Luiz Geraldo Mazza
Quando se acentuavam as tensões com a crise na PM, como comentarista da Rádio CBN-Curitiba, vi-me obrigado a fazer um refrão dirigido ao Palácio Iguaçu: Governador, estamos esperando há mais de seis anos que o senhor tome posse de suas funções e prerrogativas. Nesse momento as esposas dos milicianos estavam cercando os quartéis e o cenário tendia para o melodramático é indispensável que haja governo.
Demorou um pouco, menos do que naquele lamentável episódio do circo dos sem- terra no Centro Cívico, mas aconteceu: a remoção das mulheres foi procedida com o máximo de cuidado no estilo de países avançados quando dos desafios da resistência civil, pregada até por moderados como Thoreau. Não havia uma só pessoa de bom senso que admitisse como válida aquela forma de motim. Só os histéricos, assembleístas, não percebiam o absurdo institucional de greve de militares.
Nada porém justifica que se faça agora e parece que isso está pintando uma caçada às bruxas com suposições de que esta ou aquele organização estaria por trás do movimento, o que restabeleceria em transformar a presunção, como se dava no regime militar, em verdade inquestionada com as bênçãos da Lei de Segurança Nacional. Ou ainda que partidos instrumentariam a manifestação. Nos tempos de chumbo, Lerner-prefeito se recusou a demitir uma auxiliar ligada à esquerda (como o marido, o advogado Edésio), a educadora Zélia Passos, apesar de pressionado pela milicada. Espera-se que não traia a memória.
Que a PM se obriga a apurar responsabilidades nem se discute. Da mesma forma não tem sentido a primeira reivindicação das mulheres que era a de anular as punições do movimento anterior que de forma clara infringiu os códigos. Tudo isso pode ser feito com serenidade e reconhecendo como fator condicionante o clima psicossocial que o próprio governo facilitou com suas indecisões e as confusões na corporação relativamente à quebra de hierarquia em função de algumas decisões judiciais que favoreceram uma minoria no caso da acesso à gratificação, por sinal retirada por Alvaro Dias quando no governo.
Assim agindo, o governador irá com muitas credenciais ao encontro de seus colegas com o presidente FHC hoje e pode até expor, com clareza, as cautelas que defende para a hipótese de devolver a PM à condição de força auxiliar do Exército e ainda de atribuir-lhe funções de polícia.
BIZARRICE
O compadrio é uma das coisas mais detestáveis em política. Richa dizer que Scalco é sangue novo só teria sentido se o presidente da Itaipu tivesse feito uma exsânguino-transfusão que se adota nos recém-nascidos portadores de doença hematológica incurável
AXIOMA Peemedebistas históricos de Curitiba resistem à idéia de Reinhold Stephanes vir com o filho a tiracolo para o partido. Ocorre que o PMDB mal elege vereadores na Capital e não tem um deputado estadual. Vaga cativa não é coisa digna de democratas e nada justifica que se chame essa operação de barriga de aluguel, ainda mais para um partido que só dá barrigadas na Capital com tantas derrotas.
GLOSA Reabertura do desvio na Rodovia das Cataratas irrita a concessionária, mas é uma forma legítima de rediscutir o absurdo do modelo de pedágio adotado no Paraná. Essas estradas foram construídas com o dinheiro do contribuinte e que agora se vê obrigado a agir como se fosse vassalo diante do suserano.
Ademais, o desvio, como a Estrada do Colono, era uma via municipal há 40 anos, e como aquela só falta destruí-lo com apoio até militar.
EPIGRAMA Piada sobre a Seleção Brasileira não vale. Até porque como piada ela é rigorosamente insuperável.
SPRAY Numa fala de Jaime Lerner de 30 minutos na Rádio CBN ontem, comprovou-se que o governo é mal divulgado apesar da fortuna gasta ao longo do tempo como aqueles R$ 500 milhões em menos de cinco anos. - Nunca houve uma equipe de jornalistas de primeiro time tão forte quanto a que está no Palácio Iguaçu, recebendo os maiores salários já pagos em toda a história. - Pergunta-se: se os homens de texto e os de propaganda são tidos como excepcionais, como explicar a imagem negativa de Lerner, fechando o último lugar na lista de dez do Ibope, Datafolha, seja qual for o instituto? - O Paraná avançou razoavelmente em alguns indicadores sociais e já não está assim tão distante de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul em escolaridade, mortalidade infantil, expectativa de vida. - Na parte econômica, há feitos como o das taxas de emprego e que nos colocam em posição muito boa, entre as melhores do País. - O aparato da área de comunicação social é também o mais agigantado do que os de governos que ficavam entre os três primeiros do Ibope como os de Ney Braga, Pimentel, Canet Júnior, Richa, Requião, Alvaro Dias. - Seria injusto atribuir a Rafael Greca a responsabilidade por esse estado de coisas, mas a um conjunto de fatores, entre os quais a saudável abertura dos meios de comunicação já não atrelados como antes ao Palácio Iguaçu. - O fato é que potencialmente, a despeito do desmanche patrimonial, secura financeira, a taxa de corrupção e as tensões com a base aliada, a imagem oculta as ações positivas do governo, embora sua obsessão seja a ocupar-se das negativas.
FOLCLORE Falta agora um oposicionista dizer que o que Deus uniu entre um PM e a esposa só o Jaime Lerner ousa separar.
CROMO A perereca se funde no vegetal: seu olho brilha como o orvalho na folha.
AFORÍSTICO Bem. Será que agora ele toma posse?
- O conteúdo desta coluna não reflete necessariamente a opinião do jornal.





