Luiz Geraldo Mazza
Qual o Jaime acreditado neste momento no Paraná se não o Canet Júnior? Desde o dia em que ele falou na Associação Comercial do Paraná com a indignação dos homens de bem, condenando a forma como se leiloava o patrimônio público no caso da Copel e o quadro de corrupção que mina as nossas instituições, não poucas lideranças passaram a assediá-lo para que ingressasse num projeto político que fosse capaz de arrancar o Estado da situação em que se encontra. E Canet Júnior passou ao diálogo, primeiramente com lideranças rurais, que se declaram altamente prejudicadas mais pelas omissões do que pelas ações do governo.
Todos os que o procuram lembram do excepcional momento vivido pelo Paraná quando de sua gestão: um canteiro de obras como o representado pelos 5 mil quilômetros de rodovias com asfalto subdimensionado, transformado pelo Banco Mundial num modelo alternativo de desenvolvimento; das ações nas áreas de energia, saúde, saneamento e educação. É em busca desse dinamismo que se fazia inclusive em favor da poupança interna e não da assistência ao empreendimento multinacional que se busca algo diferenciado do que aí está, ainda mais depois do desmanche patrimonial, acompanhado de forte corrupção no caso do Banestado, que escalou a Copel como a próxima vítima e a Sanepar como a seguinte.
Canet Júnior está disposto a falar com todos e tem um candidato preferencial: o senador Osmar Dias, que traz a vantagem de ser o novo e com quem concorda que se as oposições não se unirem, já no primeiro turno (esse igualmente é o pensamento de Ângelo Vanhoni), há o risco de o governo emplacar de novo, o que seria, a seu ver, uma calamidade. Canet trocou idéias com o senador Roberto Requião no mesmo sentido e essa conversação caminha para a sintonia fina.
Osmar não gostaria de uma fórmula que sacrificasse o seu irmão, Alvaro hoje absolutamente hegemônico nas pesquisas e estaria firmemente inclinado a pleitear a reeleição no Senado. Ele entende que uma chapa que envolvesse Requião na outra vaga dificilmente deixaria de ser vitoriosa. Há complicadores: tanto Requião quanto o PT detêm restrições graves a Alvaro, conquanto achem a fórmula com Osmar na cabeça mais palatável, ficando uma vaga senatorial para um Ângelo Vanhoni, por exemplo, restando a vice-governança para negociar.
Como se percebe, as pessoas mais lúcidas acham que não se deve subestimar, de forma alguma, o grupo que está no poder, especialmente habilitado em ousadias em todos os seus significados, filológicos e semânticos.
BIZARRICE
A APP-Sindicato tentou de todas as formas sabotar as eleições nas escolas e elas serão um sucesso com mais de 5 mil candidatos. Se a eleição nas escolas não deve ser chapa branca, também não seria democrática se apenas monitorada pelo sindicato
AXIOMA Na hipótese de a água de Curitiba continuar com gosto e cheiro ruins, esse fator terá importância seriíssima nas eleições. Derrota líquida e certa.
GLOSA Primeiro avacalharam o Banestado para depois vendê-lo. É preciso evitar que isso aconteça com a Copel. Já com a Sanepar será difícil impedi-lo. Vide o desastre com a exploração da Barragem do Iraí e do Aquífero Karst.
EPIGRAMA Reinhold Stephanes está empenhado em provar que o Paraná estatal já quebrou. As contestações oficiais são frágeis. Houve pessimista que disse que o pagamento do funcionalismo atrasaria em agosto. Também um exagero.
SPRAY A segunda prisão de Antonio Belinati, sem o alvoroço da primeira, deu em nada, como se esperava nos meios forenses. - A concessão do habeas-corpus, que saiu ontem, era tida como certa até porque se repetiam os fundamentos da prisão anterior e contra a qual havia jurisprudência do STF. - O relevante é descobrir o itinerário da grana de Londrina, especialmente da havida com a venda das ações do Sercomtel para a Copel, aprofundando-se a investigação na AMA-Comurb para que se obtenha o máximo de matérias de prova. - Prisões como a de Belinati podem ter um efeito emocional imediato, mas não têm ganhos processuais que exigem robustez de provas e perícias. Apurações até agora procedidas não têm parecido suficientes na instância superior para a medida cautelar e é indispensável montar bem o quebra-cabeça para que não seja rejeitado na fase judicial. - Seria uma frustração muito grande para a sociedade que, depois de todas as revelações feitas, tudo terminasse em pizza. - Procedimentos são vagarosos, bastando lembrar que das 25 notícias-crime da roubalheira da Banestado Leasing até agora apenas três chegaram à Justiça estadual e federal. - Das apurações da CPI do Crime Organizado, a quente da Câmara Federal, que levaram à destituição da cúpula da Segurança, muito pouco aconteceu. - O senador Roberto Requião esteve ontem no escritório do ex-governador Jayme Canet Júnior. Afinidades começam a aflorar hoje com mais intensidade do que no tempo em que Canet, oriundo do PP, integrava a frente que levaria o PMDB ao governo. Canet é um inconformado com o quadro atual do Paraná.
FOLCLORE E quando virá, perguntava o cachorro falante, a focinheira para conter a ânsia de morder de certos políticos?
CROMO Verduras congelaram, a água não saía da torneira, a geada anterior nem se dissipara e já se acumulava um nova: a teia de aranha com o orvalho matinal era uma jóia ainda não imaginada pelo ourives.
AFORÍSTICO Só o Ibope é que baixa mais do que o termômetro.
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