A prisão de Belinati e de alguns dos seus auxiliares realimenta, por seus aspectos dramáticos e externos, a perspectiva de que ainda se pode chegar ao fio da meada desse processo de desvios e que dificilmente deixará de atingir o Palácio Iguaçu e isso não apenas em relação à vice-governadora, Dona Emília, esposa do ex-prefeito e mãe do deputado estadual também indiciado, mas a todo o sistema. E por uma razão simples: tanto a reeleição de Lerner como a de Antonio Belinati em segundo turno foram marcadas por uma forte mobilização no segundo maior colégio eleitoral do Paraná. O rastreamento até agora feito da destinação dos recursos auferidos com a venda das ações do Sercomtel para a Copel (e com lances estranhíssimos como o fato de a estatal descontar do pagamento a parte que caberia ao célebre Banco Fonte-Cindam uma dívida da prefeitura como se fosse um procurador da negociação) expõe apenas a parte visível de um ‘‘iceberg’’ profundo e misterioso.
Se à época em que se instalou a CPI do caso Sercomtel-Copel a situação na base aliada fosse a de agora não haveria riscos de recuo e de torpedeamento do instituto parlamentar, o que se deu num clima de suspeições generalizadas e até de acusações desabonadoras para o Legislativo, com alguns dos seus membros acusados de levarem vantagem com a reversão. O próprio governo, com a sua ação temerária, deu margem à presunção de que tinha as suas impressões digitais bem comprometidas no episódio.
Graças à exemplar mobilização da sociedade londrinense, que deu margem até a uma intervenção no jornalismo da Rede Globo comprometido com a cobertura que dava ao prefeito, a correlação de forças dentro da Câmara Municipal teve que mudar pela pressão da comunidade e Belinati foi cassado. O feito é comparável, conservadas as proporções, à cassação de ACM e Arruda e ao cerco que hoje se estabelece em torno de Jader Barbalho.
Da mesma forma que casos dos anos oitenta, no Pará, quando Jader era chefe de Estado, afloram na aceleração das investigações em Brasília, aqui também isso pode acontecer. Será lamentável se fatores emocionais se sobrepuserem aqui aos de ordem pericial para reconstituir o itinerário dos desvios de Londrina. A prisão de Belinati aí se insere se de fato contribuir para o clareamento daquilo que ainda permanece absconso, oculto.
BIZARRICE
Há quem diga que Rubens Bueno seria um clone de Alvaro Dias e Ciro Gomes de Fernando Collor. Em todo tipo de analogia do gênero há o risco do exagero caricatural. Mas se pode afirmar o seguinte: o PPS está bem distante de ser um clone do Partido Comunista Brasileiro, o ‘‘pessegueiro’’ que dava poucos frutos, mas tinha raízes na história.
AXIOMA Rafael Greca replicou Hauly, quando o tucano disse que o partido aceitava Richa e Scalco, mas não inimigos como os liderados de Lerner, lembrando o provérbio que diz que o pavão de hoje pode ser o espanador de amanhã. De fato só que assenta nos dois e serve para todos.
GLOSA Na mesma linha de raciocínio se poderia dizer que o tucano de agora pode ser o vira-bosta de amanhã. Aliás, com a oscilação dos nossos políticos em torno de siglas partidárias todos ficam muito bem como os chupins, aquele que dá os ovos para os outros chocarem.
É, por exemplo, o que alvaristas podem dizer das tentativas de expulsá-los do ninho do PSDB e, em seguida, ocupá-lo.
SPRAY Algumas notinhas em colunas políticas, locais e nacionais, sugerem que o senador Alvaro Dias estaria praticamente reintegrado ao PSDB. José Aníbal, que dirige o tucanato nacional, nega procedência a essas especulações e acentua que o ritual partidário obriga a tramitação do assunto no Conselho de Ética e a defesa, no caso, do senador por ter assinado a CPI da Corrupção, cujo prazo ainda não se esgotou. - Nada mais absurdo do que o que está acontecendo no centro de Curitiba (Avenida Luis Xavier): apesar de existir rede coletora de esgoto, os prédios ali existentes, entre os quais bancos, restaurante e hotel, lançam seus resíduos no subsolo. Essa a realidade da Curitiba ecológica. Só de um dos edifícios foram retirados, depois de aberto o calçamento, nada menos de seis caminhões de resíduos sanitários e de cozinha. Um nojo. - Enquanto Ponta Grossa e Foz do Iguaçu tinham suas contas desaprovadas pelo TC, Campo Mourão, depois de passar pelo ‘‘crivo’’ daquela instância, teve as suas aprovadas por unanimidade pela Câmara Municipal. - Às vezes esse direito da Câmara Municipal é submetido a pressões, como se dá em Pato Branco onde as contas de Alceni Guerra foram rejeitadas por 10 votos a 4 e ele botou a polícia na parada sob a alegação de que os votos foram marcados. Chegou ao desplante de dizer que isso é mais grave do que a violação do painel do Senado. - O governador prometeu revelar o ‘‘caixa’’ do Estado de dois em dois meses. Está atrasado, tanto que o conselheiro Rafael Iatauro, presidente do TC, o teria advertido de que as despesas de custeio (pessoal, especialmente) extrapolaram limites legais. -
FOLCLORE Com o apagão, houve a advertência em italiano macarrônico: ‘‘Se tutti i cornutti portassero lampioni, Dio mio, che bella iluminazione.’’ A piada veio em cima de um quadro sobre a cornice no ‘‘Brava Gente’’ da TV Globo.
Se todos chifrudos portassem um lampeão, que bela iluminação.
CROMO O parto do sol no mar: gema de ovo no horizonte rubro.
AFORÍSTICO Tarifas dos Correios foram para o espaço: quem selou o acordo?
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