A mentira-refrão


No anúncio em que mostra o Paraná como uma ‘‘ilha’’ no meio do apagão – e isso para exaltar os feitos da Copel – voltam os propagandistas oficiais a insistir na tecla de que neste governo foram criados 700 mil empregos. Lidar com números robustos é um velho hábito da província a serviço do triunfalismo. Para quem aceita a brincadeira de que Curitiba é a terceira cidade do mundo, dita por um irmão de confissão religiosa e de profissão, Alan Jacobs, vale tudo. Como, por exemplo, dizer que neste governo foram retiradas para a escola nada menos de 60 mil crianças de rua. Aumenta aí e diminui a dívida do Estado para R$ 8 bilhões, a metade do que existe na realidade.
Alquimistas da matemágica transformaram a efetiva geração de 72.316 ocupações (o conceito é mais abrangente que emprego por incluir além dele, autônomo, empregador, conta própria, trabalhador sem remuneração) de 1995 a 1999 em 700 mil para impressionar a galera.
Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE), o número de desempregados que em 1995 era de 264.689, face à baixa dinâmica do mercado (que só melhoraria em 2000), aumentou em 1999 para 448.500. Se os tais indicadores do governo fossem verdadeiros (o de geração de empregos até 2000 de 500 mil), bateríamos todos os recordes mundiais com o pleno emprego muito próximo de zero. Se a População Economicamente Ativa (PEA) do Paraná era de 4.629.252 em 1995 e de 4.885.379 em 1999 e o total de desempregados de 264.689 em 1995 e de 448.500 em 1999, chegaríamos ao absurdo de importar gente para preencher 51.500 vagas ou incentivar o ingresso de donas de casa, aposentados e também estudantes nessa relação.
O sofisma, que Sócrates combateu na Grécia clássica, era mais verbalista do que numérico. Aqui há uma tradição: quando consolidada a Cidade Industrial de Curitiba (CIC) dizia-se que ela gerava 400 mil empregos. Para se ver a milonga basta dizer que o estoque total de mão-de-obra da região metropolitana hoje se aproxima de pouco mais de 650 mil vagas. Repetida, a empulhação se faz ‘‘verdade’’.
GLOSA
Pesquisadores descobriram que a banana tem substâncias que combatem a insônia. O Guga, por exemplo, costuma comê-las no intervalo dos jogos. Será que resolveria o problema da apatia dos jogadores da Seleção Brasileira?

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BIZARRICE
Frigoríficos sempre se constituíram num dos setores de maior evasão fiscal. Assim mesmo o governo sancionou a Lei Hermas Brandão que estabelece para aquele e outros segmentos da agropecuária a imunidade tributária. Isso em aberta desobediência à norma superior, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que só é invocada com pompa quando servidores pedem aumento.
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AXIOMA Quando do exame dessa Lei Brandão, um dirigente da Federação da Agricultura sugeriu a Lerner que se ele vetasse a matéria passaria a ter no interior a hostilidade dos pecuaristas ao lado da que já existe por parte dos professores. ‘‘Governo e pecuaristas unidos// jamais serão mugidos!’’
EPIGRAMA ‘‘Yes, nós temos banana// Banana pra dar e vender// Banana, menina,// contém vitamina// Banana engorda e faz crescer!’’ E que tal uma banana para tirar também a soneira dos políticos e administradores preguiçosos?
SPRAY A manifestação contra a secretária Alcyone Saliba, da Educação, em Londrina, vai ter sequelas judiciais: o uso de crianças na manifestação de hostilidade dará enquadramento dos autores no Estatuto da Criança e do Adolescente. - Com um detalhe: um membro do Ministério Público presenciou o agito que constrangeu também pais e mestres. - Alcyone Saliba acusa o presidente do Núcleo Sindical de Londrina de ter se valido de familiares para o protesto. - A secretária estava eufórica ontem: antes do fim da tarde já havia mais de 7 mil candidatos ao pleito que a APP tentou subestimar e até sabotar. - Acredita-se que até o dia 8 o número de postulantes passe dos 8 mil. - Um dos problemas da APP é a insistência no sindicalismo que joga na hierarquia vertical, onde a direção assume postura distanciada da base, como se observa nessa adesão ao pleito quando se colocou a forma de eleição como uma burla ao sentido original da Lei Rubens Bueno. - Esse problema não é apenas da APP e sim da quase totalidade dos sindicatos que têm a direção aguerrida como se dá com os bancários em que o risco de extinção da profissão (automação, moeda de plástico) leva a base a apatia e ceticismo. - Pracinha do Batel, identificação histórico-cultural de Curitiba, vai ser cortada pelos seguidores do Doutor Silvana urbanístico da capital desvairada. Não consultam ninguém e aprontam o que bem entendem. - O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), hoje dirigido por um paranaense, continua não exercendo o seu instinto de conservação patrimonial: as invasões prosseguem em terrenos da organização na zona norte e facilitando a formação de favela na direção da Emater.
FOLCLORE Amanhã sai um debate de juristas na Câmara Municipal sobre o voto aberto, mania típica do oportunismo brasileiro. O voto secreto é conquista da humanidade. E não será essa ocorrência do painel do Senado que justificaria essa onda em que várias Câmaras embarcaram, incluindo a de Londrina. Aliás, a Câmara de Curitiba, ao contrário da de Londrina, é governista e a oposição frapê, com exceção do Tadeu Veneri. E não faz segredo do governismo.
CROMO No meio da serragem, o palhaço tira música de garrafas com água e com guizos no corpo se agita e monta um concerto, faz do serrote um violino. E tudo com saltos mortais. Saudades do ‘‘Espingarda’’, do Circo Queirolo.
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