Luiz Geraldo Mazza
Que seria dos estadistas e chefes de empresa se não tivessem ao seu lado sua equipe de áulicos e puxa-sacos? Não dá, a quem esteja acostumado, para viver sem eles e depois que ficam condicionados sentem a falta de sua proximidade como se fosse a expressão da própria morte.
Pois alguns dos integrantes dessa farândola indispensável do governo Lerner contestam que tenha havido vaia no Guairão, sábado último. Teria ocorrido omissão de aplauso, conquanto solicitado por Bibi Ferreira.
Na verdade, não apenas Jaime Lerner, mas todo e qualquer governante, incluindo o presidente da República, correm o risco de sofrer esse tipo de apupo. É que a população, de um modo geral, anda tomada por um sentimento de vingança e, de certa forma, disposta a apelar ao linchamento. É um quadro psicossocial muito perigoso e que lembra a atmosfera das barricadas, do regime do terror na França, das execuções do regime cubano e das ações da Ku Klux Klan queimando negros em fogueiras.
Há, de outro lado, a vontade de vaiar, um ato de descompressão bem mais barato do que ir ao consultório do psicanalista e que pode conduzir à catarse como o grito primal junto à janela. A um vaiado poder-se-ia dar a explicação de que o apupador pode não saber o que está fazendo, mas o apupado sabe por que o hostilizam.
Em defesa do público de Curitiba e frequentador do Teatro Guaíra é preciso clarear que o ocorrido no fim de semana foi de uma sutileza ímpar: não se tratava dessa vaia grosseira, rústica, dos comícios e campos de futebol. Não, nada disso. O que houve foi manifestação artística, das mais finas, até bem apropriada à atmosfera das cortes aristocráticas: uma fischiata a bocca chiusa, algo como aquele canto de boca fechada dos corais. Uma dessas e isso não faz muito tempo quem levou foi um gênio, fisicamente parecido e de muito maior talento, o Luciano Pavarotti, por ter dado uma atravessada no momento culminante de uma ária.
BIZARRICE
Ainda de Lerner (até pareço o Cândido Gomes Chagas de tanto falar nele): as pessoas falavam sobre suas constantes viagens e foi nesse momento que o Rubinho Ferreira deu uma definição de tédio como o espaço existente entre uma viagem e outra. Depressão é ao contrário, conforme o mesmo autor, a distância entre um Ibope e outro
GLOSA O alerta que a OAB-PR está fazendo contra organizações aparentemente voltadas para a defesa do consumidor e que não passam de arapucas de advogados não seria aplicável a muitas das ONGS que atuam por aí?
AXIOMA Cinquenta esposas de PMs tentaram abraçar o prédio da corporação, mas esse número era, obviamente, insuficiente. Com esse contigente mal dava para cercar com um abraço todos os gordos deste governo, ainda mais depois que o Gerson Guelmann deixou de ser cliente das Lojas Varca.
EPIGRAMA Com a erupção do vulcão Etna em Catânia deu para lembrar de uma cena que o jornalista-chargista Dante Mendonça viu na Itália junto com sua mulher, a também jornalista, Maí Nascimento, e que mostra que há semelhanças entre o Brasil e aquele país nas fronteiras internas e de preconceito. O vulcão havia entrado em furor e os italianos do norte grafitavam nas paredes Forza, Etna!. Apropriado para lembrar dessa cretinice fascistóide de o Sul é o meu País. Lá o Norte age como aqui fazem os meridionais.
CAUSOS A Itaipu Binacional editou em livro os causos publicados no jornal da empresa. Situações folclóricas e algumas até documentais como a da ópera inspirada naquele cenário ilustram a publicação. Quem começou com esse tipo de literatura leve foi o jornalista Zair Schuster (ex-secretário da Folha aqui na capital), assessor da Sanepar, que relatou, em dois livros, o anedótico da empresa que está destinada à iniciativa das privadas pelo governo leiloeiro.
SPRAY Reinhold Stephanes vai assinar ficha do PMDB. Melhora sensivelmente o nível dos quadros partidários. Brevemente vai receber a cidadania honorária de Curitiba (como Aníbal Khury, ele é de Porto União) e o tema do seu discurso será uma análise sobre os erros cometidos na privatização do Banestado. - No diretório nacional do PSDB não houve tempo para o caso paranaense. A executiva se ocupou, a maior parte do tempo, com o Espírito Santo e o caso do seu governador cassável, José Ignácio. Na religião, a imagem do ES é uma pombinha branca, contraste forte para o tucano policrômico. - Com isso, Hauly ganha moratória para aparecer no horário eleitoral, como se deu anteontem. - Cronistas do esporte das décadas de 50 e 60 têm até hoje para confirmar adesão ao encontro de domingo na Chácara dos Magistrados na Colônia Faria pelo fone 353-3641 ou na ACEP, com a Chica. Pessoal de rádio e jornal participa da festa que vai das 9 até as 17 horas. - A tragédia havida, duas semanas atrás, no Porto de Paranaguá com a queda de um trator no mar e a morte de um trabalhador revela o seguinte: urge privatizar esse setor que opera com tratores até de 1980 e o mais novo é de 1989. Deixar o lado ruim como o público é que não dá.
FOLCLORE O Conselho de Ética do PSDB nacional julgava ontem o caso do senador Alvaro Dias. Algo parecido com as mulheres de PMs prendendo o governador.
CROMO Mário Quintana sugere que a tevê substituiu a janela, o que não impediu que Chico Buarque se ocupasse das mulheres que nela permanecem e enxergam a passagem do tempo como a da banda.
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