Em nenhum Estado brasileiro a causa da rebelião na Polícia Militar se fundou num caso de quebra da hierarquia como por aqui. Chegamos ao absurdo, pelas ações do governo no trato de uma gratificação especial (Lei 11.366 de 26/04/ 96), já no império lerneriano (e Alvaro Dias nada tem a ver com isso, ao contrário do que disse aqui ontem, apesar de três modificações procedidas nos valores, enquanto Requião fez cinco), que representou, com seu restabelecimento, 309% para coronéis e 20% aos soldados.
De lá para cá o fato de as vantagens terem abrangido apenas de capitão a coronéis, os escalões intermediários para baixo de tenente a soldado as perdas chegam a ser de 146,80% (primeiro-tenente) a 89% (cabo) e 81,10% (soldado). Essa a razão pela qual só elementos desses estratos hierárquicos é que participaram pessoalmente ou por suas esposas nas manifestações. Causa, também, inevitável do envolvimento do coronel Eliseu Furquim na condição de dirigente de uma entidade, a AMAI (Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares e Inativos) nesse processo e sua disposição de ir à Justiça pleitear anistia aos PMs, até agora punidos.
O mais grave é que o governo direta ou indiretamente (em Londrina o coronel Sanderson, telefone à mão, num encontro no Moringão em Londrina com 3.500 PMs da ativa e reserva, teria assegurado a garantia de que já nos primeiros meses de 1999 tudo seria regularizado) e isso no andamento da campanha eleitoral de 1998. O deputado federal Abelardo Lupion foi um dos que mediaram essa garantia e com ela obteve votos entre os milicianos.
O gravâme da quebra de hierarquia salarial se tornaria mais contundente ainda com o ganho de causa de 590 PMs da percepção da vantagem integral, o que fez com que, em alguns casos, um sargento ganhasse mais do que o seu superior imediato, primeiro e segundo-tenentes. Essa bagunça foi promovida sob Lerner, não havendo motivo para que expressasse, como faz agora, aturdimento diante da marcha dos acontecimentos que sua desídia e a de seus auxiliares deflagrou.
Quem pariu Mateus que o embale, enuncia o ditado. E o que nós vemos é que o governo no episódio age como aprendiz de feiticeiro, aquele que perde controle sobre seus atos de magia e prestidigitação.
BIZARRICE
Consta que em Maringá, além de façanhas grotescas como a famoso caso do Aspen Park com perdas enormes para o Banestado, houve uma outra de espantar até fantasma: uma operação em que o devedor oferecia como garantia a terça parte de uma casa noturna.
AXIOMA
O sexo é uma constante de tal forma exagerada na novela ‘‘Porto dos Milagres’’ que se insinua que o rio da cidade é de esperma e que o caso é mais de polução do que de poluição. Sugere-se ainda que seria redundância mostrar casas dos ricaços ornadas por trepadeiras.
GLOSA Prenderam o Belinati de novo. Pelo jeito vai ser uma constante de tal natureza que já não renderá, como da primeira vez, edição extra.
EPIGRAMA Há quem veja uma jogada diabólica do governo nessa baderna salarial que promoveu na PM para tentar cooptar os próprios prejudicados para a privatização da Copel que supostamente resolveria esse caso e mais a questão dos vencimentos dos professores. Ocorre que tanto uns como outros estão cansados de serem ludibriados.
SPRAY A Prefeitura de Londrina está num pacau de bico. Sabe que a manutenção do Sercomtel é inútil e será um monstruoso prejuízo mantê-la na competição, mas tem noção, da mesma forma, que a população tende a embarcar na defesa da empresa municipal, quando do plebiscito.- Outro complicador de natureza política é o de explicar, de forma didática, que o caso da Sercomtel, em termos tecnológicos, nada tem a ver com o da Copel. A publicidade é impotente para exercícios de extrema complexidade como esse e, portanto, nem os tidos como gênios poderiam explicitar com clareza o problema.- Aliás os anúncios de defesa do leilão da Copel, embora apelando para a concisão e a coloquialidade, não emplacaram.- O sentimento antiprivatização, pelo efeito demonstração até agora obtido, é cada vez mais forte. Há uma questão de velocidade entre a urgência da venda da telefônica e a da Copel, isso sem falar na crise de energia. Detalhar isso bem, dada a politização dos temas, não é fácil.- Londrina vai ficar com um problema enorme se não vender a Sercomtel. Junto com ela a Copel também sofrerá o prejuízo por ter comprado 45% das ações daquela empresa, restando-lhe nas mãos mais um ‘‘mico’’.- O inferno astral da equipe de Belinati se torna agudo a partir desse acontecimento, causa-matriz de tudo e até agora mal esclarecido.- Para se ter uma idéia das dificuldades para apurar escândalos não custa lembrar que das 25 notícias-crime da Banestado Leasing apenas três chegaram à Justiça, justamente as vinculadas aos empresários de Sergipe, dentre eles o ex-governador João Alves. E para complicar houve a morte de Osvaldo Santos, seu dirigente, e que poderia também clarear episódios ligados aos Jogos da Natureza.-
FOLCLORE O tal comprovante que o senador Requião deseja a pretexto de melhorar o voto eletrônico pode funcionar como recibo para o eleitor cobrar acerto com um candidato: ganha meia botina e sai da urna com a prova para receber outra.
CROMO Ferve o frevo no fervor bailarino dos guarda-chuvas que rodopiam.
AFORÍSTICO Hermas Brandão, pelo que tenho lido, tem uma larga estrada pela frente: as curtas o derrubaram quando secretário.
O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.

mockup