda a badalação de que o Paraná cresce, isso não se verifica na arrecadação do ICMS (já prejudicada pelas imunidades fiscais temporárias e ainda por iniciativas mutiladoras como a da Lei Hermas Brandão que ainda reduzirão mais essa participação), como o demonstrou o estudo publicado no Estadão, anteontem. - Leve-se em conta ainda que os beneficiários dos subsídios fiscais podem obter prorrogação por mais quatro anos da moratória, o que fragilizaria ainda mais as receitas. - Há muito tempo o Rio Grande do Sul dá banhos no Paraná nessa questão, embora tenha chutado as partes baixas das multinacionais atraídas por Antonio Brito. Temos economia de porte semelhante, mas levamos a pior no confronto tributário, isso sem falar que o Paraná ainda perde em renda interna para os gaúchos. - Técnicos franceses aconselham que se coloque um mínimo de 400 mil carpas para a guerra biológica diante das algas na Represa do Iraí. Em meio ao pânico, como se não bastasse a seriedade do assunto, alguns políticos começam a inventar coisas não alinhadas no controle das águas como o exame de hormônios. - Outra questão grave é o fato de a população, com receio da qualidade da água por causa do gosto e do cheiro, estar coletando o produto de bicas quando se sabe que aí é maior o risco de infestação pelos coliformes, como se dá com aquelas existentes na Serra do Mar, conforme foi demonstrado.
FOLCLORE Rio Grande do Sul e Santa Catarina tiveram no primeiro semestre um crescimento de 9,28% e de 11,11% no ICMS, e o Paraná foi o único Estado a mostrar desempenho negativo de 3,37%. Quando Lerner anunciou que íamos ultrapassar os gaúchos, deveria estar se referindo ao futebol.
CROMO E esses olhos de azulejo português que azulejam esta sala?
AFORÍSTICO O governo só pensa naquilo: a venda da Copel. Vai sobrar um mínimo de R$ 3 bilhões para festear em menos de um ano. Essa a bronca tardia da oposição que não enxergou a seriedade do assunto, dois anos passados.
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